O roubo do chaveiro

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Victória se imaginou presa em um daqueles filmes de terror em que não conseguia fugir. Olhou para o casalzinho feliz na mesa do refeitório da escola e se sentiu enojada. Afastou o suco que bebia, porque não conseguia mais tomá-lo. Viu quando Emily deu risada de algo que Eric falou em seu ouvido. Estavam tão próximos, tão unidos...

Queria que aquele pedaço do teto desabasse sobre eles.

— A gente precisa agir! — disse Brenda, em tom alto, batendo na mesa ao se aproximar. 

Victória piscou e quase pulou de susto, o coração batendo forte no peito.

— Faz isso de novo e eu quebro a sua cara, pirralha. Aliás, é melhor você ir pra sua sala antes que algum inspetor te flagre. Seu intervalo já passou, mas parece que você adora se meter com o povo do terceiro ano, né? 

Brenda revirou os olhos e se sentou na sua frente, tampando a visão do casalzinho. 

— Dane-se. Tô nem aí pro meu intervalo, parece que só tem criança no primeiro ano. Chega a ser ridículo. — Bufou. — Faz uma semana que Eric tá namorando aquela sonsa e eu já quero arrancar meus olhos. Por favor, Vic. A gente tem que fazer alguma coisa. Não entendo como você pôde deixá-los em paz tão fácil. Reage! Você sabe que a Maligna nunca deixaria um negócio desses acontecer. 

— Não tem nada que eu possa fazer. Se tentar qualquer coisa contra Emily, seu irmão vai voar no meu pescoço e a última coisa que eu quero agora é ter qualquer tipo de interação com ele. 

— Ah, então esse é o problema? Quando vai superar aquele beijo?

Victória arregalou os olhos.

— Combinamos de nunca tocar nesse assunto. 

— Mas a gente precisa, Vic. Você mudou muito desde aquele dia. Até quando vai ficar evitando meu irmão por causa disso? 

Eu tô evitando? Seu irmão te contou que quando foi pedir minha priminha em namoro fingiu que eu nem existia? 

Brenda cruzou os braços.

— Não foi assim.

— Claro que foi. O babaca nem me cumprimentou.

— Isso não significa nada. Como eu saberia que você tava de moletom e cabelo molhado? E como eu saberia que sua cara tava péssima? Sei até a cor dos chinelos que você usou no dia.

— Para.

— Eram pretos. 

O coração dela disparou.

— Seu irmão é doente, precisa se tratar. Sério. 

— Só tô dizendo que ele te viu, Vic. Ele sempre olha pra você. 

Ela coçou a nuca, desconfortável.

— Talvez haja outras formas de acabar com Emily e que não tenham nada a ver com Eric.

— Ah, relaxa. A gente dá um jeito. Falando nisso, você tá de folga hoje?

— Sim. 

— Quer almoçar lá em casa?

Victória estreitou as sobrancelhas.

— Por que eu faria isso?

A menina deu de ombros.

— Vou ficar o dia todo sem fazer nada. Achei que seria legal ter companhia. A gente pode aproveitar pra elaborar um plano que vai acabar com Emily.

— Se dermos um jeito de fazê-la voltar pra Santos, já vai ser uma vitória. 

A Vilã [Editando]Onde histórias criam vida. Descubra agora