5. Sonho ou Pesadelo?

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— Benjamin? O que tá acontecendo? — escutei a voz chorosa de Robbie aproximando-se de mim.

Aspirei uma grande quantidade de ar, meu peito ainda pesava um pouco.

— Só quero ir pra casa — choraminguei, meu rosto pegajento por conta das lágrimas agora secas. Logo, Robbie e Makena sentaram em uma das cadeiras em ambos os meus lados.

Essa festa se transformou em um evento traumático, e eu sabia que, em algum momento, mesmo que ocorresse algo insignificante e esquecível, eu me arrependeria de ter vindo. E realmente, estava profundamente arrependido, talvez até demais. No entanto, também senti algo bom. Enquanto tentava me acalmar, pensei nos poucos minutos que passei com Blake e em nossas breves, mas significativas interações. Imaginei também os possíveis momentos que poderíamos ter juntos, com base na sua determinação em restabelecer nossa amizade. Finalmente, consegui me acalmar, e felizmente, levou apenas alguns minutos para eu voltar ao meu estado normal.

Makena passou sua mão em minhas costas delicadamente.

— Podemos voltar de Uber. Ou o Jordan pode vir buscar a gente, quer ligar pra ele? — Makena indicou.

— Eu deixo vocês. Como você tá, Benjamin?

Era a voz solene de Blake, e então me virei para trás. Ele estava com as mãos socadas dentro de seus bolsos e vinha se aproximando vagarosamente da gente. Ele parecia preocupado.

— Eu tô melhor — sorri com os lábios, finalmente tendo certeza do meu real estado. Eu estava inteiramente bem, um dos motivos foi sua presença estonteante. — Mas tudo bem se voltarmos de Uber, você ainda pode ficar por aqui e curtir a festa.

— Na verdade não quero ficar mais, o clima pesou muito por aqui. Posso aproveitar e levar vocês.

Suspirei. Será que o peso que ele afirma sentir é por minha culpa? Não estou acostumado a causar esse tipo de impressão; geralmente, quando estou envolvido, é o contrário.

Nós três aceitamos a proposta e, em seguida, retornamos com ele. Blake sugeriu que saíssemos pela lateral da casa para que fosse mais tranquilo para todos nós; longe de olhos inquisitivos.

A volta sempre me pareceu mais curta que a ida, poderia jurar que haviam se passado minutos a menos comparado a nosso viagem anterior. Estranhamente, Blake conversou bastante com os dois no banco de trás, falaram incansavelmente sobre assuntos paralelos envolvendo a escola e alguns professores. Não entrei na conversa em momento algum, o ocorrido ainda capturava minha imaginação como um filme, mais aterrorizante que os filmes de terror que eu amava maratonar com Andrew. E se Scarlett contar pra ele? Imaginei, pela milésima vez. Fiquei tão amedrontado que sequer tive a vontade de fingir estar rindo junto com eles, olhando fixamente para a janela a fora, em silêncio.

Quando chegamos em casa, Makena e Robbie desceram primeiro, os três se despediram um do outro enquanto eu ainda me encontrava vidrado na janela até olhar para a varanda da minha casa. Logo dei um pequeno salto para a realidade e me preparei para descer, e então, de rompante, Blake colocou sua mão sobre meu ombro e disse:

— Posso falar com você? Vai ser rápido — ele falou com uma voz suave, seu rosto velado pela fraca iluminação, mas seus olhos castanho-claros hipnotizantes ainda se destacavam como orbes encantadas. Com toda a sua presença magnética, não havia chances de eu me despedir e recusar seu pedido.

— Ok — concordei, mesmo que em desespero. Meu coração acelerou e me peguei pensando nas mesmas coisas novamente. Será que ele vai me perguntar sobre isso? Essa dúvida me atormentava. Cada pensamento que eu tivera parecia ecoar ao nosso redor, carregada de um peso invisível.

As Cartas de BenjaminHistórias para pegar e não largar. Descubra agora