— O que vai fazer com essas latas de tinta? — Emily perguntou para a prima no outro dia. Acabara de sair do banheiro depois de um longo banho e encontrara Victória no quarto, arrumando os materiais da escola, com duas latas de tinta spray.
Victória ergueu uma sobrancelha.
— Não te interessa. — Ela fechou o zíper, pendurou a mochila em um ombro só e passou por Emily na porta, quase esbarrando na menina.
Então, Emily se arrumou às pressas, sentindo que sua prima estava prestes a aprontar alguma coisa. Quando desceu as escadas, ouviu o portão se fechando e correu mais ainda. Sabia que Victória odiava ir acompanhada para a escola, então a observou de longe, pelas ruas, como se não a conhecesse, ambas há mais de cinco metros de distância.
Ao ver a prima se aproximar dos portões da escola, Emily percebeu uma multidão de alunos ali. Victória se encontrou com Brenda, ambas se agacharam e abriram suas mochilas. Emily parou de andar e observou a cena de longe, as sobrancelhas franzidas. Alguns colegas ainda passaram por ela e a cumprimentaram. Ela sorriu e acenou para todos.
Brenda tirou um objeto quadrado e vermelho da mochila. De longe, não dava para ver o que era, ainda que Emily estreitasse os olhos. Enquanto isso, Victória pegou as latas de tinta. Elas ficaram de pé no exato momento em que o sinal tocou e os portões se abriram. Trocaram um olhar meio sugestivo entre si. De repente, ouviu-se o som de uma guitarra bem alta, seguida por uma bateria estridente. Vários alunos sobressaltaram e ficaram se olhando para descobrir de onde vinha o barulho. Então, sem mais nem menos, Victória ergueu as latas de spray, cada uma em uma mão, e começou a espirrá-la em todo mundo que estava ali.
Emily arregalou os olhos e cobriu a boca com a mão.
— Que maluca! Ela quer ser expulsa? — perguntou para si mesma.
Foi uma correria infinita de vários alunos. Victória e Brenda conseguiram abrir um corredor para passarem no meio da multidão, enquanto jogava toda aquela tinta vermelha e verde sobre as pessoas. Emily foi se aproximando devagar para a tinta não pegar nela, principalmente, porque estava de roupa nova.
Quando entrou na escola, tanto o chão quanto as paredes pareciam pintadas com sangue. Victória e Brenda subiram as escadas da ala leste, ainda com toda aquela porcaria. Curiosa, Emily não foi para a sala dela, mas resolveu seguir a prima para ver onde aquilo tudo ia dar. Descobriu que o objeto que Brenda carregava era um rádio muito potente, com aquela música absurdamente alta. Por incrível que pareça, uma multidão começou a seguir Victória também, mesmo sujos de tinta.
A garota foi até o pátio interno no último andar, ainda abrindo caminho. Subiu em um dos bancos e Brenda apertou um botão no rádio, fazendo a música cessar.
— Prestem atenção, seus otários! — a prima gritou. — Quero deixar umas coisas bem claras aqui. Eu não sei quem foi o idiota que andou espalhando pra vocês qual o meu verdadeiro nome. Mas de agora em diante, não quero ouvir ninguém me chamando por ele. Eu sou e sempre serei Maligna. E se vocês pensaram por um segundo que eu sou uma boa pessoa, estão enganados. Dei todo esse show pra anunciar que eu voltei. E quem não me chamar de Maligna, está sujeito a punições. E vocês sabem que não estou brincando.
Ela mal acabou de falar e um garoto alto, meio musculoso, olhou para a garota com raiva. Passou por Emily furioso, xingando sua prima, e estava para avançar sobre ela, se outros garotos não tivessem impedido.
— Me larga, eu vou acabar com essa vadia! — gritava ele.
— Não, mano. Ela é menina, para com isso — dizia outro garoto.
— Ela não é uma menina, é um monstro.
E se iniciou toda uma briga, uma confusão sem tamanho. Enquanto isso, Victória desceu do banco e deu de cara com o diretor. Ele gritou algo do tipo “pra diretoria, agora! As duas!”. Em seguida, ouviu-se o som de apitos e os inspetores tentando dispersar a multidão.
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A Vilã [Editando]
Genç KurguVictória tinha tudo o que uma garota sempre quis: uma péssima relação com a mãe, uma péssima reputação na escola, um amor platônico por alguém que nunca olharia para ela, uma melhor amiga que sempre a colocava para baixo e um monte de traumas. Tudo...
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