XIV.

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Volteiiii ♡♡♡
Obrigada pelos comentários no último capitulo, pessoal. Eu leio todos com um sorriso no rosto. Vocês são tudo para mim!
Mais um momento terno entre Donna e Ava e uma surpresa chocante com um pontapé importante para algumas respostas.
E eu chorei nesse capítulo enquanto escrevia.

Boa leitura ;)

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"E eu ouvi sobre o tornado
Que vive dentro do seu coração
Se você falasse, então eu ia me mover
E iria correndo para onde você está
Então eu rasgava a sua blusa
Enquanto atravessava a minha casa
Eu nunca soube, não sabia que você tinha uma boca tão suja
Mas você me ama como minha mãe
E me beija como se fosse sua esposa
E eu juro para você, que vou te dar mais do que tenho esta noite"

– At The Beach, In Every Life, Gigi Perez

Donna acordou com raios do sol iluminando o rosto dela. Ava estava dormindo em cima do ombro dela, com os braços segurando firmemente o corpo de Donna como se estivesse com medo que ela escapasse e ela ficasse sozinha novamente. Donna suspirou, erguendo o cobertor das costas de Ava para checar se tudo estava bem, as penas negras caindo na cama e sem sinal algum de asas ou articulações novas. A mutação não havia prosseguido durante a madrugada, o que foi algo bom.

Ela pensou na noite anterior, todo o pesadelo que foi com a descoberta da mentira, o rosto dolorido não a deixando esquecer do medo insuportável de perder Ava porque Moreau nunca cansava de ir atrás de validação. Deveria ter escutado Karl e Alcina, por mais que sempre tivessem um carinho por ele ao entender que ele é apenas um homem com a mente corrompida e história em comum, nunca haveria uma aliança sincera entre os irmãos se Miranda permanecesse segurando Moreau entre os braços quando quiser algo.

Mas isso quase lhe custou Ava. Donna certamente aprendeu a ser mais egoísta agora. Ela tinha anos de sofrimento para compensar e não perderia a mulher que queria proteger enquanto estiver neste mundo.

E ainda não conseguia entender tudo o que viu na noite passada, o desespero transformou tudo em um borrão que pareceu durar apenas segundos, mas sabia que não tinha feito Mãe Miranda se perder na própria mente. Ela não viajou junto para entender o que a mulher havia visto ou sentido enquanto estava ajoelhada no chão com as mãos erguidas e em um silêncio perturbador, os olhos fixos sem piscar como se a alma não estivesse mais ali. Karl e Alcina não poderiam chegar perto disso. Mas, eles viram Ava parada sobre o corpo de Miranda, os olhos totalmente pretos escorrendo icor por eles enquanto ela permanecia estática encarando tudo, as penas caindo das costas no chão.

Donna sabe que nada ali aconteceu de propósito, o que era mais assustador. Ava nem saberia o que aconteceu.

— Posso ouvir seus pensamentos daqui. — Ava sussurrou, sem se importar em abrir os olhos. As palmas das mãos pressionadas contra a barriga de Donna. — Estou viva. Bem, ainda morta-viva, mas estou aqui.

— Não brinque com isso. — Donna sussurrou de volta e tirou alguns fios de cabelo de Ava da frente do rosto dela. — Por favor.

— Desculpe. Estou tentando não pensar em tudo o que aconteceu, porque depois que eu a vi te batendo, minha mente parece querer apagar tudo. E me dói não ter respostas para tudo, por piores que sejam. — Ava respondeu, abrindo os olhos para encarar a massa porosa no rosto de Donna.

Ela estendeu a mão e passou a ponta dos dedos pelos arranhões no rosto, causados por Miranda. Donna a olhou enquanto isso, apertando os braços ao redor do corpo de Ava ao ser analisada com um pouco de adoração e mágoa.

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