— Câncer, Mia, porra, o pai dele tem câncer? — Seguro ela contra a parede. — Porque você não me contou? Deixava eu implicar com ele esse tempo todo...
— A culpa é sua, não minha, está te corroendo né? Isso é ótimo, é pouco comparado ao que você fez com ele. — Ela continuava lixando suas unhas.
— Mia, eu sinto um incômodo perto dele, não era por maldade.
— E eu com isso Dick? Você e seus sentimentos mal resolvidos? Acorda, quem não tem? Sabe quantos dias ele teve que fazer hora extra, quebrando algumas regras do contrato, só para não deixar faltar pro medicamento e pras coisas que você estragava?
— Não faço ideia... — Engulo seco. — Eu sinto um calor perto dele, você já viu ele dormindo? É estranho, mas minha camisa ficou perfeita nele.
— Caralho! Puta merda! Você fez tudo isso porque gosta dele? — Ela para de lixar as unhas e me encara com um enorme sorriso.
— Eu não gosto dele.
— Não gosta é? Dick Santiago é gay! Isso vale apena contar.
— Eu não gosto dele. — "Eu gosto dele?" — Só me senti mal...
— E porque é importante para você? Me convença.
— Minha mãe perdeu o pai dela para essas doenças... Fiquei sentido, eu pude ver o tanto que ela lutou, imagino o que ele deve estar passando.
— Você e seu passado tristes, por isso merece o perdão dele? — Ela cruza os braços, revirando os olhos.
— Eu dei meus livros para ele, aqueles que eu danifiquei. — Disse sem jeito.
— Qual a chance de você gostar do meu amigo? Você sabe que não aprovo essa relação. — Ela me encara. — Meu querido, você tem um baita dilema para resolver dentro da sua cabecinha, boa sorte.
Fico em silêncio, confesso que depois de ontem a noite, vê-lo fora da escola, ver como ele realmente é, isso me despertou algo que nunca senti.
— Somos apenas amigos.
— Ele sabe disso? — Ela solta mais rápido que tudo.
— Ei! Devolve minha bolsa por favor. — Uma voz familiar interrompe nossa conversa.
— Isso é ele gritando? — Corro com a Mia até o pátio.
— Caleb! Devolve. — Me aproximo empurrando ele.
— Qual foi? Vai defender o viadinho agora Dick? Todo mundo sabe que você foi o que mais fudeu com ele esse ano todo e nem foi do jeito que ele gosta. — Caleb joga a bolsa no chão perto dos meus pés.
— Ele está me ajudando para não sair do time.
— Ótimo, agora ele é o seu namorado. — Dou um soco em seu rosto, fazendo ele cair no chão, ele fica surpreso me encarando por um tempo.
— Santiago! — O treinador grita. — pra minha sala.
[...]
"— Mesmo que esteja defendendo o Lorenzo, como afirma, as coisas no time não se resolvem assim, está expulso do próximo jogo"
Isso acabou comigo, quando eu faço algo certo sou expulso do jogo. Corro até Lorenzo que estava indo para a sala.
— Fui expulso do jogo, porque defendi você, feliz agora caralho? — O empurro na parede fazendo ele se encolher, isso acaba me despertando um gatilho em mim, o encaro percebendo o que fiz. — Desculpa Lorenzo, foi na hora da raiva...
— Tudo bem, eu já estou acostumado...
— Mas não deveria, desculpa.
— Você vai se atrasar, vem. — Ele segura a porta da sala para eu passar.
— O sinal já tocou. — A professora olhava por cima de seu óculos.
— Desculpa professora, o treinador me chamou para confirmar uma história do Dick. — Ele inventou uma desculpa rápido.
— E o senhor Dick, aqui na frente. — Ela apontou para uma cadeira perto do meu peque... Perto do Lorenzo. — Você já sabe sua situação.
— Sim senhora.
[...]
Ouvir os meninos falarem mal dele, estava me incomodando, era algo diferente de antes, ele também tinha qualidades, apensar de ser todo retraído...
Se prestasse com atenção, dava para ver generosidade em seus olhos, ele também ajudava todos da sala que pediam a sua ajuda, até mesmo os tapados que te faziam mal.
Tratavam bem as moças da cantina e percebi que ele é o último a voltar para a sala porque faz parte do grupo de alunos que ajuda a organizar as mesas do refeitório.
Ele não se envolvia em nenhuma atividade Extracurricular e usava as duchas do banheiro para sair com o uniforme da loja, que me parecia bem familiar.
Hoje posso afirmar que ele era melhor que qualquer um que esses idiotas do basquete.
— Dick, fora da quadra. — O treinador apita e eu corro pro vestiário, minha cabeça está longe, por um lado essa briga valeu apena.
Mia estava na aula de música, junto com seu irmão, Jackson estava na quadra, em lembrar que eu vi esse garoto usando aparelho e com um topete horrível, e hoje está ganhando de mim no basquete.
Jackson era meu melhor amigo desde do pré, apesar de ser um ótimo jogador, nunca se envolvia nas covardias do time, era um líder exemplar, totalmente o oposto do que vemos.
Aceno pra ele, dizendo que estou indo pra casa, nossos treinos de cestas ficariam pra outro dia.
Vejo Lorenzo andando na rua carregando sua mochila e com o uniforme, se tratava de uma cafeteira próximo à escola, agora entendo porque ele não quis me dizer, com certeza o time iria.
Implicar com ele era nossa atividade Extracurricular, mas acho que sei um jeito de protegê-lo e nem entendo o porquê necessito fazer isso.
Chat on
> Usou os livros novos?
< Irei te devolver e como você conseguiu meu número?
> Peguei em quanto você dormia e eu insisto, pode ficar com os meus livros e qualquer um que precisar, pode me pedir.
< Porque isso agora em? Eu tenho que ir.
> Bom trabalho.
< Trabalho? Como você sabe? Esquece...
Chat off
Acho que era pra ser realmente um segredo em...
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Segunda Chances - Romance Gay
RomansaDepois de anos sendo atormentado por Dick, Lorenzo finalmente vê uma reviravolta quando Dick confessa seus sentimentos. No entanto, um novo aluno, Marcos, entra em cena e começa a conquistar o coração de Lorenzo com sua gentileza e compreensão. Divi...
