Um dia no Ibirapuera

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— Pensei que a gente fosse alugar bicicletas — Emily comentou, assim que ela e Eric atravessaram o portão dez do Parque Ibirapuera e passaram pelo Ibira Bike, próximo a uma pista de ciclistas. Até então, a garota olhava para os lados, o verde das árvores formando um pequeno contraste com o verde da grama. O céu azulado, com poucas nuvens e um vento suave atravessando as pessoas. 

— A gente volta aqui depois. Primeiro quero te mostrar uma coisa — Eric argumentou e eles seguiram caminho, passando por algumas pessoas que riam e conversavam animadamente. 

Eles passaram por um estacionamento quase vazio e seguiram na direção do Museu de História e Cultura Afro-brasileira. Depois, entraram numa pista de pedestres e caminharam por um tempo.

— Então, você vem sempre aqui? — Emily perguntou.

Eric deu risada.

— Uma cantada a essa hora do dia, sweetie

A menina arregalou os olhos e sentiu o rosto enrubescendo.

— Perdão. A pergunta soava melhor na minha cabeça. Eu perguntei literalmente. Nossa, sou péssima nisso. Não era pra ser uma cantada, eu só…

— Ei, relaxa. 

— Queria enfiar minha cabeça na areia agora.

— E por que esconderia um rosto tão lindo? 

Ela piscou. 

— Nossa, não sei nem o que falar. Pra onde estamos indo?

— Você vai ver. — Eric enfiou uma mão no bolso. — A última vez que vim a esse parque eu tinha quinze anos. Estava com meus pais e irmãs. Brenda reclamou o tempo todo dos insetos, Letícia queria brincar na água e toda hora tínhamos que ficar de olho nela, porque não podia entrar no lago e a menina nem sabe nadar. — Enquanto ele falava, Emily avistou um prédio redondo do outro lado de um gramado, meio à distância. 

— O que é aquilo? — perguntou, apontando. 

— O planetário.

— Sério? Já foi lá?

— Uma vez, é bem divertido. Um dia, podemos voltar aqui e ir até lá. — Emily assentiu. Então, Eric prosseguiu com seu relato: — Enfim, meu pai comprou sorvete pra todos nós e tiramos muitas fotos. Esse parque é muito grande, não dá pra aproveitar tudo num dia só. Teríamos que voltar mais vezes, fazer um tour de cada vez. 

— Eu também frequentava parques em Santos, mas com amigos e minha mãe. Eram dias divertidos. 

— E seu pai? 

Ela deu de ombros.

— Meu pai nunca gostou dessas coisas. Acho que não gosta de nada, na verdade. Ele é pastor da nossa igreja e desde que me entendo por gente, a vida daquele homem é ir pros cultos e pro trabalho. Os momentos de lazer dele sempre são em casa. 

— Ah, é? E o que ele faz? Digo, no trabalho.

— É contador. 

— Parece chato.

Ela sorriu.

— Você não faz ideia do quanto. Enfim, ele se tornou pastor uns anos depois de fazer faculdade. Mas nunca sai com a família. Já perdi a conta de quantas vezes minha mãe implorava pra ele. — Suspirou e encarou a paisagem. Viu um lago enorme à distância e deduziu que estavam indo até lá. — Você tem sorte de fazer passeios com a família toda, sabia?

Algo mudou na expressão do rapaz e ela se perguntou se havia dito algo errado.

— Eu tinha, né?

— Por quê?

A Vilã [Editando]Onde histórias criam vida. Descubra agora