Órion ficou parado, o coração batendo descontroladamente, sentindo o calor da mordida em seu pescoço pulsar como um lembrete constante da conexão que havia se formado entre ele e Dante. Confuso, ele se viu preso em um turbilhão emocional, desejando entender o que havia acontecido, mas sem saber como abordar o assunto.
Valmont se afastou mais, sua expressão uma mistura de desejo e raiva reprimida. O silêncio que se seguiu era pesado, como se o ar ao redor estivesse carregado de eletricidade. Órion sabia que havia algo mais profundo acontecendo, algo que Valmont lutava para controlar.
- Você não deveria ter vindo a este lugar, nunca deveria ter colocado os pés aqui. - disse Dante, a voz baixa e carregada de irritação.
Órion ficou quieto, sentindo-se culpado.
Valmont fechou os olhos por um momento, a expressão de dor revelando a batalha interna que enfrentava.
- Se você tivesse mais juízo, saberia que isso não é seguro. - respondeu, seu tom desdenhoso. - Eu não posso ficar brincando de amor com você.
Órion sentiu uma pontada de desespero ao ouvir aquelas palavras. Ele queria entender Valmont, mas o medo e a frustração em sua voz o deixavam inseguro.
- O que aconteceu entre nós foi realmente real? Eu não estou sonhando ainda? - disse Órion, o coração acelerando com cada palavra.
Valmont olhou para ele, e Órion podia ver o desejo lutando contra o que parecia ser um instinto protetor.
- A realidade é mais complicada do que você imagina. Não sou um príncipe encantado para você. Não está sonhando, encare sua realidade. - Valmont murmurou, as palavras saindo como um desafio.
Órion não sabia como responder, mas sua atenção foi abruptamente desviada quando o celular de Dante vibrou em seu bolso. Ele puxou o aparelho e viu que a ligação era de alguém importante.
- É Sebastian. - murmurou Valmont, atendendo a ligação. - O que você quer?
A expressão de Valmont endureceu enquanto ouvia, seus olhos se estreitando e sua mandíbula se contraindo. Órion podia ver que a conversa era séria, e a preocupação de Valmont parecia crescer a cada palavra que ele ouvia.
- Estou indo. - Valmont disse, a voz tensa antes de desligar.
- O que aconteceu? - perguntou Órion, sentindo a urgência na voz de Valmont.
- Não é da sua conta. - Valmont respondeu de forma ríspida, mas havia um peso em suas palavras que sugeria o contrário.
A atmosfera ao redor deles mudou drasticamente. O que antes era uma discussão íntima sobre seus sentimentos agora se tornara uma preocupação sombria.
- Você não pode me afastar, Dante. Não depois de tudo o que aconteceu, eu preciso de respostas! - insistiu Órion, a determinação na voz.
Valmont olhou nos olhos de Órion, e por um momento, o mundo ao redor deles desapareceu. A tensão era palpável, e a necessidade de se conectar era mais forte do que o medo.
- Eu... - começou Valmont, mas a preocupação em seu rosto interrompeu sua fala. - Eu preciso ir. Sebastian está a minha espera.
Órion sentiu um nó no estômago. Valmont estava se afastando, e ele não sabia quando, ou se, voltaria.
- Prometa que vai voltar. - pediu Órion, a vulnerabilidade em sua voz traindo seu medo.
Valmont hesitou, a expressão dele endurecendo mais uma vez.
- Não posso prometer nada. Eu sou o que sou, e você precisa entender isso. - disse Valmont, sua voz cortante.
Antes que Órion pudesse responder, Valmont se virou e se afastou, mas não por muito tempo. Em um movimento brusco, ele se voltou e falou.
- Vamos, eu vou te dar uma carona. - disse, com um tom autoritário que não deixava espaço para discussão.
Órion, surpreso, seguiu Valmont até o estacionamento. Ele estava preparado para o que poderia ser um momento tenso, mas a curiosidade o impelia a ficar mais perto do homem sombrio que despertava nele sentimentos intensos.
Valmont parou em frente a um carro luxuoso, um modelo esportivo elegante que exalava poder e opulência. A pintura preta brilhante refletia a luz da lua, e o motor ronronava suavemente, como uma fera pronta para a ação.
- Uau - murmurou Órion, impressionado com o veículo. - Isso é... incrível.
- Entre. - disse Valmont, já abrindo a porta do lado do motorista. O tom era brusco, como se ele estivesse fazendo um favor que não queria.
Órion entrou, admirando a suavidade do couro e os detalhes requintados do interior enquanto Valmont se acomodava no banco do motorista. O silêncio entre eles era carregado de eletricidade, e a tensão que antes era apenas uma aura agora era palpável dentro do carro.
- Para onde você vai? - Valmont perguntou, ligando o motor e olhando para frente.
- Pode me levar para casa. - respondeu Órion, tentando não conversar muito.
Valmont lançou um olhar rápido para ele, seus olhos escuros avaliando a situação.
- E qual é o seu endereço? - perguntou, o tom ainda brusco.
Órion deu a Valmont o endereço, e logo o carro começou a se mover, as luzes da cidade passando rapidamente pelas janelas. A atmosfera era intensa, e a adrenalina da velocidade misturava-se à ansiedade que Órion sentia.
- Você não deve se envolver com alguém como eu. - disse Valmont, quebrando o silêncio. Sua voz era grave e cheia de advertências.
- Por que você diz isso? - perguntou Órion, desafiador. - O que você tem de tão perigoso?
- Eu sou um risco, e você não merece isso. - Valmont respondeu, o olhar fixo na estrada.
- Talvez eu queira correr esse risco. - disse Órion, a coragem crescendo dentro dele.
Valmont olhou para ele, e por um momento, a intensidade de suas emoções quase os envolveu. Mas logo ele se virou, a expressão dele endurecendo novamente.
- Isso não é um jogo. - Dante declarou, a dor em sua voz clara. - Você não sabe o que está colocando em risco.
Órion ficou quieto.
Valmont desviou o olhar para a estrada, e a conversa fluiu em um silêncio carregado. Quando finalmente chegaram à casa de Órion, Valmont estacionou o carro e desligou o motor.
- Aqui estamos. - disse ele, a voz mais suave, mas ainda com um tom sombrio.
Órion hesitou antes de abrir a porta, sabendo que cada momento contava. Ele queria mais do que uma carona; ele queria entender Dante, explorar a conexão que havia se formado entre eles.
- Dante... - começou, mas a hesitação em sua voz fez Valmont erguer uma sobrancelha.
- O que foi? - perguntou, seu tom incisivo.
- Eu só queria... saber se você vai voltar. - disse Órion, a vulnerabilidade em sua voz transparecendo.
Valmont olhou para ele, e a expressão dele era um misto de dor e determinação.
- Não posso prometer isso. Eu já te disse. - respondeu, sua voz baixa. - Não crie tantas expectativas, Órion.
E com essas palavras, Valmont se afastou, e a escuridão parecia envolvê-los mais uma vez, deixando Órion com o coração acelerado e a mente cheia de incertezas.
🧛
Eaí, leitores! Até o próximo capítulo. 👋
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Cœur Enchaîné.
VampireEm uma cidade onde as sombras parecem ter vida própria, o destino de dois homens se entrelaça por uma marca que nenhum deles escolheu. Todos sabem que existem vampiros aos arredores - alguns bons, outros mais sombrios - mas entre eles, há um que se...