No dia seguinte ao anúncio dos campeões do Torneio Tribruxo, Harry acordou sozinho na cama que dividia com o irmão. Isto era algo raro, pois sempre que dormiam juntos, seja em Hogwarts ou em casa, permaneciam deitados acariciando delicadamente um ao outro até o momento em que ambos despertassem por completo. Harry mal se lembrava dos dias que não acordava sob a terna carícia dos lábios do irmão. Por isso, ao deparar-se com tal ausência, um angustiado aperto tomou conta de seu peito e, a passos lentos, o menino se levantou da cama e se arrastou para fora do quarto.
De repente, sua angústia esvaiu.
Chegando à pequena sala do dormitório privado de Tom, Harry ouviu a preocupada voz de sua mãe:
- Pelo amor de Merlin, isso é loucura, Tom.
- É apenas um torneio bobo, mãe.
- Pessoas morrem nesse torneio!
- Já não morrem com tanta frequência...
O pequeno Gryffindor suspirou aliviado e se aproximou, esfregando os olhos sonolentos.
Tom não havia deixado-o sozinho, mas precisara atender à chamada de sua mãe, cujo rosto agora flutuava sobre as chamas esverdeadas do pó-de-Flu. Ao se aproximar, Harry apenas murmurou um "bom dia, mamãe" e se aconchegou no colo de Tom, que se encontrava sentado na poltrona de couro preta em frente à lareira.
- Bom dia, querido – cumprimentou Lily, docemente, e logo voltou sua atenção ao filho mais velho – Seu pai também está preocupado, Tom, as coisas que acontecem nesse torneio são imprevisíveis.
- Diga a ele que eu sei me cuidar – garantiu, acariciando os cabelos bagunçados do lindo e sonolento Gryffindor em seu colo – vocês não precisam se preocupar, está bem?
- Tom, por favor...
- Essa já é uma decisão tomada, mãe. O cálice me escolheu, eu sou um dos campões de Hogwarts e ganharei a Taça Tribruxo, você vai ver.
- Disso eu não tenho dúvidas, querido, você é um mago poderoso e inteligentíssimo, mas não pode culpar sua mãe por se preocupar – suspirou – Estaremos aí sempre que pudermos e você irá me escrever após cada missão perigosa que este torneio oferecer, está bem?
- Ok. Eu prometo.
- Bem, andem logo e vão tomar o café da manhã, seu irmão já está quase dormindo de novo.
Tom sorriu. Harry, de fato, começara a cochilar em seu colo.
- Até mais tarde, mãe.
- Tchau, mamãe... – murmurou Harry, aconchegando-se um pouco mais contra o peito forte do irmão.
- Até mais, meus queridos, amo vocês.
- Também te amamos – responderam em coro.
Quando o rosto de sua mãe desapareceu num redemoinho de chamas verdes, Tom suspirou e abraçou ainda mais o pequeno corpo junto ao seu. Ele passara a manhã inteira tentando convencer uma preocupada Lily Potter a não vir para Hogwarts discutir com o diretor e com os organizadores do torneio, ouvindo os lamentos e divagações de sua mãe, que achava que a primeira tarefa pudesse ser algo como tiro ao alvo de maldições da morte com ele como alvo, pelo visto. Finalmente, depois de horas de uma desgastante conversa e sutil persuasão, Tom convenceu Lily de sua decisão. Na verdade, ele a convenceu apenas a não reclamar tanto e tentar não surtar a cada minuto.
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