Capítulo 16

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Gabriel Barbosa

Anna Júlia vai acabar comigo, com a minha sanidade e com todo o autocontrole que me resta.

Adoro todos os detalhes nela, o jeito desajeitado que morde o lábio quando fica nervosa, a língua afiada, o temperamento forte. Meu Deus, tudo é impecável e isso me incomoda profundamente, porque é um dilema, um enorme dilema. Inclinei a cabeça para o lado, aproveitando seu toque suave em meu rosto; a pergunta sem resposta ainda ecoava no silêncio do carro.

- Odeio você - resmungou. - Primeiro me arrasta de lá como se mandasse em mim e agora me pede um beijo.

- Você não me odeia - deslizei o nariz pelo pescoço dela, sentindo seu perfume me envolver cada vez mais. - E outra, já se olhou no espelho quando está com raiva? - Ela revirou os olhos. - É indecente o quanto você fica linda.

- Tem certeza de que o lugar onde quer estar é aqui? comigo? - afastou as mãos do meu rosto novamente, apoiando-as no banco. - Dentro de um carro, enquanto discutimos sobre a forma que você me tirou de lá?

- Acabei de dispensar aquela ruiva que quase implorou para ir embora comigo e você ainda tem dúvidas sobre o que eu quero? - Passou a língua pelos lábios. eu queria tanto aquilo que o momento parecia se arrastar em câmera lenta. - Você precisa entender que o meu único desejo é ser o próximo a tocar você, os que vierem depois de mim não me importam, só não quero ninguém antes.

- Gabriel.... -Deslizei meu polegar na nuca dela antes de trazer minha mão para frente e segurar naquela mesma área, Anna Júlia abriu a boca, mas nada saiu. Foi tão lascivo que mal pude acreditar estar presenciando aquela cena. tão de perto.

- Anna Júlia... -o nome dela saia como se fosse a coisa mais bonita que já tive o prazer de falar.

-Por que tá enrolando tanto? -estávamos tão próximos. Sorri pelo nariz, fala isso como se não estivesse entregue. Passei a língua pela boca dela, ela avançou um pouco.

-Pensei que fosse só eu que queria -brinquei. -'To achando que não. -puxei o lábio inferior dela pra mim, sugando devagar.

Anna Júlia parecia hesitar, mas o jeito que a pele dela arrepiou, a forma como a respiração ficou irregular, entregavam o desejo que ela tentava esconder. Nunca pensei ter que lidar com alguém tão marrenta quanto eu, mas olha só onde estamos agora, suportando joguinhos por conta de uma mimadinha. Que declínio.

-E se eu não quiser?

-Então vai ter que fazer melhor pra me convencer disso, o corpo nunca mente, amor-apartei a coxa dela. -e o seu está ansiando por mim.

O espaço entre nós se fechava cada vez mais, de forma implacável, os olhos fixos nos meus, dessa vez ela não ousou desviar.

Meus lábios tocaram seu pescoço mais uma vez, a pele quente, o toque suave dela em mim, como se estivesse com medo de encostar em qualquer lugar que fosse. Houve um tempo silencioso, mas não era vazio, fiquei distraído por instante me perguntando em que momento aquela garota que enchia minha paciência se tornou essa mulher.

Olhares rápidos demais para serem casuais.

-Você tá bem? -foi uma pergunta pra tudo, se ela estava bem com a situação e com o que iria acontecer em diante. Subi a mão da sua coxa, para o cabelo, deslizando os dedos por ali, puxando seu rosto na direção do meu.

-Hm -pigarreou. -eu to ótima e você? -sorri por que era engraçado, Anna Júlia nervosa com o que viria pela frente e minhas mãos ágeis demais tentando tocar tudo, como se a qualquer minuto eu não fosse mais ter ela ali, tão de perto, tão minha e tão entregue.

Puxei ela pra mim com força, o cheiro da noite, o som abafado da festa lá dentro, nada disso importava mais, éramos só nós dois. Quase gemi de satisfação quando ela resolveu acabar com a mínima distância que restava, de forma imediata, sem mais espaço para provocações.

Anna Júlia se entregou, curvando o corpo contra o meu, senti o sabor da boca dela me envolvendo, a trouxe para o meu colo, colocando um perna em cada lado, nossas bocas na mais perfeita sincronia, o cabelo espalhado sobre mim, enquanto nos envolvíamos no beijo mais devagar de toda minha vida, os lábios macios, o jeitinho sútil, não sei quantos caras ela já teve, mas se com todos fez assim, agora entendendo em partes a paranoia do ex, quando você prova, já era.

Espalmei as mãos uma em cada lado da bunda dela, Anna Júlia veio mais pra frente, fazendo uma fricção gostosa entre nós, estou beirando ao colapso. Doido pra sentir seu gosto.

-Não vai me comer aqui -paramos de nos beijar.

-Que vocabulário é esse? -ela deu de ombros, nossas testas coladas, respiração ofegante.

-hmm, certo -jogou o cabelo para o lado. -não vamos fazer amor dentro do carro -mordeu meu queixo. -ficou melhor assim? -apoiou a costa na direção, imagina essa menina no pós sexo.

Caralho

-combina mais com você -sorri. -e outra, sinto muito que pense isso de mim -fiz uma pausa para trazer o rosto dela novamente para mais perto, deixando um selinho. -mas não passou nem pela minha cabeça te foder pela primeira vez dentro de um carro.

-Desculpe, mas você não parece ser o tipo de homem que se importa com lugares quando se trata disso.

-De fato -encostei a língua nos dentes. -mas é com você, então as coisas devem ter outra vertente.

-Gosto quando se refere a mim desse jeito -sorriu.

Passei os polegares pelas pálpebras dela, cada movimento deliberado.

-De que jeito?

-Com cuidado, até pra encostar em qualquer parte do meu corpo enquanto me beijava, é tudo muito delicado -a voz com um tom mais íntimo. -eu não vou quebrar, Gabriel. Não precisa se importar tanto.

Quero tanto me perder nela.

-Tarde demais, olhos lindos -dei um peteleco no braço dela.

Seria impossível não me importar

cometem o que estão achando,
é muito importante. Espero que gostem ❤️‍🩹

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⏰ Última atualização: Jan 21 ⏰

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