Capítulo 27

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Nós fomos feitos um para o outroPara ficarmos juntos para sempreEu sei que fomosSim, simEu só quero que você saibaEm tudo o que eu faço, me entrego de corpo e almaMal posso respirar, eu preciso senti-lo aqui comigo

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Nós fomos feitos um para o outro
Para ficarmos juntos para sempre
Eu sei que fomos
Sim, sim
Eu só quero que você saiba
Em tudo o que eu faço, me entrego de corpo e alma
Mal posso respirar, eu preciso senti-lo aqui comigo

When you're gone




— Charles.

— Pai?

A neblina dissipou com a brisa gentil. O sol encontrou seu caminho na turva paisagem, iluminando o tom verde da grama fresca, dando vida às altas árvores e aquecendo as delicadas asas das borboletas. Os pássaros estavam muito perto de Charles, cantarolando uma canção que ele conhecia porque um dia as recriou em suas partituras.

Os olhos verdes piscaram admirados com o homem a sua frente. O homem se abaixou para que estivesse na altura do filho, sorrindo gentilmente como se houvesse algo para se orgulhar.

— Não pode correr sem olhar para o chão. – repreendeu com carinho – Vou buscar algo para o seu joelho.

Charles não conseguiu responde-lo.

Se fosse um sonho ele teria se levantado, porque não aceitava homens que caiam facilmente. No entanto, permaneceu sentado da maneira como estava, olhando para o joelho sujo cheio de sangue. Ardia bastante. A cada movimento repuxava a pele ferida, aumentando a ardência.

Um par de tênis branco parou perto do monegasco, e ele ergueu o olhar encontrando o rosto de Pierre. Eles tinham o mesmo corte de cabelo, em tigelinha. Não havia sido proposital. Tonio brincava dizendo que dividiam o mesmo neurônio questionável. Charles sabia muito pouco sobre neurônios compartilhados, e Pierre menos ainda.

— Que nojo! – Pierre abaixou para olhar melhor o joelho do amigo – Não cheira bem.

— Mentira, cheira sim.

— É nojento!

Charles passou a ponta do dedo no sangue e cheirou, enrugando o nariz. Limpou no short azul marinho.

— Eca! – Pierre exclamou chocado com a atitude do melhor amigo – É mais nojento que remela.

— Não mais que garotas.

— Garotas são nojentas!

O francês sentou ao lado do melhor amigo, esticando a perna igual a ele.

A vida era fácil em pequenas festas infantis. Cheirava a inocência e felicidade genuína. Onde os balões voavam de seus dedos para chegar ao céu azul e o pedaço de bolo era o suficiente para um ano inteiro. A correria nunca acabava, ela vinha acompanhada por gritos, risadas altas, e empurrões gentis. Os enfeites no centro da mesa eram todos impressionantes porque brilhavam na pouca luz, e as flores pareciam ter vindo diretamente da primavera. A torre de presentes era quase assustadora na mesa ao lado.

Anti-Hero ✔Histórias para pegar e não largar. Descubra agora