VI.

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Demorei um pouco, eu sei. Tive um novembro muito louco e começo de dezembro igual. Espero que todos estejam bem.
Capítulo triste, mas necessário para vocês entenderem tudo e a história caminhar.
Obrigada pelos comentários e favoritos<3 vocês são incríveis!
Boa leitura e até mais.

“Todos os fantasmas
Flutuam, flutuam ao nosso redor
Agora eles transformaram nossos sonhos em pó
Nós salvamos sua mãe
Mas querida não havia nenhuma faísca para nós
Nós ganhamos a batalha, mas perdemos o coração
E agora eu sei disso aqui, aqui estou eu”

— Ghosts, Banners

O dia estava frio, como a maioria de todos os dias no vilarejo. As pessoas cantando estavam ficando para trás enquanto Ava caminhava na floresta banhada na escuridão com os pais dela atrás. Mãe Miranda estava na frente, as asas abertas como se fosse voar e um cajado de madeira na mão que batia em cada pedra no meio do caminho, criando um estrondo de arrepiar. Todos continuaram a andar sem falar nada, até Mãe Miranda parar repentinamente, virando o cajado com força, os acertando no rosto. Eles apagaram em questão de segundos.

Ava gemeu e se remexeu como conseguia quando acordou. As mãos e pernas presas, assim como o pescoço, dificultando a mobilidade.

— Não se mova, querida. — A mãe de Ava sussurrou baixinho. Ava apenas abriu os olhos para conseguir encará-la do outro lado, estremecendo ao perceber o sangue a cobrindo dos pés a cabeça. — Não olhe. Feche os olhos com força e conte até dormir.

Ava olhou para a esquerda e viu o pai dela, com os olhos opacos e a boca aberta caindo sangue. A ferida na cabeça era grande e estavam criando alguns pelos e veias roxas roxas.

— Pai…

— Ava, obedeça. Eles não vão demorar.

Ava engoliu o choro e fez o que foi pedido. Fechou os olhos com força e rezou para tudo passar de um pesadelo. Famílias nunca eram escolhidas juntas. Ela era a única filha. Mas, eles tinham uma dívida. Uma dívida grande demais para Mãe Miranda ignorar.

— Um bichinho tão resistente. — Ava ouviu a voz de Mãe Miranda quando acordou novamente. Ainda estava sonolenta e com o peso no corpo. O máximo que conseguiu abrir, foi o suficiente para ver a Santa Mãe e os Lordes ao redor dela. — Ainda está acordada. Salvatore, você administrou o sedativo correto?

— Sim, mãe. — O Lorde respondeu com um engasgo na fala e riu em seguida. — Mas, ela é teimosa até mesmo para morrer.

Ele começou a rir grosseiramente, deixando baba espalhar pelo resto deformado dele e pelas roupas. Ava reconheceu Lady Dimitrescu, que estava ao lado dela com as garras estendidas e realizando alguma operação que ela não conseguia ver pela falta de movimento em todo corpo.

— Administre mais, Sal. Ela está sofrendo. — Uma voz mais suave e calma disse por cima das risadas. Quando ficou mais nítida, Ava conseguiu identificar a mulher escondida a atrás do véu com uma mão estendida. — Ou eu posso tentar—

— Deixe-a, Donna. A resistência faz parte do processo, assim como a dor. Todos vocês aguentaram, ela também deveria aguentar. — Mãe Miranda respondeu, fazendo mulher se afastar novamente.

— É, deixe-a sentir abrindo o corpo dela e tirando alguns órgãos, o que pode ser pior que isso? — Karl perguntou irônico e riu. — Foda-se essa merda, ja encarei casos assim demais. Vou sair para fumar.

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