A MENTE DE SÍRIUS BLACK

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Num mar sombrio, sob um céu eternamente noturno, uma neblina densa envolve o ambiente, obscurecendo qualquer vislumbre de luz ou calor. As águas ondulam em tons profundos de azul escuro, refletindo a escuridão que paira sobre a paisagem marítima. A atmosfera é pesada e carregada, como se a própria névoa estivesse impregnada de tristeza e desespero.

No centro deste sombrio oceano, emerge uma ilha solitária. O solo árido e rochoso da ilha parece sugado pela escuridão, e uma vegetação morta e retorcida se estende como um testemunho sombrio da ausência de vida. Árvores ressequidas, com galhos que parecem se contorcer como mãos petrificadas, criam uma paisagem desoladora. Não há sinal de flores coloridas ou folhas vibrantes; apenas uma monotonia cinza que permeia cada centímetro da ilha.

O silêncio é opressivo, interrompido apenas pelo ocasional lamento do vento frio que sussurra através das árvores mortas. A tristeza paira no ar como uma presença tangível, e o ambiente parece impregnado com uma aura de melancolia. Nenhuma criatura vive nesse lugar, e mesmo os pássaros evitam cruzar os céus noturnos sobre essa ilha desolada.

Neste cenário sombrio, a luz é uma relíquia esquecida. O único brilho que ousa se manifestar é uma luminosidade fraca e difusa, incapaz de penetrar completamente a escuridão. Esta iluminação pálida apenas serve para acentuar a melancolia e a desesperança que envolvem a ilha.

Assim, essa paisagem se torna um testemunho de um lugar onde a alegria desvaneceu, a luz foi extinta e a morte reina supremamente sobre cada aspecto do ambiente. Uma ilha no meio de um mar sombrio, onde a noite é eterna e a esperança é um conceito distante.
Remus que havia caído naquele mar gelado e sombrio, nadava com todas as suas forças para conseguir chegar à praia, mesmo que aquela ilha confinada por aquelas águas profundas não lhe parecessem nenhum pouco acolhedora era melhor do que ficar a deriva esperando que alguma criatura marinha e misteriosa o puxasse para o fundo.

— Sírius! — Gritou ele andando pela areia da praia. — Sírius, cadê você?
Remus sentiu que seu coração deu uma leve construída para dentro de si mesmo devido à falta de respostas. Se embrenhar naquela mata escura não lhe parecia nenhum pouco convidativo, mas toda vez que a lembrança de Sírius o vinha a mente ele encorajava a si mesmo para que não deixasse seu espírito se abater.

Derrepente como um lampejo de esperança. Como uma luz em meio aquela escuridão, um cão apareceu, muito semelhante à forma animago de Sírius, mas vendo seu espectro parecia-se também com o patrono de Sírius.

— Moony, o que faz aqui?

— Sírius?

— Não exatamente! — Respondeu o cão. — Sou o que sobrou da consciência dele, e sendo você a única coisa boa aqui, ninguém mais pode me ver além de você!

— Então essa é a mente dele?

— Sim!

— Eu sabia que ela poderia ser escura, mas eu não sabia que poderia existir tanta escuridão em um lugar só. — Ele olhava em volta. — Você sabe onde ele está?

O cachorro não disse uma única palavra, apenas apontou seu focinho para a propriedade no auto de uma coluna que havia no meio da ilha com apenas uma luz acesa.

— Aquela é a mansão Black!

— Exatamente, é lá que ele tem passado seus dias presos enquanto a coisa com a qual ele divide seu corpo tem tomado as decisões!

— Ele está sozinho lá?

— Na maior parte do tempo... Mas já digo que não adianta só entrar lá e trazê-lo para fora, ele precisa querer vir com você!

— Certo, me leve até lá!
O caminho até a Mansão Black é tão sinuoso quanto sombrio, levando os intrusos através da vegetação morta e terrenos estéreis. Uma trilha estreita serpenteia por entre as árvores retorcidas, cujos galhos parecem se contorcer em direção à tristeza que permeia a ilha. A névoa densa envolve o trajeto, obscurecendo a visibilidade e tornando a jornada ainda mais sombria.

