Quebra de expectativa

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Dois dias depois do churrasco na casa de Eric, o rapaz apareceu na casa de Monique para conhecer os pais de Emily. Era uma noite estrelada, Victória via um filme na televisão, como sempre, e Monique estava catando feijões na mesa da cozinha. Ambas chegaram mais cedo do trabalho naquele dia, devido ao movimento fraco. 

Dessa vez, foi a própria Emily quem abriu o portão e fez o garoto entrar. Ele cumprimentou Victória quando chegou na sala, mas a garota não respondeu. Fingiu que não escutou e aumentou o volume da televisão, como se o zumbido de uma mosca estivesse lhe atrapalhando. 

Emily pediu que o rapaz ignorasse a falta de educação da prima e eles foram direto para a cozinha. Lá, Eric conheceu Monique e ela o encheu de perguntas sobre sua vida. Conforme ele respondia a todas, a mulher simpatizava cada vez mais com ele. Depois disso, Emily o conduziu para a área da lavanderia, onde ficariam mais à vontade para conversarem com os pais dela. 

Então, eles sentaram em alguns banquinhos e ela fez a chamada de vídeo. Sentia-se com o coração na mão. Eric estava tão lindo naquela jaqueta jeans e com aqueles cabelos caindo sobre a testa que ela quase esqueceu onde estava. Não parecia justo uma pessoa ser tão encantadora assim, ainda mais com aquele perfume amadeirado bem característico dele. 

— Quando eles atenderem, eu apareço sozinha primeiro, tá? — ela explicou. — Só pra não assustar eles também, né? 

— Beleza. 

Depois de umas três chamadas, o rosto de Mônica apareceu na tela do celular. Emily sorriu e a cumprimentou, tentando passar alguma confiança. 

— Você esqueceu da mamãe? — perguntou a mulher. — Faz dias que não fala comigo. Já tá se tornando paulistana, é?

Emily suspirou.

— Desculpa, mãe. Os dias estão corridos. Tenho novidades.

— Deve ter mesmo. Me conta, quero saber de tudo.

— Antes de qualquer coisa, o pai tá aí?

Mônica suspirou.

— Claro, né? Seu pai está sempre em casa, ainda mais nesse horário. 

— Pode chamá-lo? Ele nunca me liga e não aparece nas chamadas.

— Ah, meu amor. Você sabe como ele é com tecnologias, nunca se acostumou com elas. Mas agora ele está trancado no escritório, lendo um livro sobre escatologia. Nunca vi um homem tão obcecado com a bíblia. — Mônica sorriu enquanto falava. 

Emily coçou a nuca.

— Então, eu queria apresentar uma pessoa pra vocês. Um amigo. 

A mãe ergueu uma sobrancelha, em curiosidade.

— Por um acaso é essa pessoa que tá do seu lado agora?

— Como a senhora sabe?

— O cotovelo dele tá aparecendo, filhota. 

Emily bateu a mão na testa e se sentiu corando. Enquanto isso, Eric sussurrou um “foi mal”, parecendo sem graça. Então, a garota virou um pouco o celular para ele, de modo que os dois ficassem em foco na câmera. 

— Mãe, este é Eric. 

Ele ergueu uma mão, acenando.

— Como vai, senhora?

— Oi, jovem. Minha filha está dando muito trabalho em São Paulo?

O garoto riu.

— Tá nada, ela é um amor de pessoa, senhora. Na verdade, eu não sei como ela me suporta. — Emily lhe deu uma leve cotovelada.

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