A insolência de um benfeitor

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— Aí, preciso de um favor.

Emily tirou os olhos do mural da escola, no outro dia, e os direcionou para o rapaz ao seu lado, surpresa. O sinal para o intervalo mal havia tocado e ela pensava na possibilidade de entrar para o grêmio estudantil, anunciado há pouco tempo na sala. As informações para inscrições estavam no mural e ela ficou lendo antes de Davi interrompê-la. 

Então,  olhou em volta e viu que já não havia quase nenhum aluno pelo térreo. 

— Favor? Pra quê? 

Davi suspirou. 

— Se inscreve no grêmio comigo. 

Ela arregalou os olhos.

— Por quê?

— Todo ano eu me inscrevo e nunca ganho, porque sempre fico em equipes de imbecis que só têm ideias ruins. Esse ano quero que seja diferente. Você é popular e parece inteligente. Acho que vai dar certo. Aí, a gente procura outra pessoa pra completar. O que cê acha? 

— E aquela história de a gente não ser amigos?

— Não somos, ué. Essa nem é a intenção, quero que você seja tipo uma colega de trabalho. Seria um lance profissional, sacou? Gosto de participar dessas coisas e ninguém da nossa sala se interessa muito por isso. Na real, até deixo você escolher a terceira pessoa pra entrar e nem faço questão de ser o presidente. Posso ser o vice, sei lá. 

Ela olhou em seus olhos opacos e pensou no assunto por alguns segundos. Ia recusar a oferta, por medo de ser vista por aí com um fumante. Porém, algo nela não permitiu que ela recusasse. Pensou que esse seria o único jeito de manter o garoto frequente na escola

— Tá bom. Eu topo.

— Beleza. Tenho umas ideias anotadas no meu caderno. Quando encontrar a terceira pessoa, me avisa e a gente faz uma reunião. 

— Ok. 

Quando o garoto sumiu no jardim dos fundos, Emily foi para o refeitório. Encontrou-se com Mikaela por lá e lhe contou tudo o que aconteceu nos últimos dias. No fim, acabou por convidá-la para entrar no grêmio e ela aceitou, super animada. 

No fim das aulas, Emily apresentou Davi para a amiga e ficou em choque quando descobriu que a menina tinha uma queda por ele havia meses. Acabou aconselhando a menina a não fazer nenhuma bobagem. Quanto a isto, Mikaela apenas respondeu:

— Relaxa, Emy. Garotos como o Davi, são pra beijar um pouco e jogar fora depois. 

Emily não concordou, mas também não teve argumentos para refutá-la na hora. Acreditava que nenhuma pessoa era descartável. Cada alma valia para Deus, não importava o quão suja estivesse. Ora, crescera na igreja, vira muitos milagres acontecerem. Então, por que Deus não mudaria a história de Davi também? 

Começou a pensar que… talvez, houvesse um plano divino nisso tudo, que o garoto não estava ali no acaso. Embora não soubesse o que Deus queria em relação a ele, propôs-se internamente a ajudar o menino no que fosse preciso. 

💄

Victória encarou os números em seu caderno como se fossem um código que precisasse ser decifrado por um cientista e ela fosse leiga no assunto. Era sábado de manhã e ela precisava fazer o dever de matemática para mostrar ao professor na segunda-feira. Lição de casa é um saco, pensou. Era ainda pior quando se tinha consciência de que sua prima estava no andar de cima, tomando um longo banho para sair com Eric. Como isso aconteceu? O mal entendido que causou não deu em nada. Emily passou dias tagarelando com ela e com Monique sobre o tour que faria pela cidade. Victória, por outro lado, esteve tão ocupada com os deveres da escola que nem pensara em um plano para impedir os dois de saírem. 

A Vilã [Editando]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora