25 capitulo

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Esquadra Municipal:

Fayola:
Eles levaram-me para uma esquadra como se eu fosse uma criminosa,maltrataram-me durante toda trajetória e ouvi da boca deles todos os nomes ruins possíveis a se referirem a mim, eles nem se quer me conhecem,nem se quer me dão a oportunidade de contar o que realmente aconteceu,mas me julgam como se eu fosse um lixo quando o verdadeiro lixo e criminoso eles colocaram em uma maca e o levaram ao hospital.

Já na Delegacia,eles levaram-me a sala de interrogatório,eu não consigo parar de chorar...

___por que você agrediu o homem? __Perguntou um homem que estava sentando em frente de mim

___Ele tentou estuprar-me __Disse com a voz rouca de tanto chorar

___Hahahaha. Ok. Gostei dessa,és muito engraçada. Agora conte uma versão que realmente me convença___Disse cruzando seus braços e olhando fixamente para mim

___Mas,eu estou a dizer a verdade. Não é nenhuma piada.__Disse com um tom mais alto

___Baixe o seu tom de voz. Informações que eu recebi apontam que tu tens um caso com o general caracol há cinco anos. Achas que sou um palhaço para acreditar nessa estória mal contada de suposta tentativa de violação?Sabes quanto tempo podes ficar trancada pelo crime que cometeste? __Disse batendo forte na mesa que nos separava

___Ele era meu tutor,nós não tínhamos um caso amoroso. E mesmo se tivéssemos ele não tinha nenhum direito de fazer alguma coisa comigo contra a minha vontade ___Disse com o mesmo tom de voz que ele.

___Vocês são todas umas bandidas armadas em santas e corretas. Furam-nos os bolsos depois matam-nos ou abandonam-nos para ficarem com homens mais jovens. Levem-na para a cela. ___Ordenou com desprezo

___Por favor. Eu não fiz nada__Disse implorando

Um agente puxou-me bruscamente pelos braços e colocou-me numa cela, nojenta.
[...]
A cela onde eles me colocaram era escura,quente e abafada. Tinha uma cama de ferro nada segura e um colchão gasto e velho. As paredes eram brancas,mas a tinta já estava antiga e a parede estava marcada com frases e desenhos. Eu não conseguia parar de chorar e pensar em tudo que teria evitado se nunca tivesse colocado os pés nessa província,se nunca tivesse criado em mim o desejo de encontrar o meu pai ou  então se ele deixasse a minha mãe na guerra. Maldito Miranda onde estás?

Um monte de pensamentos me cercavam,será que ele morreu? Será que eu vou sair desse lugar? O que será da minha família depois disso? As horas passavam lentamente e quando me toquei um alarme havia tocado,os passos rápidos dos agentes em serviço se intensificavam, ouvia-se do fundo vozes,eles estavam na habitual formatura.

[...]

___Ei,toma o teu mata-bicho__Disse um dos agentes entregando um pão e uma caneca de plástico com água dentro dela.

___Senhor.podes por favor me ajudar ___Disse com lágrimas escorrendo

___Não me metas nisso. És atrevida quem disse que uma miúda como você tem que namorar com um senhor daqueles.não me peças ajuda__Disse afastando-se

___Por favor senhor. Preciso tomar banho,vestir alguma coisa decente e falar com a minha família. A Minha avó é doente e ela só tem a mim e ao meu irmão que é menor de idade. A qualquer momento ela pode morrer e eu estou aqui dentro. Eu só quero saber como ela está por favor e pedir para  alguém trazer algumas roupas para me trocar___Disse implorando

___Pobre não deve se meter com rico. Tu estás na boca do leão ninguém vai te salvar daqui. Reza para que o chefe não morra ___Disse com um tom baixo

___Ele está vivo? ___Disse meio aliviada e angustiada ao mesmo tempo

___Claro que está. Se estivesse morto tu estarias a viver dias piores do que estes__Disse dando uma leve batida nas grades

