Capítulo 29

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Eu já estava perto de me livrar do gesso e iria ficar mais uns dez dias, mas agora poderia usar as muletas e ser um pouco independente, só precisaria de ajuda para descer as escadas e também tomar banho. Ainda precisaria ficar em casa e estudar sozinha, meus pais ainda acham que é muito cedo para ir à escola desse jeito mesmo sendo acessível, eles só estavam preocupados com a minha segurança.

— Toc, toc. — Meu pai entrou no quarto e se aproximou. — Quer descer agora? Suas muletas já estão lá em baixo.

— Eu estou sendo um estorvo.

— Nada de estorvo, Finn Grayson. — Ele me pegou no colo e saiu comigo do quarto. — Você sabe que o seu pai aqui faz isso com muito prazer, você ainda é o meu bebê.

— Pai, eu já estou bem grandinha.

— Mas ainda é o meu bebê assim como os seus irmãos, mas não deixa a Indie saber que eu a chamo de bebê.

— O que eu ganho com isso?

— Como é, Finn Grayson? — Ele me colocou na cadeira em frente a mesa e me olhou indignado. — Eu escutei isso mesmo?

— O que foi? — Minha mãe se aproximou e me beijou na bochecha.

— Ela está me subornando para não contar a irmã que eu a chamo de bebê.

— É totalmente a sua filha.

— Não foram trabalhar novamente.

— Nós estamos trabalhando de casa. — Mamãe disse. — Assim podemos cuidar de você.

— O estorvo.

— Finn, você não é um estorvo.

— Mãe, eu estou atrapalhando os dois a irem trabalhar.

— Mas nós estamos trabalhando. — Papai disse e bebeu um gole do café. — E é bom mudar um pouco de lugar. O que acha de trabalhar com o papai?

— Não quero atrapalhar.

— Você não atrapalha e eu posso te ajudar com o seu dever de casa.

— E se achar que está chato ficar com o papai pode ir ficar comigo.

— Tá bom.

— Agora coma que nós temos trabalho a fazer. — Papai empurrou o prato com as panquecas. — Tem que comer para ficar forte e logo se livrar desse gesso.

Coloquei panquecas, ovos e bacon no meu prato e comecei a comer observando meus pais implicando um com o outro, eu pensei que nunca mais iria ver os meus pais desse jeito naquele dia, mas eu estava aqui com eles e não queria nunca mais ficar longe deles. Minha família maravilhosa e caótica.

Depois que terminei de comer peguei minhas muletas e segui o meu pai até o escritório dele, fiquei bem acomodada no sofá com meus livros e cadernos, peguei a lista que os professores tinham passado para eu estudar em casa e qualquer dúvida mandasse mensagem para eles, ainda bem que eu tinha o meu pai e mamãe para explicar umas coisas. O tio Kai tirava minhas dúvidas com matemática e física, tio Aydin com a biologia.

Assim que terminava alguma lição o meu pai corrigia e colocava dentro de uma pasta, ele ficou encarregado de entregar os deveres de casa enquanto eu estivesse em casa me recuperando, assim eu não ficaria atrasada da turma. Parei um pouco de fazer o dever de casa e sai do escritório com ajuda das muletas, fui caminhando até o escritório da mamãe.

— Posso entrar?

— Claro que pode. — Entrei e fui até a mesa de desenho dela. — O que achou?

— Bonito. — A parede do escritório tinha desenhos de todos. — Quem é o bebê?

— Você. — Eu estava dormindo com uma chupeta quase maior que o meu rosto, eu parecia bem tranquila no desenho. — Eu desenhei um dia depois que chegamos aqui em casa.

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