PETER PAN
Essas Darling são muito diferentes. As mais parecidas com Wendy que vi até agora, mas de jeitos muito particulares. A mais velha está encarando tudo com tanta naturalidade que me assusta. E quando chegamos na Casa da Árvore, assustou os gêmeos. Vane é difícil dizer. Mas ele também teve uma reação particular ao me ver carregando uma Darling enquanto a outra andava ao meu lado, com duas mochilas de trilha e aquele estranho olhar sereno, escondendo uma astúcia estranha. Talvez influência do sangue do pai. Aliás...
-Olá.-Kas se apresentou para ela, estendendo a mão para pegar as mochilas.-Sou Kastian. E esse é meu irmão, Sebastian.
-Bash.-Interrompeu o irmão.-E vocês...
-Sou Lily Darling Sanderson. E esta é minha irmã mais nova, Winnie.
Os dois me olharam de sobrancelha franzida, enquanto Kas convencia a Darling de lhe dar as mochilas. Ela agradeceu a gentileza e as entregou a ele. Vane também me olhava, incrédulo. Entreguei Winnie a Bash, para que ele a levasse para o quarto.
-E com a que está acordada, fazemos o que?-Vane me questionou diretamente. Dei uma boa olhada naquela Darling, que olhava as Pixies com muito interesse.-Damos uma pancada na cabeça?
-Ela não vai ser um problema.-Não sei bem de onde tirei isso. Mas ela teve tantas chances de fugir de mim. Agora que teria de correr de três seres imortais descansados não seria muito inteligente correr. E ela veio de absoluto bom grado. Me joguei na poltrona, exaurido. Essa era minha última chance, e veio dobrada. Talvez fosse o universo me dizendo que agora iria funcionar.-Não precisa amarrá-la.
Ele bufou, com os olhos desiguais fixos na Darling. Isso até ela olhar de volta, e lhe dar um pequeno sorriso de canto.
-Você é o Vane. Minha avó sempre gostou muito de você.-Eu vi como ele ficou surpreso.-Você é fisicamente muito parecido com meu avô, aos vinte anos. Isso explica porque ela simpatizava tanto com você.
Ela continuou explorando a casa, Bash voltou, e encontrou nós três observando a Darling mais velha. Até ela bocejar, e cobrir a boca com a mão. Indiquei para Kas levá-la ao outro quarto vazio. O quarto que já foi de Tinker Bell. É claro que os gêmeos não sabem disso. Seria uma crueldade desnecessária. E eu desci para minha tumba. Eles sabem que devem ficar de olho nas Darling até o anoitecer.
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LILLY DARLING
Sempre gostei de acordar cedo. Era um hábito do meu avô, e eu era a companheira dele quando menina. Não o perdi com o passar dos anos. Assim como a mania de pontualidade, e outras qualidades que ele tinha e eu imitava.
A cozinha estava vazia, mas eu tinha meus chás na minha bolsa. Então aqueci um pouco de água e coloquei as ervas e flores em infusão, antes de voltar para o quarto.
Vesti um conjunto, calça, top e blusa, de linho. Minha avó dizia que o verão era bem rigoroso na Ilha. E o inverno não era tão ruim. Aprendi muito sobre tecidos com meu pai. Ele era uma alma feminina presa num corpo masculino. Era um homem gentil, delicado, detalhista, cuidadoso... E eu amava muito.
Voltei para a cozinha, peguei meu chá, e fui me sentar na varanda do loft. Não tinha permissão de circundar por aí, embora a areia da praia me chamasse. Eu pediria a Pan quando ele saísse da tumba. Vovô dizia que pedir permissão era uma forma de dobrar um homem autoritário às suas vontades. Seguir os ensinamentos do meu avô sempre foi uma decisão inteligente, não o contradiria estando sozinha em uma terra repleta de magia.
Em algumas horas ouvi alguém andando pela casa. Logo Sebastian apareceu na cozinha, bocejando. Ele levou um susto quando me viu na varanda.
-Bom dia... Lilly?-Acenei positivamente, e ele sorriu por ter lembrado meu nome.-Você acorda cedo... Comeu alguma coisa?-Ergui minha xícara. Já era a quinta.-Vou fazer panquecas de amora. Pode ser?
-Posso te ajudar? Acho que prefiro algo salgado primeiro... Posso fazer um pão recheado.
Ele coçou a nuca, desconcertado, mas aceitou ajuda. Esperei ele me mostrar os ingredientes, então comecei a preparar o recheio para o pão. Bacon, calabresa, alho... Alguns legumes... A calda de amora que ele estava fazendo perfumava a cozinha. E ele passou um café, servindo para nós dois.
Sentei no banquinho do balcão do bar, enquanto o pão assava no forno a lenha, que ele fez a gentileza de acender pra mim.
Ele serviu mais uma xícara de café quentinho pra mim. Agradeci, e fiquei observando como ele fazia as panquecas.
-Você acorda cedo todos os dias?
-Sim... Desde bem pequena. Meu avô acordava muito cedo.
-E você era companheira do seu avô?
-Sim.-Sorri de lado, lembrando do meu velhinho.-O meu pai foi companheiro dele por quase vinte anos... E quando eu era pequenininha, estava sempre com eles.
-E Merry?-Não me dignei a olhar pra ele.-Você é filha da Merry, não é?
-Se ela fosse minha mãe, eu jamais teria chego aos vinte anos com minha mente no lugar.
-Ela pode ter feito isso pra te proteger.
-Eu conheço minha mãe melhor que qualquer um de vocês.-Dei de ombros.-Ela sempre disse que eu era pouco Darling... Que eu era filha do meu pai. E deveria ficar com a família dele. E ela nunca acreditou em vocês.
-Quantos anos a Merry tinha quando você nasceu?
-Quinze. Ela não é tão inocente quanto vocês a julgam.-Um prato com três panquecas quentinhas foi colocado ao lado do meu café, enquanto meu pão cheirava no forno, quase pronto.-Obrigada.
Ele deu um sorriso pequeno. Kastian logo chegou na cozinha também, roubando uma panqueca de outro prato.
-Vai ver se a outra Darling também acorda cedo. Ela deve estar com fome.
-Deixa comigo.
Kas sorriu, piscou e se foi, ainda com a panqueca pendurada na boca. Eram irmãos interessantes, com jeitos parecidos, mas personalidades aparentemente diferentes.
-Por que veio de bom grado? Veio andando com Pan, tranquila... Trouxe uma mala... Estava pronta pra isso.
-Minha família inteira foi trazida pra cá. Por que eu deveria proscrastinar, e vir totalmente despreparada?
-Seu avô te ensinou isso?
-Meu pai. Ele dizia que uma menina precisa saber como sobreviver. Que devem estar prontas, conhecer e entender o mundo e onde se metem.
-Jeito interessante de criar uma menina... Seu pai deixou você sozinha com a mãe e a irmã caçula?
-Meu pai nunca me deixou.-Meu café acabou, e eu fui tirar o pão do forno.-Meu pai era leal a família. Coisa das minhas tataravós. "Os Sanderson nunca viram as costas uns aos outros".
-Ele é pai da Winnie também?
-Não.
E foi a única resposta que ele tirou de mim. Eu não iria cavar meus demônios para um príncipe fae da terra do nunca.
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Como na Terra do Nunca
FanfictionPeter realmente achava que não seria mais surpreendido por uma Darling. Havia jurado isso a si mesmo. Mas ele nunca levou duas Darling. Muito menos uma que já tivesse passado de seus dezoito anos. Winnie Darling era diferente de todas as que ele hav...
