Cap. 18 - Uma Certeza

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Bêbado de amor e nunca estamos sóbrios

Love drunk and we're never sober

Se eu morrer hoje à noite, morrerei feliz

If I die tonight, then I'll die happily

Com suas mãos em mim

With your hands on me

E se eu pedir uma gota de chuva

And if I ask for one drop of rain

Eu sei que você trará um oceano

I know you'll bring an ocean

Quando eu juro cegamente que não poderia te amar mais

When I swear blind that I couldn't love you more

(Não poderia te amar mais)

(Couldn't love you more)

Toda noite eu alcanço novos patamares como nunca nos alcançamos antes

Every night I hit new heights like we never touched before

Mas eu realmente não me importo, eu acho que é meio bonito (bonito)

But I don't really mind, I think it's kind of beautiful (beautiful)...

Música: Wrong (Omar Rudberg) * link para a música/vídeo na capa do capítulo*

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A porta da joalheria fez um leve tilintar quando Ramiro entrou. Um som pequeno, de sino velho, desses que anunciam não apenas uma entrada, mas o início de algo que talvez não possa mais ser desfeito.

Era uma loja discreta, acolhida entre outras vitrines modernas e impessoais, mas que guardava dentro de si o tempo de um outro mundo.
O chão de madeira rangia com memórias, e o ar cheirava a polimento, seda antiga e decisões eternas.

Havia silêncio ali dentro, não aquele silêncio constrangido dos lugares de luxo, mas um silêncio acolhedor, quase maternal — como o de uma casa de avó onde o amor mora sem alarde.

A mulher que o atendeu tinha rugas amenas e olhos que haviam aprendido a decifrar histórias antes mesmo que elas fossem contadas.
Seu sorriso não era de vendedora. Era o sorriso de quem vê florescer diante dos olhos um amor raro.

— Posso te ajudar? — perguntou ela, sem pressa.

Ramiro hesitou. O coração, que já vinha denso desde o elevador, pareceu se expandir ainda mais no peito.
O ar tinha outra gravidade ali dentro.

— Quero ver alianças — disse. E depois, mais baixo, como quem revela um segredo: — De noivado.

A palavra "noivado" pousou no ar como um pássaro tímido.
Mas a mulher apenas assentiu, sem surpresa, como se tivesse esperado a vida inteira por esse momento.

— Temos peças delicadas! — disse — Algumas não falam de luxo, mas falam de eternidade.

E então começaram.

A mulher trouxe pequenas caixas.
Uma a uma, colocou-as sobre o veludo azul-marinho do balcão, como se montasse um altar de possibilidades.

Ramiro olhava.
Cada anel parecia carregar uma narrativa.
Alguns ostentavam brilho demais — e ele logo desviava o olhar.
Outros eram tão simples que pareciam querer passar invisíveis pela vida.

Mas, então...
Duas alianças.

Não diziam "olhem para nós".
Elas apenas estavam ali. Respirando juntas.

Nó(s)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora