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33. Restart

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Será que assim era a morte?

Calma, pacífica, tranquila, sossegada... Uma sensação de sono irresistível e uma paz inexplicável.

Será que morrer era assim? Tão rápido que nem se percebe, tão repentino que nem se pensa a respeito?

A maciez da sensação era também inexplicável. Era difícil de assimilar. Mas assimilar o que? E para que assimilar? Qual era o objetivo disso tudo?

Por que era tudo tão branco? Tão silencioso? Por que era tudo tão florido? E por que dava tanto sono?

Há estudos que comprovam que a média de pensamentos por dia em um ser humano é de 70 mil, mais ou menos 3 mil pensamentos por hora e 50 por minuto. Mas nesse momento, parecia tudo vazio.

Vazio. É... um vazio, havia um vazio. Um buraco, talvez. Ou uma prateleira sem nada. Só vazio.

Sono, vazio, sossego, paz e tranquilidade. Era isso? Assim era morrer? E depois? O que era tudo isso? Por que? Por que é tão estranho?

E por que tanto sono?

Sono e vazio.

Sono, paz e vazio. Era isso. Inexplicavelmente reconfortante, mas estranho. Um pouco assustador. No fim das contas, não era nada acolhedor.

Onde estava Deus? E seus pais? Jungkook?

Vazio.

Sono e vazio.











Mas de repente, ela abriu os olhos.

..

Seoyon foi a primeira coisa que viu, o teto pintado com flores foi a segunda e seu corpo deitado em uma maca de hospital foi a terceira.

_ Finalmente, sua vadia! Pensei que não acordaria nunca mais_ A amiga disse a ela, chorando.

O abraço foi estranho, devido a barriga enorme da outra. O quarto era todo branco e isso estava machucando os olhos dela.

_ Fiquei com medo de você também ir_ Seoyon disse._ Ainda bem que você acordou.

Ela apenas continuou piscando. Estava com sono, muito sono, e uma sensação de vazio.

_ Você deve estar muito confusa, o médico falou que isso era normal. Tenta dormir um pouco, mas por favor acorde depois!_ Ela disse, e a garota analisou sua barriga. Seoyon colocou as mãos em cima e fez carinho, sorrindo um pouco._ Logo, logo nasce.

Seus olhos se fecharam sozinhos, e ela caiu no sono, respirando pacificamente. Seoyon segurou sua mão por mais um tempo e depois saiu, encontrando com Jimin lá fora.

_ Ela acordou?_ Ele perguntou._ Eu ouvi você falar.

_ Como eu vou contar pra ela?_ Seoyon começou a chorar no ombro dele._ Como a gente vai contar o que aconteceu?

_ Eu não sei_ Jimin respondeu em um sussurro, também chorando. A dor que dividiam era tão forte que ninguém conseguiria processa-la, não agora. Era difícil demais de assimilar.

..

Seoyon observava a amiga e esperava que ela ficasse bem. Bom, na medida do possível pois ninguém estava bem. Ninguém estaria bem por algum tempo. Um longo tempo. Um tempo difícil e doloroso.

Apesar dela estar ali naquela maca, viva, muito machucada porém viva, nada garantiria que sua alma também vivesse. Que seu estado mental se recuperasse. Era impossível e improvável que se recuperasse algum dia. Talvez depois de muitos, muitos e muitos anos conseguissem encontrar novamente um motivo para sorrir.

Mas não agora.

_ O que aconteceu?_ Yeji perguntou, fraca. Seoyon não queria que ela tivesse fortes emoções, até por conta da recomendação médica. Já haviam se passado 24 horas, ela acordou novamente e conseguiu comer. Seu cérebro ainda estava se organizando e ela estava se lembrando.

_ Você precisa descansar agora_ Rebateu.

_ Não, eu quero saber o que aconteceu_ A voz saía baixa e rouca, fraca._ Como.. o que houve?

_ Eu não consegui ficar quieta no esconderijo e hackeei a localização do Jimin, depois ameacei meus seguranças para me levarem até o Gonjiam e também hackeei as escutas de vocês_ Ela disse._ Voltei direto até a oficina enquanto seguiam para o Quartel e recrutei os extras para ajudar. Ouvi a explosão pela escuta e não aguentei.

Yeji já estava de boca aberta. Seoyon a cada dia lhe surpreendia mais.

_ Os Stray Dogs e os extras da Bangtan abateram o pessoal da Black Claws e a segurança, entramos sem ser percebidos, não sei nem explicar como, e cheguei no exato momento em que atiraram em você_ Ela contou._ Eu descarreguei meu revólver no Dong Jae-Myung. Todos os outros que não se renderam foram tirados da linha, todos os nossos e os aliados fiéis que conseguimos salvar foram levados e protegidos.

Ela continuou em silêncio, enquanto Seoyon terminava de contar.

_ Sei que era um direito seu e do seu irmão de confrontarem o pai biológico de vocês, mas não tinha outra opção. Você estava toda esburacada quando cheguei, eu agi rápido e fiz o que precisava ser feito_ Seoyon disse._ Desculpa.

_ Obrigada_ Yeji disse a ela, segurando sua mão._ Você salvou todo mundo. Você foi a grande heroína.

Seoyon sorriu e preferiu não dizer mais nada. Yeji encarou o teto novamente, mas acabou se erguendo de novo, apoiando nos cotovelos.

_ Hoseok!_ Yeji disse de repente_ Onde ele está? Cadê meu irmão? Onde está o Hoseok?

_ Ele morreu, Yeji_ Seoyon disse, chorando._ Sinto muito!

Ela não disse nada, fechou os olhos e voltou a deitar o tronco na maca. Seu peito ainda doía e ela sabia que se sentiria assim por um tempão. Seoyon também chorava muito mas estava tentando segurar para não deixá-la preocupada, mantendo a cabeça abaixada.

Mas era em vão. Ela perceberia em algum momento, mais precisamente ela percebeu em 10 minutos. Seu peito doeu violentamente e ela deu um pulo.

_ Jungkook_ Ela disse_ Seo... o Jungkook....

Seoyon levantou a cabeça, ainda com lágrimas nos olhos. Yeji sentiu o coração se partir, o medo tomando conta dela de uma forma que seu sistema pifou, se desligando e entregando a garota a um desmaio.

Vazio. Sono e vazio, novamente. A sensação de calma não estava acompanhando dessa vez, nem a calma e nem a tranquilidade. A paz era quase desconhecida.

Só havia o vazio e o sono. Só isso, e nada além. Nada mais do que uma sensação esmagadora de fracasso, sufocando e apertando seu peito. Só o vazio, acompanhado do sono.

Danger (JEON JUNGKOOK FANFIC)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora