Cap. 17 - I Wanna Be Yours

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"De qualquer forma que nossas almas sejam feitas, a dele e a minha são iguais."
(Emily Brontë)

Logo após a conversa tensa com a produtora, Kelvin dedicou tempo para uma consulta com sua psiquiatra por videochamada que residia na Califórnia, mas era brasileira, ela o acompanhava desde sua última internação na clínica de reabilitação, Doutora Andreia Nogueira, era extremamente competente e Kelvin confiava muito nela, tinha se afastado das consultas a revelia dela durante quase um ano e só retornou após o acidente, porque precisou falar sobre as medicações e também estabelecer a comunicação entre os médicos do hospital com ela.

Ele sabia que precisava conversar com Ramiro sobre a situação, e sabia que a ideia do namorado falso, embora parecesse um grande clichê de cinema, era bastante comum em seu meio e até mesmo eficaz para a chamada contenção de danos, mas se aquilo lhe custasse alto demais?

Daniela estava em contato com a equipe jurídica e tentando ver o que poderiam fazer para jogar a maior cortina de fumaça possível sobre o passado de Kelvin e principalmente de Ramiro, mas não era das tarefas mais fáceis e esse estava sendo o seu primeiro grande problema desde que assumiu o cargo de produtora chefe, em mais de um momento ela se pegou questionando "O que Frank faria?", porque apesar de não valer o pão que comia, ninguém poderia negar que ele sabia fazer seu trabalho direito, já se isso era feito de maneira honesta, era uma outra história.

A noite caiu pesada.

Ramiro estava trabalhando em uma fazenda longe do centro de Campo Grande e manteve contato com Kelvin por mensagem por algum tempo e chegou a avisar que iria pra casa e depois faria o esquema com a segurança para entrar no hotel sem ser visto.

A imprensa já tinha deixado a frente da casa de Ramiro, ao constatar que Kelvin estava no hotel, então isso já era um grande alívio.

Kelvin o esperou com aflição, roeu todas as unhas das mãos, tomou três remédios e depois mais dois, iria puxar de novo a cartela quando ouviu a maçaneta do quarto girando, ágil, ele jogou a embalagem de remédio dentro da mala aberta num canto do quarto.

Ramiro vestia uma calça jeans surrada e uma regata branca.

— Eu pensei que você não vinha mais, meu amor. — reclamou, Kelvin, com um biquinho.

— Tive um dia de cão hoje, Kevinho, além do trabalho ainda tive que lidar com gente tirando foto do nada de mim. Eu ganhei mais de 100 mil seguidores no Instagram, começou chegar tanta notificação no meu celular que eu desliguei.

— Por isso não me respondeu as últimas mensagens? — ele assentiu com a cabeça — Eu já tava preocupado.

Ramiro sentou-se na espaçosa cama, estava claramente abatido, tinha até um pouco de olheiras e Kelvin sentiu-se culpado.

O cantor não pôde evitar reparar que ele não lhe dera sequer uma beijo no rosto, ele estava sendo frio, é preciso que se veja essa cena pelo olhos traumatizados de Kelvin, ele tinha essa memória do passado distante e não gostava da sensação de voltar a sentir isso na pele, a rejeição de Ramiro sempre foi uma de suas maiores chagas abertas, o tipo de coisa que deixa cicatriz visível.

— Precisamos conversar, Rams.

Ramiro apenas o encarou, os olhos entregavam todo o amor e a saudade, sim, saudade, ele passou algumas horas afastado de Kelvin, mas ansiava por ele nos braços e porque ele estava ao seu alcance, apenas alguns passos, ele esticou as duas mãos e abriu a perna.

Kelvin deixou os ombros caírem, arqueou as sobrancelhas rendido, sentou-se na perna direita dele de lado e abraçou-o pelo pescoço, sentindo-o enrolar os braços fortes ao seu redor.

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