Capítulo 31

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Moxico//2021

Nos dias que procederam havia dado início as buscas pelo Essanju, chefe Antônio movia céus e terras para que o processo fosse o mais rápido possível. Por outro lado Avó Albertina se recusava voltar ao Huambo.

___Porquê você não quer voltar ao Huambo,Avó?__Perguntei enquanto massageava seus pés

___Aquelas terras me causaram tantas desgraças tanto quanto a cidade grande causou a tua Mãe. Nós somos um Iman só atraímos desgraças onde colocamos os nossos pés __Disse com um olhar distante

__Não diz isso, avó__Disse eu,embora meu interior concordasse com ela.realmente nós somos um Iman que só atrai coisas ruins.

___Não encontramos felicidade por onde vamos,todos os lugares ficam marcados pelas desgraças. Encontre o teu irmão é só isso que preciso para morrer em paz e finalmente desencasar perto da minha Cawica e do meu Ufuko ___Disse melancólica

___La no Huambo a senhora vai poder voltar a fazer as fisioterapias,a tua saúde vai ser melhor acompanhada, lá temos uma casa melhor,temos comida e conforto ___Disse tentando convencê-lá

___Temos tudo isso,mas não temos o mais importante que é a felicidade. Deixa-me ficar aqui com os espíritos dos meus mortos,deixa-me na minha casa que com muito sacrifício eu e o meu Ufuko construímos. Aqui fomos felizes um dia,aqui criamos a tua mãe,aqui criamos histórias que só não te conto porque os nossos encontros são sempre para falar dos problemas da vida e nunca de experiências boas. Vá tu ser feliz quanto a mim eu prefiro morrer em paz em companhia dos meus espíritos que me consolam por isso tenho resistido até agora.

___Deixa-me pelo menos começar uma obra nessa casa,permita-me oferecer a vida digna que lhe prometi um dia. Eu juro que dessa vez vai acontecer __Disse segurando forte suas mãos

___Fayola,deixa-me Por favor, uma velha só te vai atrapalhar a vida. Você é jovem siga o seu caminho. a mim só trás o meu neto de volta ele ainda é uma criança. Mas antes de partires por favor chame o chefe Antônio eu preciso conversar com ele.
{...}
Chefe Antônio

Há uma semana decidimos partir para o moxico, Fayola contou-me da família e do sumiço do irmão e eu prometi ajudá-la. Hoje é o meu último dia nessa cidade os deveres me chamam,mas orientei os meus homens,eles estão proibidos de descansar até encontrarem Essanju.

Enquanto almoçávamos no restaurante do hotel onde estávamos hospedados,reparei que Fayola estava mais embaixo que nos outros dias,ela nem se quer comia apenas mexia nos talheres,seu semblante estava carregado de tristeza e desânimo.

___A comida não te agrada? Podemos pedir outra coisa se quiseres__Disse sem desviar o olhar dela

___A comida está boa,eu é que estou sem fome ___Disse com um leve sorriso entre os lábios

Conhecia-a suficiente para saber que aquele sorriso era um disfarce para a dor

___Os homens vão partir hoje para o cassai sul,os rapazes com quem Essanju esteve envolvido dizem que foi lá onde o viram pela última vez __Disse segurando suas mãos

___Deve ter ido atrás dos irmãos do pai dele,vivem lá aqueles miseráveis.

___Quando menos imaginares o Essanju estará de volta,minha criança ___Disse beijando suas delicadas mãos

Ainda assim ela não sorria,seu semblante continuava carregado de tristezas

___A avó não quer ir conosco,ela disse que vai ficar aqui até o Deus lhe levar para perto da filha e do marido dela. Mas não há condições para ela permanecer aqui,a casa está a degradar, não há condições para nada,ela vai morrer antes de Deus a chamar ___Disse paulatinamente

A Procura de MirandaOnde histórias criam vida. Descubra agora