Kelvin disse não a tentativa de Ramiro fazê-lo ficar e priorizou sua carreira, tornando-se famoso a nível global, sendo contratado por uma das maiores gravadoras do mundo, 7 anos depois daquela despedida dolorida, ele está no ápice do sucesso, inace...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Kelvin estava encolhido ao lado de Ramiro que dirigia concentrado para o caminho das plantações que ele já conhecia muito bem.
Um pouco receoso, mas vendo a necessidade de confortar Kelvin ele estendeu o braço e segurou a mão de Kelvin que pulou diante do toque, Ramiro ia retirar a mão, temendo ter invadido demais o espaço pessoal dele, quando sentiu os dedos de Kelvin serem fortemente envolvidos nos seus, entrelaçando-os.
Com os olhos ainda vertendo uma profusão de lágrimas, Kelvin levou a mão calejada ao seu próprio rosto delicado, molhando os dedos de Ramiro, enlevado ele sentiu os lábios macios sendo pressionados com delicadeza nas costas de sua mão, o preto sentiu como se uma pedra de gelo descesse e estourasse em seu estômago, as borboletas dançavam no inverno, sentia muitos calafrios e arrepios pelo corpo todo, apenas pelo fato de senti-lo ali de verdade e não mais em sonho.
Ramiro cuidou de dirigir apenas com uma mão dali em diante.
Parou embaixo de uma grande árvore, Kelvin o encarava sem piscar, o medo em seus olhos era aterrorizante.
O ar parecia pesado, se fosse possível comparar a energia de Kelvin a um elemento ela seria uma tempestade.
Seu peito subia e descia em um ritmo acelerado, os olhos dourados arregalados refletindo o turbilhão de pensamentos que o consumiam. Cada batida do coração parecia ecoar em seus ouvidos, uma contagem regressiva implacável para o próximo surto de pânico, sim, Kelvin enfrentava já há alguns anos crises de ansiedade que podiam evoluir para pânico dependendo da situação de nervosismo a qual ele fosse exposto.
As bebedeiras e as drogas que os tabloides tanto adoravam explorar e noticiar tinham sido, em sua grande maioria, uma tentativa de fuga desse sentimento horroroso que o tomava de assalto.
Ramiro, percebendo a agitação familiar, porque ele também sofria desse mal, e atualmente controlava bem suas crises devido às idas regulares a psicóloga e quando necessário fazia uso de uma medicação específica para controlar os sintomas.
Aproximou-se com calma, Kelvin ainda segurava sua mão com tanta força que os nós dos dedos de Ramiro estavam esbranquiçados.
A presença de Ramiro trouxe consigo uma aura de tranquilidade, um farol de serenidade em meio à tempestade interior de Kelvin. Com um gesto suave, Ramio colocou a outra mão de maneira reconfortante no meio do tórax de Kelvin e deslizou um pouquinho até ficar em cima de seu coração que batia descontroladamente.
— Vamo acalmar esse touro bravo aí dentro, Kevinho, tô sentindo ele dando coice na minha mão aqui.
Ramiro pressionou a mão para mostrar que ele estava ali, a mão livre de Kelvin lhe espelhou o gesto, espalmando a mão pequena por dentro da camisa aberta, sentido a pela quente e o coração de Ramiro que batia numa frequência cadenciada.
— Concentra aqui no olho, Kevinho. Óia bem pra mim, percebe que cor que eles tem, olha só nos meus ôio.
Kelvin mergulhou dentro daquele olhos cor de jabuticaba, ainda sem conseguir puxar ar para os pulmões;