Emily estava fazendo o jantar, como de costume, quando a campainha tocou. Passara quase o dia todo dormindo após chegar da escola, sequer almoçara. Mas lembrou que Monique sempre chegava cansada do trabalho e não havia comida pronta na geladeira.
Ela terminou de jogar um pouco de salsa numa panela de feijão e limpou as mãos no avental que usava. Foi até a porta e não se importou em aparecer no portão com os cabelos cheios de frizz e o avental sujo de colorau.
Abriu o portão e permaneceu inexpressiva ao ver Eric parado lá. Sentiu como se finalmente entendesse toda apatia de Davi. A vida não tinha cor mesmo.
— Oi — disse o garoto, abraçando-a. Preocupou-se porque ela não correspondeu. — Precisamos conversar.
Emily odiava essa frase, porque nunca vinha acompanhada de algo bom.
— Ok — respondeu, secamente.
Quando eles entraram na sala, Eric tirou a jaqueta que vestia, pois o ambiente estava abafado.
— Tá fazendo janta?
— Sim.
Ela foi até a cozinha e voltou para a beira do fogão. Eric se sentou numa cadeira.
— Quer ajuda?
— Por quê? Você não cozinha.
— Caramba, Emily. — Ele passou as mãos pelos cabelos, agitado. — Eu sou um babaca. Como vamos conversar com você desse jeito? Você precisa muito descansar.
Ela começou a cortar vários legumes numa tábua.
— Você não sabe do que eu preciso. Fale o que precisa falar, eu decido se isso me afeta depois.
— Mas é que… eu sinto que você tá na beira de um precipício e se eu conversar francamente com você, vou estar te empurrando dele.
— Não se preocupe. Eu já caí. Termina logo comigo e me deixa em paz.
— Como sabe que vou terminar?
— Um de nós precisa fazer isso. E já está muito claro que eu não consigo, porque sou fraca. Ou melhor, não tenho amor próprio.
Eric suspirou. Odiava a forma distante e irônica como a menina falava. Era como se sua personalidade tivesse se perdido e só lhe restou uma casca vazia.
— Não faz isso, Sweetie. Não deixa as palavras da Mikaela entrarem no seu coração. Aquela menina precisa de terapia, ela tem muitos problemas de autoestima e inveja. Muita coisa que ela falou é mentira.
Emily largou a tábua e se virou para encará-lo, uma pontada de emoção surgindo em seu rosto pálido.
— Também é mentira que você é apaixonado pela Victória?
Ele se recostou na cadeira, incapaz de encará-la. Ficou observando os detalhes floridos da toalha de mesa.
— Não.
— E também é mentira que você ia falar com ela há dois anos e que a estava paquerando de longe?
— Não.
Ela fez um som semelhante a um riso com a boca.
— Já falou tudo o que precisava. Agora pode ir embora.
— Mas eu não terminei. Vim aqui determinado a ser sincero sobre tudo, só que agora eu tô muito preocupado com você.
— Por quê? Não preciso disso.
— Porque eu amo você.
O coração dela palpitou.
— Vai embora. Não vou te deixar confundir minha cabeça. — Ela voltou a mexer nas panelas.
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A Vilã [Editando]
Fiksi RemajaVictória tinha tudo o que uma garota sempre quis: uma péssima relação com a mãe, uma péssima reputação na escola, um amor platônico por alguém que nunca olharia para ela, uma melhor amiga que sempre a colocava para baixo e um monte de traumas. Tudo...
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