Ele coça e coça e coça naquele espaço do peito, do coração.
Coça e não para, dedo por dedo, sem fim.
Rápido e mais rápido, e mais, e mais, e rápido, e mais.
Ele escava, faz do plano, o buraco, um buraco falso do metafísico.
Procurando, cavando, cavando, procurando.
E vai, e vai, e vai, e vai, e vai, ele para, ele parou, enfim, triste fim.
Suspiros. Suspiros. Arfa. Ele para. Ele parou.
As mãos calmas, tão opostas as mãos de minutos atrás.
Não há nada, não há coisa, não há força, não mais.
Foi enganoso, mentiroso, falso.
Cavou uma cratera que já estava escavada.
Ele não cavou nada, não achou.
Não tinha nada, nunca houve.
Olhou triste para o próprio peito
Furado, solitário.
Olhou pasmo, pela primeira vez, o peito.
Peito seco e cru.
E desse buraco, catou, dos cantos, dos meios, dos raios
Os pelos restantes da pele,
As massas restantes da carne,
As fibras restantes da poeira,
Da descamação do desespero da inerte angústia do viver,
Que é viver composto do desassossegante espaço da falta.
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A Poesia E A Vida De Jonas S. di Santo
Poésie"Em 'A Poesia e a Vida de Jonas S. di Santo', o autor mergulha nas profundezas da emoção humana, explorando os cantos mais sombrios da alma. Cada poema é um reflexo da intensidade das experiências vividas, capturando momentos de melancolia, amor e r...
