A cidade não parecia tão grande assim, mas quando se precisa achar alguém, qualquer lugar fica enorme.
Não fazia nem cinco minutos que Luffy tinha passado por todos nós e ele já havia sumido, aperto os passos, olhando em todos os becos e ruas em que ele poderia ter entrada, mas nada, parecia que havia sido uma ilusão quando ele passou por nós.
Paro abruptamente no meio da rua, olho para os lados e percebo que nem o Sanji e nem o Zoro estavam atrás de mim, em algum momento do caminho eu me esqueci que eles estavam andando comigo e devo ter me perdido deles, depois eu os procurava, eu estava preocupado com Luffy agora, e sabia também que ambos estariam atrás do Luffy, de uma hora ou outra, a gente acabaria se encontrando.
Dou mais uma olhada à minha volta, volto a caminhar para onde eu estava indo, volto a andar com o sol sobre minha cabeça e o calor fazendo o meu corpo suar.
Viro à direita, começo a me lembrar que Luffy queria ver onde o Gold. Roger foi executado, começo a andar rumo à direção da praça central, onde Roger havia sido executado.
Esbarro em alguém, peço desculpas sem olhar para o seu rosto, continuo andando, paro assim que uma movimentação perto da praça começa a chamar a minha atenção, avanço por entre as pessoas, tentando chegar mais perto para ver o que estava acontecendo.
Vejo Luffy no topo do cadafalso, olhando para baixo, ele está preso, com as mãos e a cabeça presa numa madeira, olho para os lados procurando por qualquer dos meninos ou da Nami que podem me ajudar, mas nenhum deles está perto quando eu preciso, volto a encarar o Luffy, ao seu lado, algo chama a minha atenção, a mesma risada que eu ouvia quando eu era torturada por ele.
Buggy!
Minha mente fica totalmente em branco, aquela risada faz o meu corpo todo arrepiar e tremer, tenho que ignorar aquilo para conseguir sair com o Luffy viva daquele lugar.
Começo a andar por entre as pessoas, tentando chegar mais perto do cadafalso. O tempo começa a ficar estranho, o céu, que a menos de alguns segundos estava branco, agora começa a ficar negro como a noite.
Olho sobre o ombro, para trás, Buggy começa a falar algo, mas não presto atenção, volto a olhar para frente, nesse exato momento, meu corpo tromba com alguém, olho para a pessoa, meu coração acelera.
- Cabaji! - digo o seu nome, em um tom baixo.
Ele sorri de canto, começo a me afastar dele, viro o meu corpo para correr, mas sinto o meu cabelo ser puxado para trás, solto um grito, tropeço, seguro o seu pulso, com os meus braços sobre a cabeça, ele me puxa para perto dele, pegado a minha adaga no coldre da cintura, ele coloca a ponta da adaga no meu pescoço, engulo em seco, seus lábios se aproximam do meu ouvido.
- Onde está o seu namoradinho agora, garota? - ele me questiona.
Fecho os olhos e tento soltar o meu cabelo, mas não dá certo, ele soca a minha costela com a mão em que estava a minha adaga, arco para frente, sem que ele solte o meu cabelo, ele passa uma corda por entre meus pulsos, amarrando atrás das minhas costas, aquilo doí, pois ele puxou com muita força.
Ele vira o meu corpo para ficar de frente para ele, ele segura o meu rosto com uma mão, por baixo do queixo, ele sorri de canto, ele começa a me puxar em direção ao cadafalso.
- CHEFE, OLHA QUEM EU ACHEI! - Cabaji grita, chamando a atenção de todos ali.
Tropeço contra os meus próprios pés, Cabaji não me deixa cair em nenhum momento, me concentro para ficar de pé.
Cabaji passa por todos ali, todos da tripulação do Buggy me encaram, como se eu fosse um alimento acabando de sair da panela.
Ignoro aqueles olhares e ergo um pouco a cabeça, olhando para frente. Cabaji caminha em direção ao cadafalso, a um elevador nos esperando, parecia que havia sido consertado recentemente.
A porta do elevador se fecha, logo ele começa a subir com o som da engrenagem trabalhando, Cabaji fica passando a ponta do dedo no meu corpo, tento me afastar sem ele perceber, mas é impossível.
- Achei interessante você estar usando as minhas adagas. - ele balança a adaga que antes pertencia a mim. - É para se lembrar de mim? - ele me questiona, com um tom de voz melosa.
Solto uma risada de ironia, ele fica sério.
- Faça-me favor! - olho para ele, com a cabeça virada para ele. - Eu só peguei essas adagas porque a Nami me deu, se ela pertencia a você ou não, isso não me interessa, o importante é que elas são minhas agora.
Ele fica furioso, ouço o estralo no meu rosto antes mesmo de poder reagir, minha bochecha direita arde, meu cabelo está na frente do rosto, abro a boca, movimentando a mandíbula, volto o meu rosto na sua direção, sorrio.
- É tão fraco! - comento.
Ele vai para me bater novamente, a porta do elevador se abre, olho para fora, Buggy está virado de lado perto do elevador, Luffy ainda está amarrado, Cabaji segura no meu ombro e me guia para perto da beirada, perto do Luffy.
- Minha querida! - Buggy se aproxima de mim.
Evito olhar para ele, olhando para a multidão lá embaixo.
- Você verá a execução do seu capitão de camarote. - ele fala, passando na minha frente.
Logo ele para, o vento balança o meu cabelo, jogando para trás do ombro, Buggy fica em silêncio, ele dá alguns passos para trás, continuo olhando para baixo, mas sei que ele está me analisando, ele olha para Luffy, em seguida, olha para mim.
- Parece que eu estou tendo um déjà vu? - ele se aproxima de mim, ficando a centímetros de mim. - Não é possível. - Buggy fica sério. - Não pode ser! - ele dá alguns passos para trás, parecia que ele estava vendo um fantasma. - Você é filha... - ele faz uma pausa, ergo o olhar, para finalmente encará-lo.
Franzo a testa, ele me encara.
- Eu sou filha de quem? - pergunto, fazendo ele arregalar mais ainda os olhos.
Ele dá uma risada, a risada de palhaço dele.
- Você não sabe! - ele aponta para mim.
Nego com a cabeça, ele me dá as costas, volto a olhar para frente, pensando que Buggy sabe de quem eu sou filha, mas não me reconheceu de início, nem quando me torturava.
Olho para ele, Zoro me olha de baixo, meu coração começa a bater acelerado, minha respiração fica pesada, parecia que ele estava olhando para mim do mesmo jeito, mas é só impressão.
Já disse para mim mesma, várias vezes, que Zoro nunca me verá mais do que uma simples companheira.
Desvio o meu olhar do dele, se é que ele estava me olhando, olho para os meus pés, sentindo meu coração pesar e arder.
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Um Conto One Piece
Fanfiction+16 / Abuso sexual, abuso psicológico, violência, romance. "Saber que ele nunca vai te conhecer, foi a pior decisão que você já tomou!" "Após os eventos na vila, Luffy e o Bando do Chapéus de Palhas se aventuram em novas ilhas e em novos mistéri...
