Victória coçou o olho e encarou a prima, meio apática no começo. Depois, um sorriso de lado se formou em seus lábios.
— Então, finalmente a máscara tá caindo, né?
— Não sei do que você tá falando.
— Ah, tá. Não me diga que a noite está linda e você resolveu tomar um ar pra fora da janela. — Victória entrou no quarto e sentou na cama. Começou a balançar as pernas como uma criancinha, obviamente divertida com a situação embaraçosa. — Me diz, você tá saindo ou tá voltando? — perguntou, os olhos brilhando de diversão.
Emily suspirou.
— Estou indo.
— Pra onde?
— Resgatar um amigo que tá com problemas.
— Quem? O nóia?
— O nome dele é Davi.
— Tanto faz. — Victória deu de ombros, os braços cruzados. — Beleza, e o que eu ganho pelo meu silêncio?
Emily franziu as sobrancelhas.
— Como assim?
— Estou disposta a não falar nada pra minha mãe, você pode sair e fazer o que der na telha, mas vou querer algo em troca.
— O que você quer?
Ela levantou e se aproximou da janela.
— Vai pintar seu cabelo de preto.
— Hã?
— É isso mesmo o que ouviu. Quero o seu cabelo preto até eu falar que já pode voltar à cor original.
— Mas… isso não faz sentido. Você poderia me pedir qualquer coisa mais importante.
— Acontece que pra mim — ela segurou a ponta de uma mecha do cabelo dela —, a cor do seu cabelo importa.
Por que não pediu para ela ir embora da cidade? Emily fechou os olhos por um momento, sentiu que precisava correr o mais rápido possível e a prima estava atrasando tudo.
— Tá, tá bom. Agora eu preciso mesmo ir, não posso perder mais tempo.
— Caramba, esse garoto é mesmo importante pra você, né?
Emily colocou a outra perna para fora da janela e se equilibrou no parapeito. Tentou puxar na mente um versículo para dizer à prima.
— Ninguém tem maior amor do que este: dar a sua vida pelos seus amigos. Está em João 15:13. Tenta ler depois, já que você adora um livro. — Ela fechou a janela, sem esperar que a prima dissesse ou entendesse algo. Acabou quase sem apoio para os pés e em algum momento teve que saltar de onde estava. Fez um leve rasgo na calça, mas conseguiu correr até o portão. Abriu-o e tentou fechá-lo de modo silencioso.
A rua estava quieta, mas ela saiu correndo, sem parar para observar muita coisa ao redor. Quando chegou na rua que Davi falou, fez uma pausa para respirar. Depois, tomou coragem e entrou naquele lugar medonho. Andou bem mais do que na outra vez em que esteve ali, confiante de que Deus a protegeria. Não conseguia raciocinar muito bem, sabia que sua atitude de sair assim foi errada e precipitada, mas seu coração se encheu de medo que o pior acontesse com Davi. E se ele fosse morto e ela se sentisse culpada por não ajudá-lo?
Emily foi se aproximando de uma espécie de casa noturna mal iluminada, o som do funk estava tão alto que balançava as janelas escuras do local. Viu a silhueta de uma pessoa estendida no chão. De primeira, pensou que fosse um mendigo. Ao se aproximar, ouviu a pessoa gemendo e tentando se levantar, mas sem sucesso. Ouviu uma tosse e soube que a pessoa era Davi. Então correu e se agachou ao seu lado, ficando de joelhos no chão.
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A Vilã [Editando]
Ficção AdolescenteVictória tinha tudo o que uma garota sempre quis: uma péssima relação com a mãe, uma péssima reputação na escola, um amor platônico por alguém que nunca olharia para ela, uma melhor amiga que sempre a colocava para baixo e um monte de traumas. Tudo...
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