Capítulo 44

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Eu estava no sofá da sala assistindo a um dorama e tentando não acordar ninguém. Nesse momento, estava apreciando o silêncio desde que chegamos à casa de campo da minha família, seria aqui a minha festa de 18 anos. Como não queria uma festa enorme, resolvi ser somente um jantar simples com uma festinha de aniversário, não seria nada muito grandioso e só estou fazendo isso pela dona Emory que insistiu muito.

— Eu disse que ela estava na sala. — Indie disse assim que entrou na cômodo. — Feliz aniversário. — Ela me abraçou apertado. — Minha bonequinha.

— Obrigada.

— Feliz aniversário! — Seg disse aos gritos.

— Não grite. — Mamãe disse ao meu irmão. — Os outros estão dormindo. — Dona Emory se aproximou e me abraçou apertado. — A minha menina fez 18 anos e eu ainda não acredito nisso.

— Ainda sou a sua bebê.

— Sim. — Mamãe tinha lágrimas nos olhos, mas sorria.

— Dezoito anos. — Papai estava com o cupcake. — Feliz aniversário, minha princesa. Agora faça um pedido. — Fechei os meus olhos e assoprei a vela. — Parabéns. Dezoito anos atrás estávamos nesse exato momento, preocupados...

— ... Para um caralho. — Minha mãe completou.

— Isso mesmo, querida.

— Por que estavam preocupados? — Seg perguntou.

— Nasci antes do tempo e não estava conseguindo respirar direito, então, fiquei numa incubadora na UTI neonatal por algumas horas. — Expliquei para o meu irmão.

— Nossa.

— Mas isso vem de muito antes. — Minha mãe disse e sorriu. — Desde que ela estava na barriga, lutou pela vida e está aqui até hoje.

— E eu?

— Você foi um bebê preguiçoso na minha barriga, mas fez um show quando estava fora. Não correu nenhum risco de vida como a Finn.

— Você chorava tanto. — Indie disse e fez uma careta. — Tive que passar uma semana na casa dos Torrance para poder dormir graças a você.

— Chata.

— Você não foi diferente do seu irmão, mocinha. — Meu pai disse para a Indie. — De todas as crianças dessa família enorme, a Finn foi a mais tranquila, claro que ela tinha os seus momentos de show da madrugada.

— Sim. Mas foram somente uns dois meses e depois ela dormia tranquilamente. — Mamãe disse. — Eu até achei estranho e pensava que você tinha algo.

— Eu tinha?

— Sono. — Mamãe disse rindo. — Você nunca teve cólica, nunca teve problema para evacuar.

— Era tanta fralda suja de madrugada e você conseguia ficar achando engraçado enquanto eu trocava e reclamava.

— E o seu pai reclamava muito mesmo.

— Eu tinha que reclamar.

— Mas o senhor reclama de qualquer coisa. — Indie disse, me fazendo rir com a mamãe e o Seg. — Até deve reclamar nos sonhos.

— Ela quer ficar realmente de castigo.

— Eu já sou uma mulher adulta. — Indie se aproximou do nosso pai e o beijou na bochecha. — E não moro mais debaixo do seu teto.

— Mas eu pago o aluguel do seu apartamento.

— Essa foi boa. — Seg disse enquanto ria. — Não tem como contornar essa, maninha.

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