Andrew POV
Após Benjamin ter saído, parei para ver na tevê meia hora de um vídeo ensinando a fazer cupcakes de chocolate. Estava planejando em fazê-los com Karen e Hunter, ambos meus colegas de sala, para uma surpresa a nossa professora de Artes em seu aniversário. Ela era a única professora que conseguiu conquistar quase que a escola inteira, especialmente a nós três. Entretanto, Hunter não deu sinal de vida há dois dias, então, eu e Karen nos encarregamos de fazer eles até a próxima semana.
Papai, nem um pouco discreto, também assistiu ao vídeo atentamente enquanto escrevia algo em seu notebook na mesa de jantar.
— Outra receita, Andrew? Só não tente fazer sozinho de novo, já que da última vez você quase colocou fogo na casa — papai comentou.
No sofá, virei-me para trás e disse:
— Eu vou pedir pro Benjamin me ajudar, afinal ele é bom em alguma coisa, tipo, cozinhar... — ponderei por um tempo. — Na verdade, a única coisa que ele sabe fazer são brownies.
— Não vejo problema. Benjamin tem mais experiência que você, então vai ser seguro pra todo mundo — papai zombou.
— Então não confia no meu potencial? O que tem a dizer sobre a lasanha que fiz semana passada? Sei que adorou — guinchei.
— Mas o Benjamin te ajudou.
— Ele só fez o recheio, que inclusive ficou muito salgado. Fui eu que montei e coloquei no forno.
— Tudo bem, você venceu. Vou admitir que sua lasanha ficou perfeita — papai confessou, ainda que eu não tivesse certeza se ele estava apenas ironizando.
— Obrigado — agradeci, por fim.
Me voltei para a tevê e percebi que o vídeo estava quase no fim, a moça falava muitas coisas que eu não queria me esforçar para entender, então desliguei o aparelho.
Antes de eu pensar em que eu poderia fazer em seguida, me veio uma lembrança repentina, chegando como um meteoro. Me levantei do sofá num salto, ficando de pé.
Aquela caixa do Benjamin. Imaginei, e isso me trouxe ânsia.
Já que ele não está em casa, eu poderia... Não, acho que não seria uma boa ideia, ele vai me matar se descobrir.
Especulei, os braços cruzados.
Ignorando as futuras consequências, corri para o andar de cima. Me esforcei para não chamar atenção do papai com meus passos fortes e ligeiros. Rapidamente, cheguei ao quarto de Benjamin, então entrei devagar, em seguida fechando a porta silenciosamente. Por algum motivo garanti ser tão veloz que seria impossível para alguém me descobrir. Ajoelhei e olhei por debaixo da cama, era o local mais provável. Atentamente, olhei para cada canto tentado encontrar algum vestígio da caixa, cuja eu não teria certeza de como ela era.
Após remexer em algumas tralhas que estavam lá embaixo, algo me chamou atenção, uma caixa vermelha quadrada e felpuda. Era ela, tinha que ser.
Arranquei-a para fora e a coloquei sob minhas pernas. De início, senti uma grande quantidade de arrependimento, pois se eu a abrisse, provavelmente estaria violando uma das normas mais claras entre mim e Benjamin: nossa privacidade. Mas fazer isso não seria um ato tão babaca, ou seria? Obviamente sim.
Eu sou tão idiota.
Retirei a tampa retangular lentamente, com uma sensação um pouco ruim, tão desagradável que aos poucos me fez parar, entretanto, a grande quantidade de perfume que escapava do interior me trouxe ainda mais ânsia. Então, a abri. Lá dentro haviam um total de quatro cartas, todas contendo endereço e corações desenhados a caneta no meio juntamente a um nome.
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As Cartas de Benjamin
RomanceBenjamin tem o costume de escrever cartas de amor secretas para seus crushs, as guardando em uma caixa vermelha embaixo de sua cama. Em especial, quatro garotos, os quais ele teria o sonho de ter qualquer um deles como namorado, embora sequer notass...
