Capítulo 3

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Gabriel Barbosa

Puxei a camisa pra cima tirando-a do corpo e colocando no ombro, assim que passei pela porta do vestiário.

Vitória em cima do Palmeiras, o gostinho de ganhar deles era tão bom quanto um clássico.

Quando o jogo acabou, fiquei um tempo interagindo com a torcida, mas fui primeiro a sair de campo, teria que passar pela zona mista, dar entrevista e correr para não chegar tão tarde em Ribeirão.

Viemos ontem para Santos e hoje pela manhã chegamos em São Paulo, por que o jogo hoje foi na casa deles.

Tirei meu celular de dentro do armário e desbloqueei a tela para poder responder algumas mensagens pendentes, perto da zona, avistei os três me esperando.

Anna Júlia falava algo em quanto os outros dois riam como se fosse a coisa mais engraçada do mundo

-Gabriel -essa voz eu já conhecia bem, Isabelle, a mais maneira das repórteres. -bom jogo -agradeci, pronto para a sua pergunta. -depois de algum tempo, hoje você entrou como titular, foi diferente?

-Cara, seja como titular ou reserva, em todas as vezes vou entrar e fazer o máximo que posso -fiz uma pausa. -mas com certeza entrar como titular é diferente, quer dizer que meu esforço está compensando, é sempre bom honrar o maior do Rio.

-Você é ídolo, seja no campo ou no banco, mas vem cá, queria saber de você -lá vem bomba. -e essa história de estar sendo cotado pelo Palmeiras, essa é a sua vontade?

-O Flamengo é onde me sinto bem, a minha vontade vocês já sabem. -sorri para a câmera e acenei me despedindo,  logo segui para o estacionamento.

-mamãe deve estar te chamando de exibido uma hora dessas -minha irmã falou e apontou para como eu estava, sem camisa. -papai deve estar falando que o que é bonito tem que ser mostrado.

-Para, vai me deixar tímido -gargalhamos.

-Anna Júlia vai na frente com você -Fábio jogou as chaves do carro pra mim. -eu to morto, preciso ir dormindo ou então não vou aguentar festa nenhuma. -coitado, hoje acordou cedo para resolver coisas da empresa.

-Claro que eu gosto de ir na frente, Fábio -brincou. -obrigada por perguntar.

-Valeu, Julinha , você é a melhor.

-olha como é sonso -destravei a porche.

-ta frio, né? -ela comentou abrindo a porta, o vento gelado, estacionamento escuro, a única iluminação eram a dos postes.

Concordei.

Os vidros estavam embaçados, típico clima de São Paulo, quando chegamos estava um sol pra cada um, agora está assim.

-Soube que seu namorado apareceu aí -Dhiovana me contou entrelinhas, na nossa curta caminhada até o estacionamento. -E tratou você bem mal. -apertei cautelosamente a direção do carro, não é como se tivéssemos o mesmo sangue, mas ela é da família.

-Ele é palmeirense -ignorou a minha última fala e deu de ombros.

pelo visto o cara só é bom em escolher mulher.

-chamou ele pra ficar com vocês? -negou. e ficou por isso mesmo, olhei para o banco de trás e os dois já estavam dormindo. -e por que você tá assim, hm?

-Ele me enviou mensagem avisando que estaria com uns amigos, até então não sabia que eu estaria aqui, aí que vem a coincidência, seu camarote ficava ao lado do setor que ele estava, e advinha? -me olhou. -tinha uma ex ficante dele.

-E você ficou incomodada? -sorri, Anna Júlia com ciúmes, daria tudo pra ver uma cena assim.

-Não-tratou de negar rápido. -não vale o constrangimento, e outra, ele é que tem compromisso com alguém, a garota é solteira. conseguiu fazer com que eu fosse pro lado dele, reclamou pra eu ficar e ainda disse que aquilo não teria acontecido se eu estivesse com ele, Lucas só faz o que lhe convém.

-Então se não foi ciúmes, o que te deixou assim?

-o fato dele ter omitido isso- vi de canto que ela estava olhando para mim. -ele falou que estaria com os amigos de sempre-gesticulou com as mãos. -pra que esconder, entende? se fosse o contrário, eu no mesmo lugar que um ex ficante, você precisaria ver a briga.

-Então você odeia problematicos? -

-Eu adoro os problematicos -admitiu. -mas que sejam obcecados por mim, somente -pressionou os lábios. -e não que fiquem me causando desconfiança.

Eu poderia despejar tudo o que eu penso com relação a isso, que ela deveria terminar , por que ele não a merece e alguém como ela não deveria estar presa a ele.

A garota se remexeu deslizando um pouco e puxando uma perna para apoiar o pé no banco, dobrou os braços no joelho e apoiou a cabeça, olhando pra mim. Os olhos enormes, algo como verde ou azul ou uma mistura dos dois, tanto faz, eram incríveis. Por isso o apelido.

Anna Júlia. Sempre foi minha música favorita.

-E você? Te falei tudo sobre minha vida amorosa, mas e a sua?

-Dhiovana não te conta? -é fato, melhores amigas sempre falam tudo uma pra outra.

-bem por cima, sua vida não é bem nossa pauta favorita -coloquei a mão no peito como se estivesse ofendido.

-Achei que eu fosse o assunto principal -brinquei. -passei um tempo ficando com a Rodrigues, você sabe né? -ela assentiu. -juro que tentei manter algo, mas acho que não era pra ser -dei de ombros. -depois da Rafaella, ela foi o mais perto de sério que eu já cheguei.

-Achei que ia sair um namoro -fiz careta. -Que foi? Você não?

-nem passou pela minha cabeça -ela gargalhou.

-então pretende ficar solteiro por muito tempo?

-eu nem sei, to deixando fluir -brinquei. -mas, namoro agora só se eu estiver muito apaixonado, nada de sentir uma emoçãozinha diferente e já querer assumir alguém.

-Ta certinho, gabigol -encostou o cotovelo no meu braço.

Parei o carro, já em frente a minha casa em Ribeirão, acho que uma viagem nunca passou tão rápido.

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