Capítulo 23

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Eu estava sentindo um aperto no peito, uma preocupação com alguma coisa que poderia acontecer, mas não sabia o que era e isso estava me deixando um tanto nervosa. Will tentou até me acalmar e infelizmente não conseguiu. Alguma coisa de ruim estava para acontecer ou eu só estou ficando louca com esses pensamentos, muitos pensamentos negativos.

— Quando nós vamos poder participar da noite do diabo? — Seg perguntou. Amanhã vai ser a noite do diabo e como sempre vamos participar, mas as crianças vão ficar reunidas no cinema. — Eu quero poder ir com vocês.

— Quando você estiver grande. — Finn disse olhando para o irmão. — Você só tem 10 anos e ainda vai demorar um pouco, Seg.

— Mas eu quero ir amanhã.

— Qual a graça? — Indie perguntou e me encarou. — Fazer arruaça durante uma noite por causa de uma tradição que vem desde a época do biso. — Ela fez uma careta. — Isso não é engraçado.

— Eu acho legal. — Finn disse e sorriu. — Eu também queria ir, mas não iriam me deixar participar.

— Isso mesmo. — A beijei na bochecha. — Mas vocês vão se divertir no cinema.

— Todo ano é a mesma coisa. — Seg disse e saiu da cozinha esbarrando no pai.

— O que deu nele?

— Está com raiva por que não vai participar da arruaça de vocês amanhã. — Indie disse enquanto organizava as coisas dela. — Isso é tão antigo. — Disse e saiu da cozinha.

— Um quer muito participar, a outra parece odiar. — Ele se apoiou na bancada e olhou a Finn. — E você?

— Eu queria participar, mas ainda não é a minha vez. — Finn disse e sorriu, ela estava com 12 anos e a vez dela não estava tão longe assim. — O que o senhor vai aprontar esse ano?

— Não posso contar.

— E a senhora?

— Não posso contar. — A beijei na bochecha. — E você já sabe o que quer fazer quando for a sua vez?

— Ainda tem muito tempo para pensar nisso.

— Animada para o Halloween?

— Muito. — Era a primeira vez que ela ficaria somente com os amigos.

— Eu não. — Falei e a Finn riu.

— Mãe, eu não vou ficar doente novamente. — Finn disse tentando me acalmar. — Eu estou bem forte.

— Realmente. — Will concordou com nossa pequena. — Como está se adaptando com o seu novo amiguinho? — Finn estava usando óculos. — Você ficou tão parecida com a sua mãe, parecem até que são gêmeas.

— Eu estou odiando usar óculos.

— É péssimo mesmo. — Concordei com ela. — Nós temos uma consulta semana que vem para ver se você já vai poder usar o aparelho auditivo invisível.

— Assim minha orelha vai deixar de doer.

— Isso que é ruim. — Will verificou a orelha dela. — Você não quer tirar um pouco o aparelho?

— Não. Escutar sem ele ficou pior.

— O quê? — Will ficou me encarando e notei a preocupação em seu olhar.

— Ela agora só escuta se tiver com o aparelho. — O médico disse que seria normal a perda gradativa do ouvido mais danificado. –Agora já são 86 decibéis, ainda está no grau severo.

— Eu sinto muito, filha.

— Tudo bem. — Finn não se incomodava com isso. — Eu ainda tenho o direito que está bom.

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