Algum dia no Natal, não haverá lágrimas

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Sasuke Uchiha

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Sasuke Uchiha

O sol do meio-dia batia impiedosamente na janela, porém dentro do consultório médico, Sasuke sentia-se como em um oásis de ar condicionado. Sentado numa cadeira de couro macia, com Mikoto ao seu lado, ele observava.

O consultório particular de um oncologista era um daqueles lugares que nunca pensou ver por dentro, mas estavam agora diante de uma mesa imponente feita de mogno, e o médico, sentado numa cadeira que mais parecia um trono, respondia atenciosamente à todas as perguntas e orientava com respeito e paciência, como se estivesse feliz em atendê-los em plena véspera de Natal. Era o tipo de atendimento, o tipo de lugar, reservado à elite, enquanto a maioria das pessoas da favela só podiam ver nas novelas.

Apesar do clima natalino, Sasuke não carregava consigo a alegria e a celebração. A verdade como ele estava conseguindo esse tratamento para a mãe pesava em seus pensamentos. Ele sabia que as escolhas que estava fazendo para garantir a saúde dela custavam-lhe caro.

Ironicamente, ele também sabia que Mikoto jamais aprovaria. Mas ele não podia apenas assistir a degradação da pessoa mais importante da sua vida, sem fazer nada.

A necessidade o empurrou para caminhos obscuros. O trabalho com a AKA, as noites sem dormir, a constante ansiedade de ser descoberto – tudo isso era um preço que ele estava disposto a pagar para manter a mãe viva. Ao mesmo tempo, cada visita a um lugar como este consultório era um lembrete das desigualdades sociais, das barreiras intransponíveis que dividiam a vida das pessoas.

A conversa com o médico fluía, mas Sasuke sentia a garganta apertar a cada palavra, enquanto tentava manter a expressão séria. Ele não trazia boas notícias.

"Apesar de todos os tratamentos...", uma pausa, e ele parecia sentir muito. "A resposta não tem sido a esperada."

Mikoto permanecia séria, mas Sasuke assentiu em silêncio com a cabeça, seus olhos buscavam nos do médico uma esperança que ele parecia hesitante em lhe dar.

"Estamos fazendo o possível", o médico continuou. "Mas o estágio da doença..."

"O que mais podemos fazer?", Sasuke interrompeu, impaciente. "Há algo mais que possa ser feito?"

O médico suspirou, um peso evidente em seus ombros. Mikoto, ao lado do filho, mantinha-se calada, mas seus olhos indicavam que ela já sabia a resposta.

"Estamos fazendo todo o tratamento disponível, mas é importante sermos realistas. A leucemia está avançada, e as chances..."

"Então não há algo mais?", sua voz tremeu dessa vez. "Nenhuma alternativa?"

"Sas", Mikoto chamou, apoiando levemente a mão sob seu ombro. Ele a olhou.

A mão que repousava em seu ombro parecia ser um gesto de conforto, mas, ao invés de acalmá-lo, só aumentava a pressão em seu peito. Cada dia que passava, ela ficava mais frágil, mais debilitada pela maldita leucemia que corroía a sua saúde.

(Arco 1) Vício Carioca: RaízesOnde histórias criam vida. Descubra agora