Velho e Vermelho Casamento

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TERCEIRO

O cenário do casamento parecia deslocado do mundo.

A iniciar pelas cores da praia. O mar em maré vermelha, e a areia em um lindo tom champanhe como se tivesse se aprumado apenas para ser a anfitriã daquele evento.

Não era apenas decoração, era intenção materializada.

Velas flutuavam em alturas diferentes, como se o ar tivesse sido esquecido de obedecer gravidade.

Tecidos escuros e vermelhos desciam em camadas pelo ambiente, como sangue e promessa entrelaçados, sem exagero, mas com precisão ritualística.

Os convidados não falavam alto.
Não porque não pudessem.
Mas porque aquele tipo de cerimônia não permitia distração.

Era observação. Era registro. Era experimentação.

E, em algum nível, era julgamento também.

James entrou primeiro. Como manda a tradição.

Sua postura reta. Impecável, tal como mandavam sua educação e seus modos.

Suas vestes negras impecáveis, assim como suas botas, seus acessórios, seu cabelo, sua barba e seu chapéu.

Presença controlada.

Mas havia algo diferente agora,  não a ausência da mão, não o que faltava, mas o que estava sendo conscientemente sustentado.
Ele não estava apenas sendo “o Capitão Hook”.

Ele estava sendo alguém que decidiu algo antes de entrar ali.

E isso mudava tudo.

O gancho de ouro vermelho brilhava, quase como se tivesse luz própria, gritando a identidade de seu dono.

Então ele parou no altar.

E esperou.

Quando Lillyth surgiu na entrada, o ambiente pareceu ajustar o próprio foco.

Ela não vinha como complemento.

Ela não era a Esposa do Capitão.

Vinha como igual.

A Rainha do Piratas. Em seu impecável vestido vermelho. Pouco dramático. Uma obra de alta costura, tecidos leves e nobre, joias exclusivamente pensadas por seu marido. Sua capa voava no lugar do véu, seus cabelos cinzentos brilhavam sob a luz crepuscular, assim como seus vibrantes e marcantes olhos verdes, contornando de forma suave pelo delineado cinza.

O olhar de James encontrou o dela imediatamente.

E não se desviou um segundo sequer.

Ela percorreu o caminho, atapetado por sua tripulação, que havia organizado tudo sob as ordens de Smee. A mesma que estava o lado de James, enquanto Nugner escoltava Lillyth até o altar, com o olhar feroz e a espada em punho. Embora a tranquilidade do caminhar contrastasse com sua postura.

Não havia urgência ali.

Nem dúvida.

Só um tipo de entendimento silencioso que carregava tudo o que não tinha sido resolvido, mas também não precisava ser exposto naquele momento.

Porque hoje não era o dia de resolver.

Era o dia de escolher.

Ela caminhou até ele.

Cada passo consciente.

E quando, finalmente, parou diante dele, o mundo inteiro pareceu reduzir de volume.

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⏰ Última atualização: Mar 30 ⏰

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