Coloquei dois grampos, um em cada lado da minha franja, que já estava batendo no queixo e comecei a fazer minha maquiagem.
No meu celular tocava heaven de Bryan Adams, talvez não fosse a melhor playlist pré rodeio, mas eu não sou bem a melhor pessoa pra isso.
-Gabriel e Fábio já foram -Dhiô me informou assim que voltou para o quarto.
estranho seria se ainda estivessem aqui.
-Vamos chegar sozinhas e sem tumulto de segurança -tentei consolar. -isso é ótimo.
A janela do quarto onde ficávamos, era do mesmo lado onde acontecia o evento e a casa da família ficava tão perto do local, que era como se já estivéssemos lá.
Levantei do banquinho que ficava na penteadeira e passei a mão na saia que eu estava usando, continha um recorte na lateral, a fenda ao lado esquerdo, deixando quase toda a coxa exposta.
-Um desperdício você estar namorando -minha amiga parou para passar um batom. -tanto homem bonito que vai ter.
-Você me conhece -peguei minha bolsa e coloquei no ombro. -mesmo solteira, provavelmente sairia de lá sem beijar uma boca.
Posso contar nos dedos a quantidade de pessoas que já fiquei em toda minha vida.
Minha amiga fechou a porta atrás de nós quando saímos, o céu iluminado pelas estrelas e os jogos de luzes que faziam parte do show, a noite fria e eu quase me arrependi de estar de saia, mas fiquei tão bonita que tentei colocar na minha cabeça que era psicológico. Senti vontade de sorrir com o que pensei.
Caminhamos pouco até perto de onde os meninos estavam, acompanhados de outras pessoas, Gabriel que não perdia tempo, ja se agarrava com uma garota.
Apertei a alça da bolsa e por um instante me senti mal por estar ali, eu queria, gosto desse lugar, amo as pessoas com quem estou, mas no meu relacionamento escuto coisas tão cruéis, que me culpo por nada.
Fabinho veio até nós e Gabriel falou alguma coisa no ouvido da garota que saiu sorrindo, com certeza algo relacionado a procurar ela depois, spoiler: ele nunca procurava depois.
-Essa demora toda pra isso? -planet era a pessoas mais insuportável do mundo.
-Falou o bonitão -bati meu ombro com o dele.
-Tá com fome, pirralha? -como eu disse, relação de irmãos, insultos seguidos de cuidados. Concordei, eu só almocei e desde então passei a tarde toda imaginando todas as barraquinhas de comidas que teriam aqui. -vamos procurar alguma coisa pra você, quer também dhiô? -minha amiga negou, essa mudança de hábitos alimentares foi depois que começou a treinar.
-Deixa que eu vou com ela, Fábio -Gabriel se ofereceu e olhou pra mim. -preciso ir ao banheiro, é caminho.
Veio na minha direção
-Seu cheiro é sempre esse, muito doce -ele quebrou o silêncio. -bem característico, por que nunca vi ninguém com o mesmo, tanto é que quando sinto, já sei que é você. -achei graça.
-É ruim? -torci o nariz olhando para o lado.
-Nem um pouquinho -sorriu.
Esperei do lado de fora enquanto Gabriel usava o banheiro, fiquei acompanhada dos dois armários que ele chamava de segurança e agarrada ao copo dele de Whisck que estava quase transbordando.
bati o pé impaciente pela demora, ele com certeza estava se olhando no espelho.
-O que vai querer? -perguntou, parei para olhar ao redor. quase soltei um "finalmente" mas me contive.
-Acho que o maior cachorro quente que tiverem por aqui -minha boca salivou e ele curvou o lábio pra sorrir, mexendo no cabelo, os cachos platinados. muito atraente.
-Há quanto tempo estávamos sem nos ver? Alguns meses? -fez uma pausa, senti a mão dele na minha cintura, me afastando um pouco para o lado. -tem que ter cuidado, olhos lindos. -acabou de evitar um esbarrão entre o meu corpo e o de um homem super alto.
-Um ano, a gente sempre se encontra no aniversário da Dhiô. -minha boca secou um pouco, Lucas não pode nem sonhar com isso.
-É claro -raspou a garganta. -antes era com mais frequência. -muito mais, tudo mudou quando comecei a namorar. -seu namoradinho não deixa?
-Não é bem assim -pressionei os lábios. -na real, ele não vai muito com a sua cara.
-nunca estive errado, esse cara é louco.
-Você também não gosta dele.
-tenho meus motivos, mas e os dele, quais são? -dessa vez demorei para responder.
-ciúmes da gente.
-Eu e você? -pareceu sem acreditar. -nunca dei motivos, sempre respeitei o relacionamento de vocês. -de fato, Gabriel nunca insinuou nada. -e outra, se eu fosse dar em cima de ti, não seria na frente dele, faria quando estivéssemos sozinhos, só nós dois. -engoli em seco, a menor chance de isso acontecer já me causava calafrios. mas não eram ruins.
Chegou a minha vez de fazer o pedido, uma pausa da conversa que estava tomando um caminho um tanto quanto intimidador, mas o que se esperar quando se tratava dele.
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