À medida que os visitantes avançam pela trilha, o terreno começa a inclinar-se suavemente, indicando a ascensão em direção ao topo de uma colina. O solo sob os pés é irregular e árido, emitindo um som melancólico a cada passo, como se a própria terra chorasse pela falta de vida que a envolve.

Ao se aproximarem do cume, as sombras parecem se intensificar, criando uma atmosfera ainda mais opressiva. Nesse ponto, a trilha se abre para revelar a imponente silhueta da Mansão Black. Erguendo-se como uma sombra majestosa contra o horizonte noturno, a mansão está envolta em uma aura de mistério e história obscura.

A arquitetura da Mansão Black é imponente, com torres escuras e janelas altas que parecem absorver qualquer luz que tenta alcançá-las. O perímetro da propriedade está cercado por uma grade de ferro forjado, enferrujada e retorcida, como se tentasse manter à distância qualquer intruso indesejado. À medida que os visitantes se aproximam da entrada, as gárgulas esculpidas nas extremidades do portão parecem ganhar vida nas sombras, observando silenciosamente os passantes.

A mansão se ergue no ponto mais alto da colina, dominando a paisagem desolada da ilha. A escuridão que a envolve cria uma sensação de isolamento, enquanto a trilha finalmente se desvenda diante da majestosa entrada da Mansão Black. O som dos passos ecoa no vazio, dando a impressão de que o próprio local está ciente da presença dos visitantes, mas permanece indiferente à sua chegada.

— Você vai entrar comigo? — Perguntou Remus.

— Sinto muito, Moony! — Respondeu o cão. — Eu não posso passar daqui.

— Essa casa é enorme. Por onde devo começar?

— Bom, desde que chegou aqui... Ele tem medo do escuro!

Remus logo entrou na casa indo em direção a única luz que estava acesa, mas ele certamente não estava preparado para o que encontrou dentro daquela sala.

Sírius, acuado em sua própria escuridão, uma figura espectral que carrega consigo o peso de anos de tormento. Seu corpo, agora magro e esquálido, parece uma sombra de sua antiga vitalidade. As roupas que veste pendem frouxas, desgastadas e empoeiradas, como se tivessem enfrentado as agruras do tempo sem qualquer cuidado ou reparo.

O cabelo que um dia foi orgulhosamente negro e sedoso agora cai em desalinho selvagem em volta de seu rosto pálido e angular. Mechões desgrenhados se estendem como teias escuras sobre sua testa e ombros, testemunhas mudas do abandono ao qual foi relegado. A falta de cuidado com a própria aparência ressoa como um eco de sua luta interior.

Seu rosto, que já foi expressivo e cheio de vida, agora está marcado por olheiras profundas que testemunham noites sem sono e dias sem descanso. Os olhos, antes cheios de um brilho travesso, perderam sua luz, tornando-se poços escuros de melancolia e resignação. A luz que costumava dançar em seus olhos agora parece apagada, perdida para um passado que o consumiu.

Caminhando com uma postura encurvada, Sírius carrega o fardo de experiências sombrias. Suas mãos, outrora ágeis e habilidosas, agora parecem trêmulas e calejadas pelo peso de escolhas difíceis. O simples ato de carregar-se parece exigir um esforço extraordinário, como se o peso do mundo estivesse sobre seus ombros.

A aura que o cerca é de desolação e solidão, uma presença que parece ter perdido a conexão com o mundo ao seu redor. Sírius Black, em sua magreza descabelada, tornou-se um retrato trágico de um passado tumultuado e de uma jornada que deixou cicatrizes visíveis e invisíveis em sua alma.

— Sírius! — Remus correu para abraçá-lo, mas foi afastado.

— Não me toque! — Sírius respondeu. — Não quero machucar você!

— Sirius, eu vim buscar você!
Sirius permanece em silêncio por um momento, seus olhos fixos em algum ponto indefinido à sua frente.

— Engraçado é que eu sempre soube que viria para cá Moony, ficar preso em um lugar escuro, um lugar onde o medo me consome.

