Cap. 16 - Teto de vidro

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N/A: Alerta de gatilho: teremos uma conversa do Kelvin com a mãe que abordará sobre o abuso que ele sofreu, sofre violência verbal e física, assim como a dependência emocional dela, é uma cena rápida e eu não aprofundei nenhuma descrição, tentei fazer ela breve para não pesar, porque não é minha intenção, mas era necessária para começar a alinhar as coisas entre os dois, quem for sensível, fique avisado.

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A madrugada estava silenciosa, exceto pelo som das cigarras que preenchia o ar. Kelvin dormia agitado no quarto de Ramiro que estava encolhido ao seu lado, com os lençóis jogados emaranhados em suas pernas.

O rosto do cantor estava úmido de suor, a respiração pesada e irregular, como se lutasse contra algo invisível.

No sonho, ele estava de volta ao avião.

O som ensurdecedor do motor falhando fazia seu coração disparar, e o grito dos outros se misturava ao aviso desesperado do piloto. De repente, tudo se inclinava para o lado e depois pra frente, num mergulho e ele sentia o mundo girar.

A sensação de queda era tão real que Kelvin sentia o estômago subir à garganta.

O impacto vinha como uma explosão: a fuselagem sendo engolida pelo mar, os gritos se transformando em silêncio enquanto a água gelada invadia tudo.

Kelvin lutava para respirar, os músculos do corpo quase que instantaneamente entrando em choque, ficando congelados pelo frio cortante. O sal queimava seus olhos, e ele tentava nadar, mas cada movimento era pesado, como se o mar quisesse puxá-lo para o fundo.

Ele gritava, mas sua voz era engolida pela vastidão azul. As ondas o engolfavam, e tudo o que ele sentia era o peso do desespero e o frio que parecia partir seu corpo ao meio.

O seu maior medo se materializou neste pesadelo, ele sentia seu corpo sendo puxado para as profundezas abissais, ele estava sendo engolido pela água.

— KEVINHO, ACORDA, PELO AMOR DE DEUS!

Ele acordou com um sobressalto, o corpo tenso como uma corda esticada. O quarto estava escuro, mas ele podia sentir os braços de Ramiro o abraçando com força.

— Foi outro pesadelo?

Kelvin respirava com dificuldade, a camisa encharcada de suor. Ele assentiu, mas as palavras não saíam. O olhar perdido dele deixou claro que ainda estava preso nas memórias do acidente.

Os pesadelos eram constantes e pareciam apenas piorar a cada noite, Kelvin que tinha problemas para dormir, agora tinha verdadeiro pavor de realmente adormecer, e ele vinha tomando mais remédios para insônia escondido de Ramiro, o que talvez estivesse complicando mais ainda a situação.

— Cê tá gelado, meu amô! — disse, passando a mão pela testa de Kelvin. — Vem comigo.

Ramiro o ajudou a sair da cama, firme, mas gentil, enquanto Kelvin tropeçava de leve, ainda abalado, sentindo isso, ergueu-o nos braços, e Kelvin encaixou o nariz em seu pescoço, buscando puxar seu cheiro para os pulmões, porque aquilo o acalmava.

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