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Oh, simple thing, where have you gone?

I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin

Deitado em sua cama a horas, Megumi não sabia o que fazer durante o dia de hoje. Era sábado, passou a madrugada em claro revirando cada palavra das cartas em sua cama, revirando cada sentimento que o fazia voltar a chorar e ficar sem ar. Ele queria o colo de alguém, talvez o de sua mãe que jamais conheceu ou de alguém que não o perguntasse nada, apenas aceitaria seu silêncio e o reconfortaria.

Era um sentimento de vazio, sim, passou anos de sua vida acreditando que foi rejeitado e agora era como se uma parte de sua história estivesse sendo reescrita. Era por isso que ele quando criança tinha bloqueio emocional? Se soubesse desde o inicio o esforço que seus pais fizeram por ele, será que a história seria outra? Um nó na garganta o impedia de falar e pedir ajuda.

Não é como se ele estivesse invalidando tudo que Satoru fez por ele, apesar de irresponsável, o mais velho o amou e tratou feito um filho. Se sentou na cama tentando mudar aquela sensação de melancolia, porém, seu corpo estava tão pesado que o fez voltar a se jogar contra o colchão e sentir os olhos se fechando. Não sentia fome, seu estômago estava embrulhado.

Os toques na porta se repetiram, Satoru novamente estava tentando fazer com que o moreno abrisse a porta para ele, mas não é como se ele quisesse conversar sobre isso no momento. Porém, quando ouviu aquela voz que fazia seu coração acelerar, pode então perceber que não era o seu pai, mas sim S/n.

Levantou-se rapidamente ignorando as tonturas, seu corpo apesar de querer ceder ao cansaço, não foi o suficiente para faze-lo deixar de ir até a porta e abri-la, se jogando nos braços da amada que o segurou surpresa e sem reação.

Satoru havia ligado para Suguru durante a madrugada, mas o irmão dela só avisou a mesma de manhã. Não queria que a garota se desesperasse e agisse de forma imprudente; contanto que Satoru permanecesse em casa, Megumi ficaria "bem" até o amanhecer. Porém, lá estava ela em plena manhã fria com os dois mais velhos ao seu lado. Satoru iria dizer algo, mas se calou ao notar que não era o momento adequado e que somente ela fez com que Megumi abrisse a porta.

— Por favor, fica comigo hoje — Fushiguro murmurou — Eu sinto como se todo o meu ar tivesse sido tirado de mim, me sinto vazio, querendo apenas um abraço seu.

— Eu ficarei — Acariciou os fios dele caminhando lentamente até o quarto do rapaz com ele ao seu lado de apoio.

S/n permaneceu abraçando Megumi que parecia tão fragilizado igual uma criança com medo do bicho papão. Pediu para que Gojo fechasse a porta e eles ficassem um pouco a sós, deixaria o moreno ter o seu tempo para refletir e sentir tudo que precisasse. Megumi voltou a se jogar sobre a cama e deu alguns tapas para que ela se juntasse a ele.

Fushiguro esteve tantas vezes por ela, que agora sentia-se na obrigação de estar ali por ele também, bem, obrigação não era a palavra certa, mas ela queria, S/n queria poder retribuir tudo a ele. Uma pessoa que não demonstra os sentimentos ... As vezes é a que mais sente, a que mais suporta, a que mais precisa de ajuda quando seu mundo começa a cair.

Deitou-se na cama um de frente pro outro e então ele tomou coragem de conversar tudo que havia lido e o que seu pai Toji havia feito. Era loucura algo como aquilo ter sido escondido, mas não é como se Satoru tivesse outra escolha, já que Megumi não suportava ouvir o nome do pai biológico e talvez saber que o mesmo quem comprou aquela loja pudesse acarretar na raiva do garoto.

𝐂𝐚𝐧 𝐈 𝐁𝐞 𝐇𝐢𝐦 | 𝐌𝐄𝐆𝐔𝐌𝐈 𝐅𝐔𝐒𝐇𝐈𝐆𝐔𝐑𝐎Onde histórias criam vida. Descubra agora