V

186 16 15
                                        

Eu não poderia crer no que estava acontecendo, eu fiquei parada no tempo e resolveram esconder isso de mim? Por quê?

As palavras de Thaísa ainda não faziam sentido para mim, eu ainda não acreditava que perdi a chance de ainda ver meu pai vivo, perdi a chance de me despedir mesmo tendo tempo... Em um mês ninguém se dispôs a me contar o mínimo: a verdade.

Acordei com uma forte luz tão forte que doía meus olhos e minha visão turva deixava tudo ainda pior, ouvi a voz de Thaísa ao telefone, mas não compreendia com quem ou sobre o quê falava

- Eu não ligo, ela é o menor dos meus problemas... Sim?... Você acha justo? Eu só estava esperando que ela saísse daquela casa para que eu desse início nessa conversa... Ela está acordando. – Sua mão tocou em meu antebraço e acariciou ali – Ei... Como se sente? – Ela perguntou enquanto eu tentava abrir meus olhos

- Minha cabeça dói... Onde eu estou? – Perguntei olhando em volta, mesmo com dificuldade, era notável que já não estava em minha casa. Senti uma leve pontada em meu braço e ao olhar, notei que havia um acesso em minha veia. – Estamos em um hospital? Eu não posso ficar aqui... Eu preciso sair... – Disse tentando levantar mas não conseguia devido a falta de forças

- Não Pri, fica calma, você só está se recuperando e assim que terminar o medicamento vamos pra casa, ok? – Thaisa disse me acalmando e apesar de discordar, cedi a sua insistência.

- Eu... Eu preciso avisar minha mãe... – Disse ainda com a voz embargada

- Acho melhor não... Ela não vai ficar gostando que você está sabendo de parte da história...

- Ainda tem mais do que isso? – Disse apreensiva

- Priscila! – Ouvi a voz de minha mãe à porta do quarto

- Falando no diabo... – Thaisa disse baixinho – Como que você chegou aqui? – Disse olhando agora para minha mãe

- Mãe... Oi – disse observando ela se aproximar

- Achou mesmo que conseguiria esconder de mim que minha filha passou mal? Quem você acha que é? - Disse olhando para Thaísa

- Eu sou a melhor amiga dela, que faz muito mais do que você

- Gente... Aqui não é um campo de guerra pra vocês se matarem! – Disse elevando a voz – Está tudo bem mãe, foi só um mal estar

- Priscila? – Uma médica adentrou o ambiente – Que bom que já está acordada... – Ela se aproximou e sorrindo observou o medicamento que por sinal, já estava acabando – Então, agora que você está acordada precisamos conversar...

- É claro – Respondi e pude notar que Thaisa e minha mãe observavam atentamente a médica

- Você teve uma crise de ansiedade, porém, com o seu histórico... Foi mais grave e você chegou bem perto de ter uma parada cardíaca.

- Meu deus... – Minha mãe disse

- Aconteceu alguma coisa pra desencadear isso? – A médica perguntou e o meu silêncio bastou. – Se quiser, podemos chamar um psicólogo e...

- Não, não aconteceu nada. Talvez tenham sido algumas memórias e acabaram mexendo comigo... Só isso – disse e ouvi a respiração aliviada de Thaisa

- Tudo bem... Vou pedir pra um enfermeiro retirar o seu acesso e preparar a documentação pra sua alta... Se cuida Pri, ninguém ganha a chance de viver duas vezes... – Ela disse sorrindo e eu apenas assenti

- Ótimo, vamos voltar pra casa e vamos cuidar disso – Minha mãe disse

- O quê? Eu vou para o meu apartamento – Respondi ao concluir que minha mãe queria que eu voltasse a sua casa

PétalasOnde histórias criam vida. Descubra agora