"Debaixo do mesmo céu
Respirando o mesmo ar
Tem dois corações com saudade, só pela metade
Querendo encaixar..."
Cenas: +18
Kelvin trocou um olhar cúmplice com Daniela, sua secretária pessoal, a moça de vinte e dois anos, é muito bonita, negra, tem olhos amendoados e uma boca carnuda que normalmente está bem pintada de vermelho e nesse momento está comprimida, o cenho franzido, as sobrancelhas curvadas, ela bufou discretamente e encarou o produtor de Kelvin com uma expressão contrariada, enquanto começou a fazer uma trança no cabelo longo e cacheado como uma forma de aliviar a tensão, e também de impedir-se de chacoalhar Frank.
— Não me olha com essa cara, Kel.
— Querido, eu falei que daria uma pausa dessa turnê. Eu entendo as multas, se tem uma coisa que você sabe que eu não sou é burro. Tudo bem, eu vou pagá-las.
— Você tem noção do prejuízo? — o tom de voz era de desespero absoluto
— Tô disposto a pagar, eu não posso voltar pra Califórnia agora, Frank. Não existe nada neste mundo que me tire daqui agora. Não posso.
— Não pode? A verdade é que você não quer. Está sendo mimado! Você vai jogar a sua carreira brilhante no lixo por causa de...
Kelvin ergueu o dedo indicador da mão direita em riste, uma expressão perigosa nos olhos dourados.
— Nem contínua. Eu deixei ele uma vez e foi a pior decisão que eu tomei em toda a minha vida.
— Ah, é? — o outro exaltou-se, as bochechas avermelhadas de raiva — Você queria continuar naquele bordel, servindo mesa até o fim da vida?
— Nem sempre felicidade é poder limpar a bunda com dólares, Frank, mas você não entenderia, né, darling? Você só sabe pensar em money.
— Kelvin, pelo amor de Deus, raciocina. — ele estava a ponto de ajoelhar-se e implorar.
— Nunca estive tão consciente. Eu vou dar essa pausa de 3 meses, remarque os shows, cancele, se vire. Se você não fizer, eu contrato outro produtor que o faça. Eu não vou largar minha carreira, eu não tô maluco, mas, neste momento eu tenho coisas pendentes para resolver, sobre as terras do meu pai e sobre mim.
— Sobre o Ramiro, você quer dizer. (ele praticamente cuspiu o nome do homem).
— Principalmente ele. O meu Ramiro! — Kelvin sequer piscou. — Se eu fosse você eu não me meteria entre nós.
— Você pode querer voltar pra ele, eu entendo, só que você logo vai perceber que são de mundos completamente diferentes. Tá vivendo uma ilusão. E vai cair em si, eu não farei nada, inclusive, eu pretendo voltar pra Califórnia em alguns dias, sei que isso vai passar.
— Olha, Frank, é o melhor que você faz. — se meteu a secretária, impaciente, pegando o tablet que estava em seu colo, abrindo a agenda — Vai pra lá e deixa o Kelvin descansar.
Frank, sequer olhou para ela, ignorando-a completamente.
— Você vai se arrepender de tentar essa aproximação, escute o que estou dizendo...
— Vou te contar uma coisa, Frank... — Kelvin, explodiu — Não existiu um maldito segundo da minha vida que eu não pensei nele desde que pus os meus olhos em cima dele pela primeira vez. Ele tá sempre comigo, entranhado em cada osso do meu corpo, em cada batida do meu coração, correndo por baixo da minha pele. Ramiro é a música que eu canto todos os dias. Eu nunca vou amar alguém na altura que eu amo o Ramiro, não existe mais a possibilidade, a partir de agora, de eu voltar a viver uma vida sem ele, já vivi isso, doeu demais, dessa vez esse homem vai ser meu, nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida.
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Nó(s)
Fiksi PenggemarKelvin disse não a tentativa de Ramiro fazê-lo ficar e priorizou sua carreira, tornando-se famoso a nível global, sendo contratado por uma das maiores gravadoras do mundo, 7 anos depois daquela despedida dolorida, ele está no ápice do sucesso, inace...
