Anna Júlia
Ter o quarto em frente ao de Gabriel Barbosa, mesmo que provisoriamente, deveria ser um sonho né? Pois bem, acredito que mãos suando frio, estômago revirando e vontade de vomitar não é nada comparado a estar vivendo um sonho, parece mais virose, mas só sinto isso quando penso nele.
Vou surtar, já é certo.
Não que minhas reações com relação a ele antes fossem diferentes, mas caramba, tudo tá tão amplificado agora, tudo o que foi dito, o que foi feito, a maneira como saiu, tão natural..... mais frio na barriga.
Droga.
Passei a semana toda tentando não dar de cara ou estar a sós com ele, foi bem complicado, tentar não ver o dono da casa não é uma tarefa muito fácil.
que infantilidade.
Me sinto com quinze anos novamente, quando eu brigava com meu subconsciente estando em uma linha tênue entre querer vê-lo muito, mas bastante tímida para suportar sua presença.
Terminei de me vestir pronta para descer, a casa estava silenciosa, era uma sexta-feira à noite, Dhiovana estava em Santos, Fabinho avisou que iria sair e o vocês-sabem-quem com certeza não iria ficar em casa, provavelmente só tínhamos Rose perambulando de um lado pra o outro enquanto se dividia em terminar o jantar e cortar algumas coisas para adiantar montagem daquela mesa enorme com café da manhã já para o outro dia.
Abri a porta do quarto e quase pulei para trás quando dei de cara com um Gabriel de cabelo molhado e uma carinha pós sono, vendo assim, nem parece que tem a marra do tamanho do mundo.
-Boa noite, olhos lindos -como se nada tivesse acontecido, NADA. como assim? eu to demorando a falar só por medo de titubear algum momento.
-Boa noite, Gabriel -falei calculando até o tempo que ele levou para me observar dos pés a cabeça.
-Ia descer? Podemos jantar juntos. -não, nós não podemos. mas diferente dos meus pensamentos, me mantive calada.
-O que? Você não vai sair? -minha reação afoita foi tão aparente que me senti envergonhada, parece que eu to querendo expulsar o dono da casa.
-Hm hm -negou com a cabeça. -vou comer e fazer um cárdio, hoje eu to tranquilo. quer ir também? ou pode só ficar na academia me esperando terminar -deu de ombros.
-Ainda bem que você fez a segunda proposta -sorri. -prefiro só te assistir.
-Sua tarada -tocou a ponta do meu nariz. -só por que eu fico sem camisa. -sínico, nem parece que me olha por completo em toda oportunidade que tem.
Tentei disfarçar a vermelhidão que se espalhava pelas minhas bochechas. Gabriel sempre teve esse efeito sobre mim, mas agora era diferente; havia uma tensão no ar, uma expectativa que eu não conseguia ignorar.
Ele sabe, tenho certeza que sabe de tudo o que eu senti, só foi uma parte que ele resolveu ignorar ou posso me agarrar a opção que ele é desligado demais e nunca percebeu.
-Tem que parar de ficar envergonhada com as coisas que eu falo -acariciou meu braço. -isso não é de hoje, você reage estranho perto de mim, não em todas as vezes, mas na maioria -a mão deslizou até o meu cotovelo. -você fica linda quando está tímida, linda demais, mas sou eu, não precisa disso.
Cada olhar nosso parecia se prolongar mais do que o necessário, cada toque casual carregava uma nova intensidade.
-Mais uma coisa -pontuou me parando e me fazendo parar. -por que estava fugindo de mim?
-Não estava fugindo de você -tava sim.
-Ah, claro que não, eu to maluco e você não ficou a semana toda evitando me ver.
-Exatamente, você tá maluco e eu não fiquei assim -minha voz saiu um pouco ríspida, um acúmulo de suor nas minhas mãos.
efeito Gabriel Barbosa.
-Calma aí -tinha a sensação que ele podia me ler por completo. -muito nervosinha, tá precisando gozar, linda -espero que abra um buraco agora e eu caia dentro. arregalei os olhos. -hm, de fato está mesmo -minha boca abriu, assim, de graça? -faz quanto tempo? um mês? -passei a mão no cabelo o trazendo pra frente, ainda incrédula pela pergunta, ele realmente quer falar sobre isso e eu não sou mais uma criança pra ficar fugindo desse assunto.
-por aí -emiti um barulho pela garganta. -podemos parar de falar disso e voltar ao assunto de antes? Por favor. -ele só concordou.
-somos dois adultos -Gabriel não sabia falar sem tocar e isso me desconcentrava. -sentimos atração um pelo outro e isso é completamente normal, mas não precisa agir como se eu fosse te perseguir e te obrigar a casar comigo -umedeci os lábios, Gabriel suspirou virando o rosto para o lado. -não faz isso, olhos lindos, estamos tendo uma conversa séria. -riu pelo nariz e eu fiz o mesmo.
Ele tem razão, somos dois adultos agora, e as regras, ou melhor, os limites que eu mesma criei, já não pareciam tão claros
-Não quero que pense que estou dando uma de difícil, esperando que se jogue aos meus pés, eu nem acredito que você me acha interessante -criei coragem para encostar a mão no rosto dele.
-Olha pra você -agarrou uma mecha do meu cabelo. -fora do comum seria te olhar e não sentir vontade.
Gabriel exala tudo o que eu desejo, tudo o que Lucas nunca teve, quero tanto sentir, provar.
-É que é você, sabe? -estreitou os olhos. -o irmão da minha melhor amiga, o garoto que todas as minhas amigas eram apaixonadinhas na adolescência, inalcançável.
-Mas eu to tão perto de ti agora -isso com certeza não era uma conversa para estar acontecendo no meio de uma escada. -isso não tem mais nada haver com a Dhiovana ou com o que já aconteceu, somos só eu e você. Nós dois queremos, por que resiste tanto?
-Por que não sei o que pode acontecer caso a gente fique -gesticulei com as mãos. -não me entenda mal, mas e se você não quiser mais olhar na minha cara.
-Está se ouvindo? -apertou a mão no meu braço, não o suficiente para machucar. -é você, Anna Júlia, isso nunca aconteceria.
-Só não quero que as coisas fiquem estranhas entre nós.
Gabriel sorriu de novo, agora mais suave, mais íntimo, de canto.
-Se ficarem, a gente resolve depois. -o indicador raspou na minha bochecha.
Tudo parecia estar em slow motion , um barulho ficando cada vez mais próximo me trouxe de volta, eram os saltinhos de rose batendo na madeira do chão, Gabriel suspirou pesado.
-Boa noite, crianças -parou ao pé da escada. -até amanhã e juízo. -aproveitei o momento de de distração para passar por debaixo no braço dele.
Rose saiu e fechou a porta atrás de si, eu já estava indo em direção a cozinha.
-Nossa conversa não acabou -apressou o passo até estar ao meu lado.
-Podemos jantar primeiro? Ai continuamos.
Quase cruzei os dedos para que ele não viesse contrapor. Eu sabia que não iria conseguir mais adiar aquilo e eu nem sei se realmente quero.
Não esqueçam de deixar a estrelinha
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𝙄𝙍𝙍𝙀𝙎𝙄𝙎𝙏Í𝙑𝙀𝙇, 𝘼𝙉𝙉𝘼 𝙅Ú𝙇𝙄𝘼 | 𝙂𝘼𝘽𝙄𝙂𝙊𝙇
Fanfictionvocê foi o amor mais bonito que me aconteceu. Indiscutível, indescritível e predominante
