Anna Júlia
Desde que cheguei ao Rio, tudo parecia um caos constante, festa todos os dias e muito, muito sono desregulado. Mas depois que voltamos de Ribeirão, a rotina se ajeitou. Já fazia uma semana que os dias corriam mais calmos — embora, algumas vezes, Dhiovana tenha me arrastado para a academia, o que cortou completamente minha vibe de não fazer nada. Três dias e só. Um recorde para mim. Juro que até senti diferença, e foi justamente por isso que não voltei.
Peguei a toalha em cima da cadeira assim que sai da água, comecei a passar protetor solar no rosto, em seguida regulando as amarras do biquíni, passei boa parte da manhã tomando sol.
Os dias aqui são calmos, diferente das noites.
Fábio passa o dia resolvendo coisas da gabigolstore, não é como se fosse um sacrifício, o escritório não fica longe de casa, uma cadeira fofinha e um ar-condicionado enorme só pra ele, pra que trabalho melhor?
Dhiovana treina duas vezes ao dia, mas preza muito pelo tempo que passamos uma com a outra e não deixa de me dar atenção um segundo sequer quando estamos juntas.
E bom, Gabriel tem treino praticamente todos os dias, já até conheço o barulho do carro dele e decorei todas as coisas que ele faz antes de subir para o quarto.
Estar de férias é isso, não ter o que fazer e calcular a rotina de todas as pessoas ao seu redor.
Quem não deixa eu me sentir completamente sozinha, é a Rose, a senhora que trabalha aqui, todos os dias me pergunta o que eu quero almoçar e qual sobremesa prefiro, era sempre assim.
A senhorinha adorável trabalha aqui desde que o Gabriel se mudou para o Rio e em todas as vezes que estive aqui, a receptividade era a mesma, sei o nome de todos os filhos dela e de toda a história por trás do término do casamento. Somos bests, pô.
-Bom dia, lindas -Ouvi a voz do Gabriel, quando passou pela porta da cozinha.
Essa semana nos aproximamos muito, não que fôssemos estranhos, mas a intimidade, conversas aleatórias, entre os intervalos em que Dhiovana e Fábio não estão em casa e a Rose acaba o expediente, ele é a minha companhia.
De havaianas e camisa do Flamengo no ombro, caminhando até nós, sem tirar os olhos de mim, dos pés a cabeça, não teve um canto que ele deixou passar despercebido, teria como ele ser só um pouquinho discreto?
Me odeio por gostar disso, por que de fato é bom, estranhamente bom, não devia me sentir assim com relação a ele, tenho namorado e mesmo em crise, ainda estou em um relacionamento e prezo muito pelo respeito.
-Bom dia -ele beijou minha bochecha e a da senhora perto de mim. -chegou cedo hoje -comentei.
-Só tivemos reunião e discutimos algumas coisas -deu de ombros e pegou um dos morangos que já havia sido colocado em cima da torta, recebendo um tapa na mão. -Ai Rose, você já foi mais carinhosa.
-Já falei pra não pegar com a mão suja na comida -o repreendeu, em seguida baixou a cabeça dele para dar um beijo. uma mãe né.
Rose pegou a torta em cima da mesa e saiu para a cozinha colocando na geladeira.
Gabriel espalmou os braços em cima do balcão e me encarou, fiquei na mesma posição de antes, o queixo apoiado na mão, olhando pra ele também.
-Piscina, olhos lindos? -concordei.
Observando quase sem acreditar, a mão dele vindo até a minha barriga, tocando a manchinha pequena espalhada. -isso combina em você. -o toque foi rápido e sútil, Gabriel recolheu a mão rápido demais, estalei a língua do céu da boca, não era bem um elogio comum. Lucas odeia ela, fala que é estranho. -Não sei, parece que completa mais ainda seu corpo, é um charme pra sua barriga. -concluiu.
Isso aqui não tem nada de segundas intenções, né? ele não me ver com outros olhos, é claro que não, somos família, não importa se já gostei dele em determinado tempo da minha vida, eu era uma adolescente de quinze anos e via ele com frequência, hoje somos adultos e nada aqui está ou vai se encaminhar para outro rumo.
Será que é alguma brincadeira? Algo do tipo, "se seu namorado achava que eu dava em cima de você, agora vou fazer ele ter certeza" Mas o Lucas não tá aqui agora. minha cabeça vai pifar.
-Que bom que chegou -sorri e me afastei um pouco. -agora não vou mais almoçar sozinha. -enrolei a toalha da cintura para baixo.
Seguimos para a mesa, onde a comida ja havia sido colocada.
-Vão sair hoje? -perguntou, concordei e estiquei a mão pedindo para que ele esperasse eu terminar de mastigar.
Era uma sexta-feira e meus amigos estavam vindo para a a cidade maravilhosa.
caótico.
-Ritmos -um dos festivais de pagode e samba que tem todo ano aqui no Rio. -Uns amigos de São Paulo vão vir, vamos juntos. E você?
-O mesmo -sorriu. -só que com os amigos do Rio. -raspou a garganta. -Dhiovana não comentou nada sobre irem.
-É que iríamos viajar -expliquei. -mas todo mundo quis vir pro Rio, já foi decidido essa semana.
Meus amigos e o Lucas, omiti essa parte, por que não achei necessário falar, ele ficou sabendo e resolveu que tinha que estar aqui, talvez fosse até melhor, poderíamos conversar e esclarecer tudo o que vem acontecendo entre a gente.
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𝙄𝙍𝙍𝙀𝙎𝙄𝙎𝙏Í𝙑𝙀𝙇, 𝘼𝙉𝙉𝘼 𝙅Ú𝙇𝙄𝘼 | 𝙂𝘼𝘽𝙄𝙂𝙊𝙇
Fanfictionvocê foi o amor mais bonito que me aconteceu. Indiscutível, indescritível e predominante
