Dois anos mais tarde
Já haviam se passado dois anos, dois anos em que estávamos dando voltas e mais voltas pela Grand Line.
Com o passar do tempo, os piratas foram diminuindo, os navios deles foram diminuindo em procura de One Piece, o que deu uma vantagem para a gente, mas, tanto eu quanto Zhaia, não confiávamos o suficiente nos meninos para que eles também soubessem onde estava de verdade o One Piece.
O nome do nosso bando se espalhou por demais ilhas e para todos os lugares possíveis, junto aos nossos nomes. Fiquei preocupada no início, mas agora, com os nossos nomes na boca do povo, foi mais fácil fazer piratas recuarem.
A marinha também, não foi difícil ter meu pai atrás de mim como antes, contudo, agora meus companheiros estavam no meio de toda a caça que envolvia a mim e a Zhaia.
Arrumo a posição, ficando ereta e olhando para o horizonte. Podia ouvir a todos conversando e comemorando sobre a nossa vitória sobre um navio pirata que naufragava ao fundo. Pisco, vendo algo vindo na minha direção, molho os lábios, espertando para o que estava por vir.
Coloco a mão sobre o cabo da espada, minhas adagas ainda continuavam comigo, mas agora a espada andava comigo para todos os lugares.
Uma ave mensageira pousa no parapeito do navio, ele procura algo dentro da enorme bolsa de cartas e me entrega uma carta, pego a carta e em troca, lhe entrego uma moeda, ele sai voando logo em seguida, não se esquecendo de deixar o jornal da Grand Line para trás.
Olho para a carta na minha mão, era do meu irmão. Sua letra estava mais grossa e mais forte no detalhe. Abro a carta e começo a ler, pisco algumas vezes, passando os olhos por cada palavra como se fosse gravá-la em minha mente.
Desde que nossa mãe morreu e ele se tornou um pirata, primeiro que eu, não nos falamos muito, ele envia algumas cartas e eu respondo, mas essa, não estava com vontade nenhuma de responder. Não porque eu não queria, mas concordamos que não me meteria em seu assunto e ele não se meteria no meu. Enquanto ele protegia as pessoas, eu protegia o futuro dos piratas.
- Quer conversar sobre isso? - Zhaia me questiona.
Em algum momento, ela se aproximou de mim e provavelmente leu a carta. Dobro a carta, colocando no bolso traseiro da calça jeans escura, viro o corpo, e apoio os cotovelos sobre o parapeito, jogando minha cabeça para trás.
- Meu irmão vai começar uma revolução com a ajuda de piratas, e ele espera que, algum dia, eu me junte a ele. - explico, soltando um ar pesado.
O silêncio se estende sobre nós duas, ela joga o corpo para frente, apoiando os cotovelos sobre o parapeito, de frente para o mar. Ela olha para o oceano, vendo a água bater contra o navio.
- Vamos nos juntar a ele! - ela sugere.
Solto um ar de ironia, olho para ela, ela me olha. Seu cabelo estava curto novamente, ela sempre o cortava quando precisava e sempre fazia isso, praticamente todos os meses. O verde em seu cabelo estava ficando mais claro, como se, com o passar dos anos, ele fosse perdendo a sua intensidade.
- Está falando sério? - pergunto, ainda olhando em seus olhos.
Ela dá de ombros.
- E por que não? - responde com outra pergunta.
Fecho os olhos, viro o rosto para o céu, sentindo o sol esquentar todo o meu corpo. Sinto o olhar de alguém sobre mim, penso que é Zhaia, abro os olhos e olho na direção dela, vendo ela prestar atenção em outra coisa, na cerveja em sua mão.
Olho para os outros piratas, mas todos estão prestando atenção demais em suas conversas. Encontro o olhar do Mihawk sobre mim, pisco algumas vezes, ele ainda continua olhando para mim.
Desviei a atenção para Zhaia, agora ela está conversando com Arashi, sobre alguma coisa em suas manobras de luta, sobre como eles lutavam sempre que duelavam. Uma coisa Shanks tinha razão, ambos estavam mais próximos do que há dois anos.
Agora, ela sorria mais para ele, e ele a fazia sorrir mais do que antes, e por algum motivo, aquilo me fazia sorrir também.
Zhaia tinha dificuldades em confiar em pessoas, e eu era a única em que ela confiava. Eu ficava feliz em saber que ela estava começando a confiar em outra pessoa, menos em Mihawk, aquele, ela nunca confiaria, nem que eu dissesse que ele estava do nosso lado e que era de confiança.
Zhaia, às vezes via coisas, coisas que ninguém deveria ser capaz de ver, coisas que ninguém deveria ver, de acordo com ela.
É bom ver ela sorrindo depois da crise que ela teve ontem. Foi tão forte e tão profunda o que ela viu que a fez ficar acordada durante a noite inteira treinando. E eu, fiquei olhando ela treinar da escada, sentada, sem me meter em seu treinamento, e na forma como ela se acalmava.
O treino com as katanas a acalmava, o que era bom, já que ela não conseguia me dizer os seus sentimentos, nem ao menos me explicar o que ela via, aquilo me causava arrepios. Nunca falei nada para Zhaia para não preocupá-la, mais eu também via as mesmas coisas que ela.
As pessoas mortas que ela via apareciam para mim também. A forma como eles morriam são as piores, mais por algum motivo, não me afetava tanto quanto em Zhaia, talvez pelo fato da sua linhagem, já que, quando seu pai morrer, ela assumirá a herança de ser a nova comandante do reino dos mortos.
Shanks e Buggy se aproximam de mim, ambos reclamando de alguma coisa, na verdade, Buggy estava reclamando de alguma coisa, quase aos gritos, olho na direção dos dois, desencosto do parapeito, cruzo os braços.
- O que foi? - questiono.
Shanks estende um papel para mim, em seguida vira em direção a um homem de cabelo branco e pele escura. Seu cabelo parecia com o dos juízes, ele se aproxima, Zhaia fica ao meu lado, coloca a mão sobre o cabo da katana e olha para o homem, ele para na minha frente e sorri.
- Sou Igaram, Senhorita Hadassa! - ele olha em direção a todos à minha volta e em seguida, volta para mim. - Meu rei pediu para convidar a todos vocês para um jantar e uma conversa com vocês!
Ele olha diretamente para mim, sinto o olhar dos outros sobre mim.
- Desculpa, mais quem é o seu rei? - questiono, ainda com o papel sobre a minha mão.
Ele aponta em direção ao papel em minha mão, movimentando a cabeça.
Abro o papel e leio a mensagem em voz alta.
- O Rei Nefertari Cobra convida vocês para um jantar e uma conversa particular.
Olho para o Igaram, ele ainda continua sorrindo, olho para Zhaia, já que ela é meu braço direito e a vice-capitã desse lugar, quando eu não estou, ela está.
- O que acha? - pergunto para ela.
- Vamos descobrir o que ele quer, assim, se for algo muito idiota, metemos o pé. - ela olha em volta. - E, além do mais, precisamos de comida e abastecimento.
Confirmo com a cabeça. Olho para Igaram.
- Nos leve até o seu rei.
Ele sorri, curva o corpo para frente na minha direção e na direção de Zhaia. Ele volta o corpo ereto, sorrindo ainda mais.
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Um Conto One Piece
Fiksi Penggemar+16 / Abuso sexual, abuso psicológico, violência, romance. "Saber que ele nunca vai te conhecer, foi a pior decisão que você já tomou!" "Após os eventos na vila, Luffy e o Bando do Chapéus de Palhas se aventuram em novas ilhas e em novos mistéri...
