Cap. 15 - Namorado do Ramiro

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"Amar é ser consciente
da nossa própria loucura,
é quando a gente se junta
formando uma só mistura,
de igualdade e diferença.
Se o amor fosse doença
seria dessas sem cura..."

(Bráulio Bessa)

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Eles estavam dentro de um avião comercial da America Airlines, Daniela tinha cuidado de fechar a primeira classe inteira, apenas para Kelvin e Ramiro, a assessoria e segurança, ficariam na Executiva.

Kelvin olhava para Ramiro com os olhos arregalados, as mãos agarradas no braço de Ramiro com tanta força que chegava a machucar. As poltronas grandes da primeira classe, eram praticamente camas, era tudo realmente muito chique, e Ramiro se esticava, para segurar Kelvin.

Ramiro o segurou dentro de seus braços enquanto a aeronave levantava voo, Kelvin grudado nele com o rosto afundado em seu pescoço, a respiração descontrolada, enquanto Ramiro lhe sussurrava palavras doces no ouvido e lhe dava beijinhos na cabeça, nas têmporas e bochechas.

Quando o avião planou e começou a inexoravelmente seguir seu rumo de viagem, Ramiro, falou baixinho pra Kelvin:

— Senta aqui. — bateu em suas coxas — Agarra ni'mim, que nem um coalinha. Vem, meu anjo!

Era tudo o que Kelvin mais queria, ele e Ramiro tinham essa conexão telepática, o preto sabia o que o acalmava e estar em contato direto com o corpo de Ramiro era sem dúvida o lugar mais seguro que Kelvin poderia desejar naquele momento.

Soltou o cinto que parecia mais machucar do que proteger e sentou em Ramiro, uma perna em cada lado de seu corpo, debruçando-se em seu peito, enterrando o rosto na curva preferida do seu pescoço, aspirando fundo, enterrando as unhas em Ramiro, flexionando as coxas com forças em seus quadris.

Isso tudo era sobre amor,

AMOR.

Carinho profundo, afeto em forma de gesto.

Ramiro lhe deu em troca o abraço apertado enterrando suas unhas na cintura fina.

— Respira, amorzinho, respira.

— Tô tentando, Rams... — o coração de Kelvin era com um tambor africano batendo contra o peito de Ramiro, ele suava frio.

— Olha pra mim, Kevinho!

Kelvin mergulhou suas órbitas douradas do mais puro mel nas pupilas escuras que às vezes iam pro tom de jabuticaba, mas às vezes como agora, pareciam quentes como a cor de um café forte desses de uma casa mineira que aquecem a alma, assim era Ramiro, quente, aconchegante, o seu lar.

— Me beija, esquece que a gente tá nesse avião. Hum? — persuasivo, ele roçou os narizes e depois esfregou os lábios sem beijar.

A respiração de Kelvin começou a falhar, mas já não era mais de medo, os olhos dourados alternavam entre os olhos e os lábios do homem ao qual ele estava fortemente agarrado.

Ramiro colocou a ponta da língua para fora e lambeu os lábios de Kelvin, uma, duas, três vezes, ele sorriu ao ouvir Kelvin suspirar alto, enquanto sem resistir, num impulso incontrolável, o menor pressionou a boca contra dele, num selinho forte e cheio de vontade.

Ramiro começou a fazer movimentos circulares em suas costas, devagar enfiou as mãos por baixo da blusa inesperadamente larga que Kelvin vestia hoje, passou a arranhar de leve, arrepiando-o.

— Desse jeito a gente vai... — Kelvin foi interrompido pelo beijo afoito que Ramiro lhe deu, a língua entrando em sua boca quente e molhada, varrendo qualquer pensamento ou medo de sua cabeça.

Nó(s)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora