Capítulo 14

416 30 25
                                        


"Quem te ver passar assim por mim, não sabe o que é sofrer"-Anna Júlia

Gabriel Barbosa

Anna Júlia não era apenas a melhor amiga da minha irmãzinha, nem a patricinha assumida escondida por trás de um rostinho meigo e bonito ou a criança que já sabíamos que quando crescesse faria todos os garotos se derreterem aos seus pés.

Anna Júlia era inteligente, dona de uma personalidade absurda e um humor inigualável, sabia conversar sobre tudo e conseguia fazer com que todas as outras garotas se tornassem entediantes se comparadas com ela.

Nunca esteve nos meus planos nutrir alguma coisa pela garota, por menor que fosse, um interesse mínimo dentro de um desejo incontrolável, eu queria experimentar, ter, saber como ela era.

Rodei o boné na cabeça colocando a aba para trás, ouvindo alguém descer as escadas, Fabinho com a cara enterrada no celular.

-Já tá todo mundo lá -parou na minha frente. -eu vou indo e você espera a Anna.

-ela tem certos problemas com horário -ele deu de ombros ainda de olho no celular. Isso é mulher, certeza.

Minha irmã ainda estava em Santos, voltaria na segunda, se estivessem as duas aqui, o atraso seria ainda maior, por que elas eram idênticas em tudo, indissociáveis, não existia Dhiovana sem Anna Júlia e vice-versa.

Bati o pé na mesinha de centro inquieto, blue paradise já devia estar lotado, a casa noturna ficava localizada na praia do Leblon, não era pra menos. O espaço onde iríamos ficar já estava reservado, entretanto, quanto mais tarde sairmos, pior o trânsito e a gatinha não está com nenhuma intenção de facilitar.

Olhei a tela do celular mais uma vez e quase pulei do sofá quando ouvi passos na escada.

minha nossa.

Era tão pouca roupa que minha boca secou.

-Estamos atrasados né? -parou pertinho de mim.

-Nem tanto -estamos muito atrasados.

-Foi sem querer, eu me perdi no horário -saiu na minha frente indo em direção a porta.

A saia dourada em crochê firmada no limite me deixou sem palavras; tenho certeza que, após algumas voltinhas, vai vazar alguma coisa e ela só tinha uma calcinha de biquíni por baixo daquilo. A parte de cima também dourada deixavam seus seios empinadinhos, fazendo o contorno perfeito; o cabelo em ondas caía pelos ombros até abaixo do peito. Ela levou a sério isso de festa na praia.

-acha que devo tira as havaianas e colocar outra coisa? -Anna Júlia perguntou assim que entramos no carro, fez um barulhinho com os dedos no painel, esperando uma resposta.

-Acredite, a última coisa que vão olhar serão seus pés -o cheiro dela já havia tomado conta do ambiente.

O silêncio entre nós era marcado por uma tensão tão evidente quase palpável. Cada vez que eu olhava para ela pelo retrovisor do carro, mais sensações me atormentavam, tão próxima e tão irresistível.

Eu queria avançar, quebrar todas as barreiras que eu nem sabia se ainda existiam entre nós. É que com ela é diferente, Anna Júlia é mais delicada, não adianta pressionar.

Paramos no sinal, ela acendeu a luz e baixou o espelho a sua frente.

-Meu gloss está borrado? -olhei pra ela confuso.

-Tá tudo certo aí. -me mostrou um sorriso

Bom, eu não sabia o que era um gloss, mas seja lá o que for, nada nela parece estar borrado, pelo contrário, tudo se encaixava perfeitamente. Voltamos ao modo anterior, iluminação apenas dos faróis dos outros carro que passavam.

-Eu viveria aqui facilmente, de Flamengo e Praia, não precisaria mais nada. -sorri com o comentário.

-Vai no jogo de quarta? -balançou a cabeça em confirmação. -usa uma camisa com meu nome -pedi em tom descontraído.

-Uma coleira com seu número também seria legal, o que acha? -brincou.

-Tentador -torci o nariz. -to falando sério, olhos lindos, você nunca veste camisas do Flamengo que te relacionem a mim.

-Quer me ver em um estádio lotado usando uma camisa com o seu nome? -concordei. -vão dizer que sou seu novo casinho.

-Sabem que você é amiga da Dhiovana.

-melhor amiga -corrigiu, foi engraçado. -mas não ver que é ainda pior, por que todas as amigas dela são apontadas como suas ficantes e sabemos que isso não é só história.

-Todas não, tem uma que não tá facilitando nadinha. -meu Deus, eu adorava quando ela ficava sem jeito.

-você não presta nem um pouquinho né -balançou a cabeça negando.

-Fala sério, tu se amarra. -fez um barulhinho com a garganta.

Estiquei um pouco o braço fazendo menção de tocar em alguma parte, a pele deve estar tão quente, macia. Aproveitei quando ela ligou o som colocando na rádio local, batuquei na perna dela, era só um pretexto, parei segundos depois, espalmando a mão e fechando em uma parte da coxa.

-Eu quero isso tanto quanto você -colocou a mão em cima da minha. fiz círculos com o polegar no joelho dela, a voz quase em um sussurro, revelando mais do que pretendia.-mas não quero algo combinado, tem que ser naturalmente.

"Naturalmente" não era bem o que eu ouvia quando estava afim de alguém, sempre fui o tipo de cara que fazia as coisas acontecerem no momento que eu queria.

Apertei a coxa dela que se remexeu no banco.

-Não tenho problema nenhum em esperar, sabia? só não insisto a vida inteira.

-Desculpa se deixei a entender isso, que queria você atrás de mim o tempo todo, essa nunca foi a intenção.

-Eu só quero dizer que... -fiz uma pausa, subindo um pouco a mão, tocando a barra da saia dela, meu corpo esquentou, Anna Júlia suspirou pesado.- estou deixando você decidir o que quer fazer. Eu sou bom em esperar... mas não sou bom em ser ignorado.








 mas não sou bom em ser ignorado

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
𝙄𝙍𝙍𝙀𝙎𝙄𝙎𝙏Í𝙑𝙀𝙇, 𝘼𝙉𝙉𝘼 𝙅Ú𝙇𝙄𝘼 | 𝙂𝘼𝘽𝙄𝙂𝙊𝙇Onde histórias criam vida. Descubra agora