Capítulo 14

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POV DO BAZ

Em uma coisa, pelo menos, os dois tiveram sorte: não eram todos os quartos que acomodavam duas pessoas, a maioria deles alojava grupos.

Quando Baz retornou do jantar, Simon estava inquieto, sentado na cama, claramente esperando por ele. Era bom vê-lo, no entanto, seus órgãos internos pareciam em estado de alerta, como se aguardassem o próximo golpe. Ele se arrependeu de ter comido a última garfada.

— O que foi, Snow? — a expressão de nervosismo dele estava afetando Basil.

— Quero falar uma coisa — Céus... — Preciso falar.

— Certo.

— Tipo, eu sei o que eu disse, e é verdade! Totalmente verdade! Mas... — Snow havia caminhado até Basil. O loiro engoliu em seco, o pomo-de-adão construindo todo o drama da cena diante dos olhos do outro. Será que algum dia essa tortura acabaria? — Mas não falei pra te pressionar ou.. ou, sei lá... te fazer escolher aquela opção, ou te manter nisso... — ele engoliu novamente. — Você ainda pode mudar de ideia, Baz. Ainda dá tempo. Se for o melhor pra você.

— Você acha que estou indeciso?

— Eu... acho que aconteceu muita coisa. Você tinha falado que era muito pra processar, e agora tem mais...

— Não vou mudar de ideia, Simon — seus olhos azuis vasculharam o rosto de Basil, que respirou profundamente, atenuando sua feição.

— Vou entender se mudar.

— Você esqueceu o que eu disse naquela noite? Não vou a lugar algum.

— Isso foi antes...

Simon. Eu já me decidi — nem notara a aproximação deles, contudo, seus dedos já se entrelaçavam nos de Snow. — Escolhi você — isso não mudaria; precisaria de uma guerra para que mudasse. Talvez nem com uma guerra. — Você quer mudar de ideia?

Não! — Simon pareceu exasperado por um instante, mas respirou e engoliu para se recompor. Isso era novidade. — Não, Baz — e então ele terminou com o espaço entre suas bocas. Suave como uma pluma.

— O que te fez exercitar o cérebro tanto assim?

— Encontrei minha família hoje. Conversamos um pouco.

— Falou de mim para suas mães? — Sua sobrancelha subiu e Snow abriu um sorrisinho.

— Difícil é saber quando eu não falo de você pra elas.

— Não sei se devo ficar lisonjeado ou apavorado.

— Nem eu. Mas quando elas te conhecerem de verdade vão gostar de você — o futuro contido naquela sentença deixou Basilton tonto. — Você tá bem? Não consegui assistir a partida inteira, mas o primeiro tempo foi...

— Desastroso? Marcus me substituiu depois. Vencemos, é o que importa.

— Baz... — seu olhar azul oscilou, o coração de Basilton também. — Tem certeza que quer...?

Snow!

— Certo! Desculpa. Eu tô preocupado! Se eu não tivesse-

— Para de se culpar! Você não é nenhum vilão, Simon. Vai ficar tudo bem. — Tinha que ficar, de alguma maneira. — Se te consola, esse já era meu destino, de qualquer jeito. Era isso ou morrer sozinho, Snow — Simon engoliu, pela milionésima vez.

Baz sentiu coisas demais ao longo daquele dia; estava exausto de raciocinar, de tentar esconder o que sentia, tudo que conseguia pensar agora é no quanto gostaria de morder aquele pescoço. Suas mãos contornaram a cintura dele, firmes.

beijos olímpicosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora