Capítulo 19

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Você ainda é um leitor de mentes? Um ladrão de cena nato?Ouvi coisas ótimas, Peter, mas a vida sempre foi mais fácil para vocêDo que para mimE às vezes isso me atinge ao cruzar sua corrente de ar

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Você ainda é um leitor de mentes? Um ladrão de cena nato?
Ouvi coisas ótimas, Peter, mas a vida sempre foi mais fácil para você
Do que para mim
E às vezes isso me atinge ao cruzar sua corrente de ar

Peter





Ela tinha lido sobre a terra do nunca durante a infância, e agora compreendia porque Charles lhe deu tantos clássicos. Ainda que fossem em sua maioria histórias sem finais alegres ou românticos, havia a amargura do dever cumprido contra as trevas, mas principalmente, a dura realidade que muitos ignoravam para o bem próprio.

Sem que notasse ergueu uma fortaleza de belas formas, ao redor de um mundo corrompido, plantando flores que curavam onde doía. As cores chegavam até a tela em branco que mantinha intacta, dando emoção no vazio. A luz raramente deixava aquela fortaleza, porém o verdadeiro cego era Charles, porque não compreendia o tesouro que possuía na palma da mão, então enxergava as poucas trevas ainda existentes, por outro lado, Jude estivera tempo o suficiente no escuro para conseguir seguir todos os rastros dourados deixado pelo Sol.

Aquela era a ponta da rachadura que existia entre eles. A responsável pela queda livre que o esperavam.

Charles encontrava motivos para criar seu templo de adoração, porque a comparava com um ser devastador que trouxe a terrível estação que atormentava os menos favorecidos. O inverno um dia tomaria tudo, porque Judith merecia governar o mundo dos vivos e despertar os mortos do sono eterno. Ela fora escolhida para assistir a perda da irmã e ser vingada pela negligencia dos pais. Havia doçura em sua história amarga, assim como era possível sentir as mentiras transbordar em verdade e arrependimento.

Jude não o enxergava como um total monstro, porque ele era a mesma pessoa que deu inicio a um mundo próprio, comparando-se a um imperador, ou algo maior. Charles era algo menos perigoso, com senso de justiça, medo e humanidade disfarçada com imortalidade. Sua versão infantil foi amarrada no pé de uma sombra traiçoeira. Ele era Peter Pan viajando pelo mundo inteiro com suas travessuras, perdendo os garotos perdidos e rodeado de sereias que matariam Wendy com uma faca afiada.

Ela nascera para ser uma deusa, mas aqueles eram os pensamentos de Charles, pois Jude não se via tão longe da realidade. Seus pés foram pregados no chão para que não voasse tão longe na noite estrelada. Não existia nada de extraordinário na mulher que ele jurava não amar. Sem dons ou talentos.

Ele só pensava na morte. No depois. Em qual cova o deixariam. Sepultura funda ou rasa. Charles queria conhecer sua lápide antes dos convidados. Ele dormia pensando no fim. Ela não queria ir tão longe, então seus pensamentos a levavam até a ideia do dia seguinte, pois estaria longe se conseguisse sobreviver até a próxima respiração.

Anti-Hero ✔Histórias para pegar e não largar. Descubra agora