A noite passou rapidamente. Nós quatro, incluindo Andrew, nos reunimos no meu quarto para jogar Minecraft em quatro telas. Para ser sincero, foi uma noite divertida, e eu realmente tirei proveito da companhia deles.
Enquanto jogávamos, a atmosfera foi ficando cada vez mais leve, e por alguns momentos, consegui deixar de lado todas as preocupações que me atormentavam. O brilho das telas refletia nos rostos concentrados de Robbie, Makena, e Andrew, e as risadas preenchiam o quarto a cada momento em que um de nós cometia um erro ou fazia algo inesperado no jogo.
Mesmo com tudo que estava acontecendo, ali, naquela pequena bolha de tranquilidade, eu me sentia seguro. A familiaridade do meu quarto, o conforto das companhias, e a simplicidade de apenas jogar juntos eram como um bálsamo para os sentimentos tumultuados que haviam dominado meu dia. Robbie e Makena faziam piadas, e Andrew, sendo o irmão que sempre adorou uma competição, tentava de todas as formas vencer nas construções mais criativas.
Quando finalmente nos despedimos e cada um foi para casa, me joguei sobre minha cama, ainda sentindo o eco das risadas e da companhia deles. Eu sabia que as coisas não estavam resolvidas, mas naquele momento, estava tudo bem, eu acho.
Senti meu rosto desabar um pouco quando decidi examinar o ambiente em volta, vi minha caixa vermelha cintilante sobre a escrivaninha. Uma onda grande de mistério parecia exalar dela, um mormaço soturno era nítido acima, o qual pairava o tempo todo. Ela estava no canto um pouco atrás de meu notebook, os pôsters atrás que atravancavam a parede ainda tirava um pouco da atenção que ela costumava chamar. A tampa encontrava-se levemente empoeirada.
Ao observá-la, o rosto de Blake, pela milésima vez, surgiu em minha mente num flash instantâneo. Sacudi a cabeça, os olhos fortemente fechados. Depois dessa técnica, parecia ter se dissipado, mas ainda senti uma angústia e uma pequena fração de temor sobre o dia seguinte.
Será que eu deveria aparecer na escola amanhã? Blake com certeza iria falar comigo sobre o que vi ontem, ele correu atrás de mim. Talvez, faltar um dia não me prejudicaria tanto. Preciso esfriar a cabeça.
Então, me levantei da cama, indo em direção ao banheiro para fazer minha últimas necessidades do dia.
TERÇA-FEIRA
Escutei a porta rangente do meu quarto abrir, acho que era o papai. — Já são oito horas da manhã, Benjamin. Vai se atrasar pra aula.
— Posso ficar em casa hoje? — murmurei por debaixo da coberta.
— Aconteceu alguma coisa? Tá doente?
— Só... dor de cabeça.
— Tudo bem. Posso deixar o Andrew na escola. Qualquer coisa me liga, tá bom?
— Pode deixar. Tenha um bom dia, papai.
— Até mais tarde. E toma um remédio quando levantar.
Papai fechou a porta suavemente após se despedir, deixando o quarto em um silêncio acolhedor. Eu continuei debaixo das cobertas, e a dor de cabeça era apenas uma desculpa, claro; o verdadeiro peso vinha dos meus pensamentos, que não paravam de girar, repetindo os acontecimentos dos últimos dias como um filme imparável. E aquela lembrança traumatizante voltava o tempo inteiro, incansavelmente, o suficiente para me fazer reviver todas as sensações. Apertei o travesseiro em volta da minha cabeça pela milésima vez, implorando para amover as lembranças.
QUARTA-FEIRA
Blake❤️: E aí, Ben. Você faltou ontem e hoje, o que aconteceu? Preciso falar com você, quero que seja pessoalmente. Vai amanhã?
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As Cartas de Benjamin
RomanceBenjamin tem o costume de escrever cartas de amor secretas para seus crushs, as guardando em uma caixa vermelha embaixo de sua cama. Em especial, quatro garotos, os quais ele teria o sonho de ter qualquer um deles como namorado, embora sequer notass...