___Como ele está ? __Disse curiosa

___Mal.muito mal ___Disse afastando-se novamente

Minutos depois ele voltou e deu-me um telefone

__Seja rápida. Se alguém te ver ou ouvir eu não vou justificar.___Disse afastando

Felizmente eu tinha o número da Amélia memorizado. Disquei imediatamente o número e comecei com as ligações foram quatro tentativas, mas sem sucesso

___Despacha__Gritou o agente do fundo do corredor

___Atende por favor ___Disse contendo as lágrimas de desespero

Na quinta tentativa ela felizmente atendeu
Ligação:
___Melly,sou eu,Fayola ___Disse desesperada

___Sua vadia. Onde é que andas? que se passa? Já tens outra melhor amiga? ___Disse aos berros

___Calma. Presta atenção,muita atenção mesmo,eu não posso falar muito __Disse mais desesperada ainda

___Estou a ficar a preocupada. Essa voz está assim porquê?

___Me meti num problema muito grande,vou precisar da tua ajuda,mas não diga nada nem a minha avó nem ao meu irmão por favor. Estou na esquadra municipal, preciso de roupas para me trocar e um advogado se for possível. Vem ter comigo depois eu te explico tudo por favor __Disse rapidamente

___Meu Deus,que merda fizeste? __Disse preocupada

____Não tenho como te explicar agora,vem ter comigo___Disse encerrando a conversa.

Ligação off
[...]
Amélia:

Estava num almoço em um restaurante chique da cidade do Huambo com o meu novo Suggar dady quando o telefone tocou. Não tenho o hábito de atender ligações de contactos desconhecidos,mas o meu Suggar Dady é ciumento se eu não atendesse ele pensaria que era um outro homem.
Assim que atendi a ligação era Fayola na linha,já há uns dois dias que não falávamos e era estranho tanta ausência. A voz dela não era das melhores e assim que ela disse-me que havia se colocado em um problema grande eu logo presumi que tinha o chefe Antônio envolvido na história se não ela nunca teria ido parar em uma delegacia. Ele moveria céus e terra para livra-lá de qualquer acusação.

*****
___O que aconteceu ?__Disse o Suggar Dady olhando para o meu semblante de preocupação

___Preciso ir. A minha melhor amiga está com problemas e eu preciso ajudá-la __Disse colocando os meus pertences na bolsa

___E o nosso almoço? A nossa saída mais tarde? Eu já paguei o quarto de hotel

___Pegue outra vadia e desfrutem de tudo. A minha melhor amiga precisa de mim. Não vou deixá-la sozinha por cinco minutos de prazer __Disse me retirando

Peguei no meu carro e fui para o meu apartamento peguei algumas peças de roupas,comida no frigorífico. Passei em uma loja onde peguei Peças íntimas novas e produtos de higiene.Segui para a delegacia que ficava duas horas do lugar onde estava, quando cheguei já era tarde não podiam mais receber visitas.

___Deixa-me fazer o meu trabalho senhorita. Eu já disse que o horário das visitas já acabou. Volte outro dia ___Disse o Agente impaciente

___Toda regra há uma exceção,eu vim de muito longe para ver a minha irmã por favor deixa-me vê-la. Ou então permita-me falar com o teu superior ___Disse praticamente implorando

___O meu superior não atende civis a esse horário. Não me faças perder a paciência.Eu já disse para ires embora e voltares amanhã mais cedo.

___Estou a vir de Benguela,percorri horas de estrada ao volante sozinha. Meu coração está aflito a minha irmã sofre de um doença grave ela pode ter crises a qualquer momento. Nós não temos ninguém a nossa avó anda muito doente também e a qualquer momento ela pode nos deixar. O nosso único irmão é ainda uma criança. Não me deixe nessa aflição por favor ___Disse em prantos para tentar convencê-lo

Mas o homem era tão duro que não se compadeceu com a minha dor e desespero...

A Procura de MirandaOnde histórias criam vida. Descubra agora