Caminho pela praia, imaginando quando tudo começou a desabar.
Quando Roger decidiu se entregar para a marinha, no dia seguinte me juntei a ele, ele ficou furioso, mas entendeu o meu lado.
Quando entrei para a tripulação dele, há muitos anos atrás, prometi a mim e a ele, que se um dia ele decidisse se entregar a marinha sem lutar, eu me juntaria a ele, e foi o que eu fiz, mais claro, não pensei que meus amigos me salvariam, fiquei com raiva deles mais não demonstrei, fingi tristeza pela morte do nosso capitão, mas a verdade é que eu estava furiosa com todos eles, queria ter morrido com o meu capitão, com o meu pai.
Lágrimas escorrem por minhas bochechas, tento segurá-las, mas não consigo. Desabo na areia ao mesmo tempo, em que minhas lágrimas caem.
Não demora muito para que eu sinta as mãos frias da minha amiga, parecia que ela estava morta, sempre pareceu, mas ela estava bem viva ao meu lado.
- Minha amiga! - ela me abraça de lado.
Nego com a cabeça, ainda chorando.
- Não era para vocês terem me salvado! - falo, baixo demais.
- O quê? - questiona, em dúvida, mas eu não sabia se era pelo o que eu havia dito ou se ela não tinha entendido mesmo.
- Vocês não deveriam ter me salvado! - falo mais alto.
- Não fala assim. - pede, se afastando de mim. - Você sabe que eu te salvaria de qualquer situação. - agora ela fala grossa.
Nego com a cabeça, olho para ela.
- Não daquilo! - vocifero.
Seus lábios estão entreabertos.
- Você está de brincadeira? - me questiona.
Volto a olhar para o mar, sinto as lágrimas escorrerem, seco as bochechas com as costas da mão esquerda.
- Não! - molho os lábios.
Ela solta um ar de desaprovação, ela se levanta, me dando as costas.
- Olha bem para mim, Hadassa! - ela volta se aproximar, a olho de baixo. - Se você quer se matar, espera eu morrer, porque só assim eu não vou conseguir te impedir, mas enquanto isso, vai ter que me aguentar.
Me levanto, mais furiosa que ela.
- Eu não quero morrer, mas eu fiz uma promessa para o nosso capitão e vocês me fizeram quebrar essa promessa.
- ELE QUE NOS DEU A ORDEM! - ela grita.
Aquilo me faz paralisar.
- Como? - não entendo.
Zhaia respira fundo, fecha os olhos.
- Um dia antes do Gol. D. Roger nos contou que ele se entregaria para a marinha, ele nos reuniu. - ela me encara. - Eu, Buggy e Shanks. - explica. - Ele nos contou sobre a sua promessa de morrer junto a ele, então ele nos implorou para que não a deixássemos fazer aquilo, então bolamos um plano com ele, para te salvar. - ela se aproxima de mim. - Se ele não tivesse me falado, eu teria perdido o meu capitão e a minha melhor amiga, a minha irmã.
Mais lágrimas escorrem por minhas bochechas, ela me abraça, retribuo o abraça, soluçando.
- Me desculpa! - peço.
Ela concorda com a cabeça.
Sem entender, ela me afasta dela, puxa a catana e gira o corpo, ficando nas minhas costas, viro o corpo e a vejo apontando há catana para o pescoço de um homem, parecia ter a nossa idade, ele usa um chapéu largo de palha, diferente ao do Shanks, seus olhos estão arregalados e com o tronco jogado um pouco para trás, a ponta da catana a milímetros do seu pescoço.
- Quem é você? - ela o questiona.
Ele tinha o cabelo longo amarrado em um rabo de cavalo baixo, ele me olha rapidamente, logo em seguida volta a olhar para a minha amiga.
- Ele é o meu aprendiz! - a voz do Rayleigh chama a nossa atenção.
Olho sobre o ombro, assim como Zhaia, ela volta sua atenção para o homem a nossa frente, ele se afasta da catana de Zhaia e volta à posição ereta, Zhaia relaxa o braço, devolvendo a catana para a bainha na cintura.
Ele passa por nós, viro o meu corpo ao mesmo tempo que ele caminha em direção ao seu mestre, que sorri para mim e Zhaia, o homem olha sobre o ombro, mas não para mim, para Zhaia que está atrás de mim, sorrio de canto quando vejo que ela retribui o olhar.
- Quero ver o treinamento dele! - é a única coisa que diz quando passa por mim.
A sigo, ela está mais à frente do que eu, tento acompanhar os seus passos, mas desisto quando algo chama a minha atenção na beira da praia, perto da onde as ondas quebravam.
Paro de andar, virando o meu corpo na direção dele, ele estava com a enorme espada na mão, a conduzindo de um lado para o outro, como se estivesse acertando em algum oponente, caminho em sua direção.
- Posso lhe ajudar? - questiona, assim que me aproxima.
Paro, ele me olha, ainda com a espada erguida para frente.
- Como consegue? - aponto para a espada.
Ele olha para ela, volta a olhar para mim.
- Qualquer um consegue segurar isso, se ela lhe aceitar! - responde, baixando a espada e a esticando para mim.
Caminho na sua direção, estico o braço e pego a espada, realmente, ela é mais leve que aparenta, ele se afasta um pouco de mim, ergo a espada e a movimento, ouvindo ela cortar o vento.
Posiciono o corpo e prendo a respiração rapidamente, movimento o corpo como se acertasse a espada em um oponente invisível, assim como Mihawk fazia há momentos antes.
Abaixo a espada, olho para ele com um sorriso nos lábios. Ele está com os braços cruzados sobre o peito, com a cabeça de lado e com um sorriso de canto nos lábios, aquilo faz o meu coração acelerar.
Pisco algumas vezes, ignorando aquilo, jogando o pensamento para longe.
- Isso foi incrível! - digo, entusiasmada.
Ele solta os braços e caminha na minha direção, tenho que erguer a cabeça para olhar em seus olhos, os olhos dourados que pareciam de um gavião.
- É mesmo! - ele concorda.
Seus dedos tocam a minha mão, solto a espada, ele pega no cabo e coloca a espada atrás das costas, ele ainda estava com o mesmo chapéu de sempre.
Seu corpo estava próximo de mais ao do meu, me afasto, o suficiente para não sentir a sua respiração contra o meu rosto.
- Vai continuar com a gente ou vai embora? - questiono.
Ele dá de ombros, começando a andar para o centro da areia, o sigo.
- Shanks me convidou para ficar com você, ele me falou que você vai ser a nova capitã. - ele me olha.
Paro abruptamente.
- O quê? - questiono, em um tom de ironia.
Ele me olha, virando o corpo.
- Achei que ele já tivesse lhe dito, acho que estraguei a surpresa dele. - ele fala, mas não há um tom de ironia na voz.
- Eu não posso ser a capitã de uma tripulação. - digo, ele joga a cabeça de lado.
A luz do sol bate em seus olhos, os fazendo ficar mais amarelo do que realmente são.
- E porque não? - questiona.
Nego com a cabeça.
- Eles confiam em você, você tem o respeito deles. - me diz, como se aquilo fosse uma resposta.
O encaro, ele faz o mesmo.
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Um Conto One Piece
Fanfiction+16 / Abuso sexual, abuso psicológico, violência, romance. "Saber que ele nunca vai te conhecer, foi a pior decisão que você já tomou!" "Após os eventos na vila, Luffy e o Bando do Chapéus de Palhas se aventuram em novas ilhas e em novos mistéri...
