Capítulo 35

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Hoje era o aniversário da minha mãe e para comemorar, resolveram fazer um churrasco já que a dona Emory não quis fazer uma festa como o meu pai organizava todos os anos, escondido dela, então para não passar em branco resolveu aceitar o churrasco aqui em casa. Só vou torcer para não ter nenhuma confusão hoje.

Desci as escadas e fui em direção a cozinha, fiquei parada na entrada observando a minha mãe que estava cortando algumas verduras para a salada. Dona Emory não parecia ter envelhecido nada, só se percebia por alguns cabelos brancos que tinha em seu cabelo, mas aquilo parecia mais um charme do que o sinal da idade, ela é linda e uma mulher incrível. Por isso tenho sorte de ter Emory Grayson como minha mãe.

— Vai ficar aí me encarando ou vai vir me ajudar? Logo todos vão chegar.

— Animada?

— Eu preferia alguma coisa entre vocês e o seu pai, mas é bom comemorar com os outros da família.

— Vamos torcer para não ter briga.

— Sim. Dormiu bem? — Ela sempre perguntava isso, desde que comecei a ter aqueles pesadelos com a mulher. — Sonho bom ou pesadelo?

— Sonho bom, mãe.

— Isso é muito bom. — Mamãe limpou as mãos e me puxou para um abraço. — Eu sei que é chata essa pergunta toda manhã, mas gosto de saber para poder te ajudar.

— Eu estou bem agora. — A beijei na bochecha. — Já vai fazer três anos que aquilo aconteceu.

— Eu sei, mas às vezes eles vêm para nos assombrar.

— É.

— Eu quero participar. — Papai se aproximou e nos abraçou. — Minhas garotas lindas.

— O senhor está me esmagando. — E ele esmagou mais ainda. — Pai!

— Me deixa aproveitar enquanto eu ainda tenho tempo. — Papai não nos largou. — A sua irmã odeia meus abraços, meus beijos e que eu a deixe na porta da escola.

— Ela já é uma menina bem crescida, querido.

— Eu sei, amor, mas gosto de mimar as minhas crianças.

— Está muito sentimental, velho.

— Ai não. — Papai se afastou e colocou as mãos na cintura. — Velho não, eu ainda sou muito novo e não tenho nenhum cabelo branco.

— Tem certeza? Eu consigo ver alguns.

— Quer ficar de castigo?

— Não.

— Então pare. E você. — Ele olhou para a minha mãe que não parava de rir. — Isso não é engraçado.

— Eu também vejo uns cabelinhos brancos.

— Haha.

— Mas fica muito charmoso em você. — Mamãe disse enquanto passava a mão no cabelo do meu pai. — Tudo em você fica bem, querido.

— Verdade? — Eu queria sumir.

— Claro.

— A filha do meio está presente na cozinha. — Fiquei apontando na minha direção. — Eu ainda estou aqui.

— E?

— Pai!

— Vai preparar a churrasqueira. — Mamãe disse e empurrou o papai para fora. — Foi assim que você e seus irmãos foram feitos.

— Eu não preciso dessa informação logo cedo. — Minha mãe começou a rir. — Não tem graça.

— Você se parece comigo, mas, ao mesmo tempo, parece com o seu pai quando fala desse jeito.

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