"A dor nos faz tomar decisões erradas. O medo dela também..."
Dr.House
;)
Apenas ativei meu GPS e fui em direção ao local marcado por aquele homem. Havia muito tempo que eu não tocava em uma moto dessas, perdi até o costume de andar em uma. Pelo que me parece o caminho é distante daqui, no GPS está indicando que chego lá em uns 18 minutos, e isso andando de moto.
Observei a paisagem ao meu redor enquanto dirigia e sinceramente o que antes eu achava bonito, agora acho assustador. Quando olho para essas árvores a única coisa que penso é alguém se escondendo atrás delas. Me lembro também quando o homem sem rosto — ou melhor, o Richy — me mandou vídeo da Cleo correndo na floresta. Fiquei tão preocupada.
Duskwood tinha tudo para ser uma cidade bonita, pois tem muitos lugares tranquilos. Mas depois do caso da Hannah, acredito que a tranquilidade não exista neste lugar. Ou talvez eu esteja apenas com medo pelo que está por vir de agora em diante.
Alguns minutos se passaram e finalmente cheguei no endereço. Estacionei a moto não muito distante e então fui andando observando tudo ao meu redor. Mas de acordo que fui me aproximando, percebi que este lugar não é estranho, na verdade é conhecido. É a casa do Michael Hanson.
Suspirei e procurei por uma entrada. A casa está ainda mais velha do que da ultima vez que Jessy e Thomas vieram aqui. Consegui entrar e a porta fez um barulho alto, indicando a minha presença — o que é péssimo. As paredes da casa estão muito descascadas, as poucas janelas que restam estão quebradas e algumas madeiras no chão estão totalmente desgastadas.
— Estou aqui, você não irá me receber? — falei alto e minha voz ecoou. Continuei andando para os fundos, ainda sem resposta. — É uma falta de educação não receber a visita — disse. Por mim ele não precisa me receber.
[...]
Estou rondando a casa inteira, como uma espécie de investigação. Todos os passos que dou me fazem querer voltar para trás e ir embora, não aguento mais estar aqui nessa agonia da espera. Não sei o que é pior: ficar andando sozinha sem saber onde ele está ou então encontrá-lo de vez. São duas péssimas opções.
— Não vim aqui para brincar de pique-esconde. Você já me encontrou, agora me deixe encontrar você — gritei, ficando mais tensa. Então de repente escutei um barulho de porta e estremeci. Fiquei em alerta no mesmo momento e comecei a andar mais devagar e atenta a tudo.
Fui dando a volta mais uma vez, indo lentamente para onde escutei o barulho de porta. Coloquei a mão na região da arma caso eu seja pega desprevenida e comecei a ouvir passos calmos e quase silenciosos. Fechei meus olhos por um segundo, me preparando para quem eu ia ver. Então, enquanto caminhava, senti meu corpo bater com o de alguém e dei um pulo de susto.
Puta que pariu!
— Jake? — sussurrei com o coração acelerado. Por um segundo pensei ter dado de cara com o demônio.
— Daphne? — sussurrou de volta. — O que caralhos você está fazendo aqui? E sozinha?
— Eu que te pergunto, o que você está fazendo aqui?
— Estava te mandando mensagem e você não respondia nenhuma, nem as ligações estava atendendo. Liguei para o hotel onde você está hospedada e disseram que você saiu — falou baixo. — Ativei sua localização e quando percebi que estava vindo pra cá, decidi vir no mesmo momento.
— Você o quê? — perguntei nervosa, mas ainda mantive meu tom de voz baixo. — Tem que sair daqui agora. Recebi uma mensagem para encontrar ele, mas ele me quer sozinha. Jake, vai embora.
— Está maluca? Já estou aqui e não vou deixá-la sozinha com um fanático. É perigoso demais.— Suspirei. Apesar de tudo me sinto mais segura sabendo que o tenho comigo, mas isso com certeza foi a pior coisa que poderia ter acontecido.
