35.Comece os planos

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Quando abri a porta, dei de cara com minha mãe, meu pai e meu irmão, eles já sabiam da notícia e obviamente estavam abalados, corri até os braços de meu irmão para ter um pouco de conforto depois desses dias fora de casa, senti o olhar frio de minha mãe em mim, como se quisesse brigar sobre minha ausência das últimas semanas mas pela situação não dizia nada, me soltei do abraço de matheus e subi para meu quarto, ele está a arrumado e cheiroso como se ninguém mais tivesse ido lá, o que era verdade, me aconcheguei nas cobertas e está pronta para dormir, quando três batidas na porta se fazem presentes.

-entra- me sentei na cama.

A figura de meu pai entrando em meu quarto me fez sentir certo alívio de ter ele vivo, mesmo estando ausente.

-Podemos conversar?

-olha carlos- eu sei o que é a conversa, não quero decidir se vou para São Paulo cursar artes e conseguir realizar meu sonho de carreira agora- não é a melhor hora.

-mas você nunca está em casa então é bom aproveitar- se sentou em minha cama- vou voltar para são Paulo amanhã, gostaria que você fosse junto comigo, falei com sua mãe e seu irmão, ele não quer vir aparentemente não quer ter um bom futuro.

Revirei meus olhos com o comentário.

-é difícil ir para um lugar novo com um estranho.

-mas sei que você é diferente, é centrada e sabe que essa oportunidade é benéfica para seu futuro- ignorou meu comentário e tocou minha mão- quero que você seja bem sucedida na vida e não tenho diversos arrependimentos como eu tenho.

Puxei minha mão bruscamente.

-eu não vou com você, Anita precisa de mim agora, não posso deixar ela passar por isso sozinha...não de novo.

-você tá falando sério?! Vai abandonar a chance de ter um futuro brilhante por causa dela?

-não é isso carlos eu posso ter um futuro brilhante mesmo não indo para São Paulo, eu faço o meu futuro, talvez eu nem siga essa profissão no futuro! O seu arrependimento é a nossa parte da família... não entendo o porque decidiu voltar se iria embora mesmo assim!

-não tenho culpa dos seus problemas, você é apenas uma garota mimada que teve sempre o que diz nas mãos- se levantou e se direcionou a porta- vou te perguntar novamente amanhã quando estiver mais descansada.

-A resposta vai ser a mesma.

Não me respondeu, apenas saiu do quarto batendo a porta com força, respirei fundo e me joguei na cama, sentindo a tensão indo embora levemente, fechei os olhos e dormi. Na manhã seguinte fui a primeira a acordar, vesti a roupa mais fúnebre que tenho, preparei o café da manhã e esperei minha mãe e meu irmãos para irmos juntos a casa de Anitta, assim que chegamos corri até ela, dando mais um forte abraço na mesma, ficando o funeral todos juntas, de mãos dadas.

-quer que eu fique aqui essa noite?- questionei a mesma baixinho.

-não precisa, vou dormir com a Luísa...amanhã vamos arrumar a garagem- disse Anitta fungando o nariz.

-tá bem- abracei a mesma mais uma vez.

Ao final do funeral, fui para casa e no lugar onde o carro de meu pai ficava irritantemente estacionando não havia carro nem um, tenho que admitir que senti um arrependimento genuíno mas logo me distrai com o toque gentil de Matheus em meu ombro, nos olhamos e sorrimos gentilmente um para o outro ele colocou o braço sobre meus ombros, fazendo um carinho leve neles e entramos em casa. Nesses últimos dias nunca passei tanto tempo em casa, claro sem contar as tardes que passava com a anitta em sua casa, mas em seguida logo voltava para casa.

-cheguei...- gritei da porta.

-já voltou?- minha mãe estava escorada no batente da porta da cozinha.

-A Anitta não quis que eu dormisse lá hoje- me dirigia até às escadas.

senti os olhos de minha mãe me fuzilando em seguida ouço sua voz.

-elizabethe...- olhei para ela- eu fui no seu quarto esses dias...vi umas pinturas são suas?

-sim, lembra que eu pinto mãe- sabia o que aconteceria, esse era o início das nossas brigas por carreira, ela não querendo que eu siga o mundo artístico e eu querendo seguir ele, como não fui com meu pai para são Paulo a chance de pararmos de nos falar antes de 2009 era mais presente que nunca- por?

-você tem talento...são lindas as suas pinturas.

Arregalei os olhos e a encarei, senti o orgulho que ela carrega se ferindo um pouco, não pude esconder meu sorriso.

-você gostou?

-você pinta bem filha...não vou mentir -ela cruzou os braços.

-isso significa muito pra mim...mãe.

Ela sorri de leve e vai para cozinha.

-eu vou terminar as coisas na cozinha e quando o jantar estiver pronto eu te chamo...seu irmãos saiu com uma garota do colégio de vocês, não sei que hora volta.

Ela voltou para a cozinha e eu fui atrás.

-eu ajudo você na cozinha- meu orgulho também foi ferido nesse momento mas não senti tanto quanto pensei que sentiria- o que posso fazer?

Me juntei a ela na cozinha, a maior parte do tempo ficamos caladas, uma lavava a louça e a outra cozinhava, falávamos os assuntos mais genéricos que eu poderia conhecer mas mesmo assim foi bom, senti que poderíamos nos aproximar de verdade, talvez não sermos melhores amigas mas pelo menos termos uma boa convivência como mãe e filha, o jantar estava pronto, jantamos caladas como sempre mas dessa vez não foi tão horrível como era antes, nós despedimos e cada uma foi para seu quarto. Na manhã seguinte corri até a casa de Anitta para irmos juntas à escola.

-eai como você tá?- dei um toque em seu ombro.

-eu tô melhorando...

Sorrimos uma para a outra e seguimos o caminho para a escola, conversamos sobre a linha do tempo anterior e como ela era horrível e em um piscar de olhos chegamos à escola, logo encontramos Joel, que deu em anitta um abraço forte.

-eai?

-tá difícil mas eu tô melhor.

-cê sabe que pode sempre contar comigo- diz ele.

-ela não precisa de você- digo colocando o braço envolta dos ombros de Anita- ela tem a mim!

-shii não tô falando com você- ele ergueu um dedo para mim.

-eu sei que tenho a ajuda de vocês dois, meus parceiros de viagem no tempo- sorrimos uns para os outros- falando nisso a gente precisa pensar no próximo plano para impedir o Eduardo de criar a pior timelines de todos os tempos!

-isso ai! não podemos ficar na merda de novo!- Ergui minhas mãos em comemoração. 

de volta aos 15 Histórias para pegar e não largar. Descubra agora