— Você não está sozinho, Sirius. Nós estamos juntos nisso, lembra? Nossos amigos estão lá fora lutando por você!

— Mas e se eu machucar você, ou os outros? Não posso suportar a ideia de ferir aqueles que amo.

— Sirius, o amor não é uma fraqueza. É o que nos faz fortes. Eu não estou com você porque você é perfeito; estou aqui porque, mesmo em suas imperfeições, você é incrível.

—  Mas e se eu perder o controle? Se eu machucar você, como vou lidar com isso?

— Eu confio em você, Sirius. E, além disso, estamos juntos para enfrentar o que vier. Não precisa carregar esse fardo sozinho.

— Eu só tenho medo de não ser capaz de ser quem você merece, Moony.

—  Você já é tudo o que eu poderia desejar! — Remus fez uma pausa, colocou as mãos no rosto de Sírius e o obrigou a olhá-lo. — Eu te amo, Sirius. De todas as formas possíveis.

— Eu... eu também te amo, Remus.
Ao ouvir as palavras "Eu te amo, Sirius" pela primeira vez escaparem dos lábios de Remus, uma onda de emoção intensa varreu o interior de Sirius como uma tempestade repentina. Seus olhos, normalmente carregados de um peso sombrio, piscaram em surpresa antes de se encherem de uma mistura de incredulidade e esperança.

O coração de Sirius, que por tanto tempo havia sido envolto por sombras autoimpostas, começou a bater descompassado, como se estivesse redescobrindo o ritmo da alegria. Um nó apertado em seu peito começou a desfazer-se, liberando uma sensação até então desconhecida de leveza.
Os lábios de Sirius, que muitas vezes se curvavam em sorrisos irônicos ou expressões endurecidas, agora se suavizaram em um sorriso genuíno. Era como se um raio de luz tivesse rompido as nuvens escuras que o cercavam, iluminando seu mundo interior.

A vulnerabilidade do momento tocou Sirius profundamente. O medo de machucar aqueles que amava começou a ceder diante da força renovadora do amor que Remus oferecia. Era um presente precioso, um raio de sol invadindo um lugar escuro que Sirius nem mesmo percebia estar tão sedento por luz.

Uma gratidão sincera brilhava nos olhos de Sirius, enquanto ele absorvia a magnitude da confissão de Remus. Sentia-se aceito, amado apesar de suas cicatrizes internas, e uma sensação de pertencimento começava a florescer onde antes apenas o isolamento reinava.

Tudo o que Sirius queria naquele momento era abraçar Remus, unir-se a ele e selar não apenas as palavras, mas a promessa subjacente de apoio, aceitação e amor incondicional que pairava no ar. Era o começo de uma jornada, onde, pela primeira vez em muito tempo, Sirius Black se permitia acreditar que merecia ser amado.

— Estão esperando por nós lá fora! — Disse Remus. — Você sabe nos tirar daqui, não sabe?

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Na antiga e sombria mansão da família Blackthorn, o destino de Grimório foi selado antes mesmo de seu nascimento. Criada sob o peso de tradições arcaicas e expectativas implacáveis, sua vida tinha um propósito claro: servir ao Lorde das Trevas. Porém, tudo começa a ruir quando o Chapéu Seletor a envia para a Grifinória, contrariando as esperanças de sua família de vê-la na Sonserina.

Enquanto tenta equilibrar o peso de suas origens e o novo mundo que se abre diante de si, Grimório se vê envolvido em um romance inesperado com Sirius Black. Ele, o rebelde da própria linhagem, está disposto a arriscar tudo para liberta-la das amarras que a prendem. Com a ajuda de Marotos e de Lily Evans, Grimório descobre a força da amizade e a coragem de desafiar o destino.

Juntos, eles enfrentam o futuro sombrio que parece inesperado, preparados para lutar contra as trevas que ameaçam consumi-los. Em um mundo onde a magia pode ser tanto um fardo quanto uma salvação, Grimório precisará decidir até onde está disposta a ir para ser dona de sua própria história.

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