Quando ele dita uma regra, é melhor segui-la, do contrário: você morre.
Jake e eu nos entreolhamos quando ouvimos o som de uma notificação vindo dos nossos celulares ao mesmo tempo. Ele recebeu uma foto nossa juntos e me mostrou em estado de choque. Já eu recebi uma mensagem.
Número desconhecido:
Eu avisei a você para que viesse sozinha. Agora lide com as consequências dos seus atos.
Um barulho alto ecoou por um dos quartos de cima. Escutamos portas rangendo e sons de objetos sendo quebrados no chão. Peguei minha arma e Jake pegou a dele, ambos tensos e nervosos. Então ouvimos passos. Passos esses que estão se aproximando cada vez mais rápido.
— Daphne... — Jake disse e me olhou na mesma hora. — Corre! — ele gritou e então começamos a correr quando vimos o homem sem rosto vindo atrás de nós dois feito um maluco. Não havia tempo de olhar para trás, não havia tempo de falhar, precisamos correr se quisermos sair daqui com vida. Jake abriu a porta da entrada em uma rapidez absurda e quando saímos tentou fechá-la para ganharmos tempo. — Sei que veio de moto, mas nós dois vamos no meu carro, é mais seguro — falou em alerta.
Corremos até seu carro e entramos dentro dele no mesmo segundo que o homem sem rosto abriu a porta de entrada e começou a vir em nossa direção furioso. Jake acelerou o máximo que pôde e me permiti respirar finalmente. Meu coração está batendo a mil por segundo.
[...]
Jake e eu fomos para o apartamento dele e ambos chegamos ainda com a respiração desregulada pela adrenalina e sem conseguir falar uma palavra por longos minutos. Me sentei no sofá junto com ele e enterrei as mãos no cabelo, fechando meus olhos e tentando raciocinar sobre o que havia acontecido.
— Puta que pariu — xinguei nervosa. Não é com ele em si, é com tudo. Estou prestes a perder a cabeça. — Você não devia ter ido lá. Ele me mandou ir sozinha!
— E você percebe exatamente porque é tão perigoso, Daphne? Ele é completamente maluco da cabeça, poderia machucá-la de novo. Prefiro que ele acabe comigo, mas que não toque em você mais uma vez — falou. — Lá é isolado, quase não pega sinal. Imagina se ele faz algo com você? Como ia avisar a alguém?
— Ele me avisou, Jake, ele me avisou... — coloquei a mão no rosto, tentando controlar a respiração. — Disse que agora vou ter que lidar com as consequências. Tem noção disso? Sair da linha com ele é a mesma coisa que pedir para que ele tire sua vida.
— Olha, calma, está bem? — ele se levantou e pegou um copo de água para mim. — Pelo menos estamos bem e não aconteceu nada de mal.
Ouvimos o telefone do Jake começar a tocar em cima do sofá. Olhei enquanto vibrava e percebi que havia mais de dez ligações perdidas da delegacia. Jake pegou o aparelho no mesmo instante e colocou no viva-voz.
— Alan...
— Onde você está? Estou tentando falar com você tem vários minutos e nada de me responder — Alan disse bravo pela linha. Permaneci calada.
— Tive um imprevisto e precisava resolver. Aconteceu alguma coisa?
— Preciso que venha para a delegacia imediatamente.
— O que houve?
— Aconteceu uma explosão aqui perto da delegacia — Bloomgate explicou meio nervoso. Percebi que estava tenso. — E... Richy desapareceu.
:)
Saudações detetives, como vocês estão?Espero muito que vocês estejam gostando ;)
Curtam, comentem e compartilhem. Até a próxima! (Que é Ja já) 😏
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Me and you
FanfictionNa vida precisamos arcar com todas consequências das nossas ações, tudo que escondemos através de um rosto ou um sorriso voltará para ser cobrado. Mas o que fazemos quando eles veem à tona? Quando eu entrei nessa aventura, estava curiosa para saber...
