As verdades de Davi

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Emily amanheceu com uma dor terrível nas costas. Nunca dormiu em um sofá tão duro em sua vida. Colocou o celular para despertar seis da manhã e a primeira coisa que fez foi tentar encontrar uma padaria por perto. Talvez, vendessem café por lá. Com uma sorte enorme, Emily voltou para o apartamento carregando uma sacola de pão francês, um pacote de café, açúcar e algumas frutas. Depositou tudo na mesa da cozinha e começou a preparar as coisas. Decidiu não ir à escola. Estava quase tudo pronto para o café-da-manhã. Emily colocou um louvor para tocar baixinho no celular e começou a organizar várias xícaras sobre a mesa. Colocou as frutas cortadas em um pote e o deixou lá também. Levou um baita susto quando se virou e bateu os olhos na entrada da cozinha. 

Davi estava parado como um zumbi, coçando o olho e fazendo uma careta. Na mente dele, havia morrido e este era o paraíso, desfilando pela cozinha de sua casa, os cabelos ruivos presos num coque bem no topo da cabeça, com vários fios escapando, a mesa cheia de comida que ele nem lembrava de ter visto antes. É, eu fui de arrasta mesmo. Podia jurar que estava até ouvindo uma música que dizia “tu és Santo” e sentindo o cheirinho de café feito na hora. 

Caramba, eu peguei muito pesado ontem. E mesmo assim tô no céu? 

Emily sorriu, com uma frigideira nas mãos.

— Bom dia. 

Davi sentiu como se o mundo inteiro tivesse se iluminado com aquele sorriso. Depois, esfregou a mão toda no rosto. Aparentemente, seus delírios não tinham limite.

— Fiquei tão chapado que já estou tendo alucinações, não é possível. Você não tá aqui de verdade, Emily. Diz pra mim. 

Ela soltou a frigideira no fogão e colocou um pão aberto ali, antes de acender o fogo.

— Como se sente hoje? — perguntou. 

— Destruído. 

— Imagino.

Ele se aproximou e se jogou numa cadeira. Depois, olhou para Emily como se ela fosse maluca.

— Desculpa, mas… o que é tudo isso? — De repente, ele arregalou os olhos. — Ai, meu Deus! Não me diga que a gente transou.

Emily sentiu o rosto esquentar.

— Não! Qual o seu problema? Por que eu dormiria com você, menino? Meu Deus, tá repreendido. 

— Ah, que susto. Mas é que… eu tô tentando encontrar uma explicação pra sua presença na minha casa e não tô conseguindo. Será que minha mente já ficou tão alucinada que tá criando essa situação toda? Porque olha, eu estaria de parabéns pela criatividade, sinceramente. 

— Tô cuidando de você. 

— Você quebrou sua palavra.

— Qual?

— Disse que não ia aparecer na minha casa do nada. 

— Ei, não foi do nada. Não tinha nada aqui, saí pra comprar. E sobre ontem, você me ligou e pediu ajuda. Você nem conseguia andar, eu e o motorista do uber te arrastamos pra cá e eu dormi aqui, no sofá. Foi bem desconfortável, mas tá tudo bem. Sou jovem e minhas costas vão melhorar logo.  

Ele ficou balançando a cabeça enquanto o rosto ficava vermelho. 

— Tá tudo errado, cara. Eu te coloquei em perigo, me desculpa, sério. Não sei qual o meu problema. Nem me lembro de ter te ligado. 

— Entendo. 

— Passei o dia irritado com você. Nem sei porque te liguei. 

— Tudo bem, eu queria até te pedir desculpas pelo tapa. Não sou assim, nunca fiz uma coisa dessas. É muito difícil eu perder a calma desse jeito. Me senti super mal. 

A Vilã [Editando]Onde histórias criam vida. Descubra agora